A delegação da África do Sul, que será o próximo país a presidir o bloco, avisou, durante reunião ministerial da Força-tarefa Global para Mobilização contra a Mudança do Clima, que manterá esse esforço conjunto das das pastas
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A reunião ministerial da TF-Clima (Força-tarefa Global para Mobilização contra a Mudança do Clima), que reúne ministros das finanças e do meio ambiente dos países do G20, além dos bancos centrais, é uma inovação brasileira que deve continuar, afirma a colunista do Globo, Míriam Leitão, informando que a delegação da África do Sul, que será o próximo país a presidir o bloco, avisou que manterá esse esforço conjunto das das pastas. Um documento com o compromisso dos ministros das Finanças, do Meio Ambiente e governadores dos bancos centrais foi divulgado ao término da reunião, encerrada na noite desta quinta-feira (24/10).
A ministra de Estado do governo Lula, a historiadora, professora, psicopedagoga, ambientalista e política filiada à Rede Sustentabilidade, Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), destacou a importância de unir finanças e ecologia no combate à mudança climática, ressaltando que essa integração, sonhada por ela há 20 anos, agora se concretiza. Ela afirmou que a colaboração contínua entre as áreas de clima e finanças é crucial para alcançar metas ambiciosas de 1.5 graus e promover as transformações necessárias nos países diante da crise climática, referindo-se às metas nacionais como NDCs (Nationally Determined Contributions – Contribuições Determinadas Nacionalmente).
As NDCs definem as contribuições dos países para o Acordo de Paris, visando limitar o aquecimento global a 2°C, preferencialmente a 1,5°C. Elas incluem planos de redução de emissões de GEE, medidas para resiliência climática e estimativas de custos. Os países devem apresentar novas NDCs a cada cinco anos, com compromissos cada vez mais ambiciosos, utilizando dados atualizados da ciência climática. Em junho de 2024, muitos países enviaram NDCs atualizadas com metas para 2030, embora poucas tenham se comprometido com reduções mais significativas. A próxima rodada de NDCs, com metas para 2035, está prevista para 2025.
“Os países do G20, responsáveis por cerca de 80% das emissões de gases de efeito estufa e concentrando 80% da riqueza do mundo, devem liderar pelo exemplo o combate às mudanças climáticas. O Brasil tem compromisso com a liderança pelo exemplo, mostrando que mesmo com nossos desafios internos, podemos assumir metas ambiciosas e ter visão construtiva e solidária em relação aos países com menor capacidade de fazer frente à crise climática. A nova NDC do Brasil refletirá esse compromisso com metas ambiciosas, abarcando os distintos setores da economia e fazendo uso da melhor ciência disponível“, disse Marina Silva.
Leitão informou que a ministra garante que a COP30 em Belém será a COP das novas NDCs alinhadas com a meta de 1,5°C, mas será também a COP para impulsionar a implementação de promessas e compromissos assumidos. No evento, diz a jornalista, Marina conversou com Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, que disse que na Europa eles já tinham feito essa união dos dois temas algum tempo atrás, mas a primeira vez que se faz isso a nível global.
A África do Sul presidirá o G20 e anunciou a continuidade da inovação, destacando o lançamento da Plataforma de Investimentos em Transformação Climática e Ecológica do Brasil (BIP) pela ministra Marina Silva e o ministro Fernando Haddad, que reúne investidores, financiadores e projetos, substituindo a busca ativa anterior das agências de desenvolvimento.
O ministro Fernando Haddad afirmou que a supervisão das entregas do G20 atuará como uma ligação entre a presidência brasileira do bloco e a COP30, alinhando os recursos financeiros às metas climáticas mais ambiciosas: “Concluo com a expectativa de que as nossas decisões em 2024 contribuirão para desbloquear os financiamentos necessários para alcançar os objetivos climáticos e de desenvolvimento sustentável, promovendo um futuro mais justo e resiliente para todos“, disse Haddad.
No final da reunião, foi divulgada uma declaração conjunta dos ministros do G20, comprometendo-se a intensificar ações climáticas e limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C. Entre os compromissos, destacam-se triplicar a capacidade global até 2030, dobrar a eficiência energética e reduzir o uso de carvão. Além disso, os líderes propõem uma reforma do sistema financeiro global para apoiar o desenvolvimento sustentável e combater as mudanças climáticas.
O combate à crise climática requer mudanças em toda a sociedade, abrangendo desde a energia até a produção de alimentos e planejamento urbano. As NDCs são fundamentais para que os países atuem coletivamente, transformando acordos internacionais em metas concretas para os próximos dez anos. Elas exigem redução de emissões e apoio político, além de impulsionarem transformações sociais e econômicas e estarem alinhadas a metas de zero líquido. As NDCs também ajudam na implementação de Planos Nacionais de Adaptação, promovendo resiliência em setores essenciais.
O próximo ano oferece uma oportunidade fundamental para que os países apresentem NDCs mais ambiciosas, capazes de manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C e garantir um futuro resiliente para todas as pessoas. Especialistas do WRI identificaram cinco pontos cruciais para a próxima geração de NDCs:
Incluir metas de redução de emissões para 2035 e fortalecer as metas para 2030 alinhadas com objetivos de 1,5°C e emissões líquidas zero. Todos os países precisam avançar nessa frente, mas os principais emissores precisam demonstrar mais liderança na redução de emissões até 2035. Esse é o meio do caminho entre as primeiras NDCs, em 2020, e o prazo dentro do qual muitos países se comprometeram a atingir emissões líquidas zero, em 2050. Agora, portanto, é o momento para alinhar as ações de curto e médio prazo com os objetivos de longo prazo. As NDCs também devem incluir metas específicas para gases de curta duração, mas altamente potentes, como o metano.
Metas setoriais ambiciosas e com prazo definido em setores-chave como energia e alimentos. Todos os países devem estabelecer metas ambiciosas, detalhadas e com prazos definidos para os setores mais intensivos em carbono – como energia, transportes, alimentos, agricultura e uso da terra. Essas metas podem enviar um sinal mais claro a governos, empresas e investidores do que apenas uma meta geral. As NDCs de 2025 devem se comprometer a abandonar rapidamente os combustíveis fósseis, aumentar a energia renovável, adotar meios de transporte livre de emissões, reduzir o desperdício de alimentos e investir em práticas agrícolas de baixo carbono e resistentes ao clima, entre outras medidas.
Medidas mais robustas para se adaptar aos impactos climáticos. Fenômenos climáticos como tempestades, incêndios florestais e calor extremo têm aumentado mais rápido do que o esperado. O próximo ciclo de NDCs deve reforçar as ações para tornar as comunidades, economias e ecossistemas mais resilientes. As NDCs também precisam considerar as perdas e danos causados pelas mudanças climáticas – ou seja, mudanças que já vão além daquilo que as comunidades ainda podem se adaptar de forma realista.
Estimular investimentos e reforçar a governança para transformar metas em ações. Definir metas é apenas o primeiro passo. As NDCs também precisam definir a forma como os países implementarão seus planos climáticos nacionais. Isso exige uma abordagem abrangente, envolvendo todas as instâncias de governo, de ministérios a governos subnacionais. Exige também políticas para estimular o investimento na ação climática e alinhar o financiamento de diferentes fontes e partes interessadas, incluindo o setor privado.
Foco nas pessoas e comunidades. A transição para uma economia livre de emissões e resistente às mudanças climáticas pode criar milhões de empregos, reduzir a poluição, melhorar a saúde humana e gerar uma série de outros benefícios para as pessoas em todo o mundo. Mas os países precisam elaborar seus planos de transição com cuidado, a fim de distribuir os benefícios de forma justa e evitar externalidades negativas, como perdas de emprego ou deslocamento de populações. A próxima rodada de NDCs precisa que todos os países adotem esses princípios de “transição justa” em seus compromissos climáticos.
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