Ingresso na ONU de evangélicos ligados a Damares e Bolsonaro é barrado por países

28/05/2021 0 Por Redação Urbs Magna
Ingresso na ONU de evangélicos ligados a Damares e Bolsonaro é barrado por países

Com status consultivo, o grupo influenciaria mudanças na agenda internacional, com propostas ainda da gestão Ernesto Araújo, em assuntos relacionados com direitos humanos, sexualidade e outros aspectos da política externa

De acordo com matéria de Jamil Chade, no UOL desta sexta-feira (28), juristas evangélicos do Brasil, a Anajure (Associação Nacional de Juristas Evangélicos), não conseguem obter um status consultivo na ONU (Organização das Nações Unidas) porque países cobram esclarecimentos sobre sua relação com o governo Bolsonaro e, por isso, decisões sobre o assunto são adiadas. O ingresso na entidade permitiria que o grupo pudesse designar um representante em Nova York e Genebra, submeter declarações por escrito ou serem chamadas para dar depoimento, além de discursar em reuniões oficiais, organizar debates e até submeter informes em diferentes organismos, se tornando um aliado para influenciar mudanças que o Itamaraty defende na agenda internacional em assuntos relacionados com direitos humanos, sexualidade e outros aspectos da política externa.

Desde 2017 os juristas solicitam o status na ONU. Em 2020, foram alvo de questionamento sobre ONGs e na terça-feira (25), diplomatas cubanos pediram informações sobre que apoio a Anajure recebe do governo Bolsonaro, mais especificamente do Itamaraty. A Nicarágua também questionou a adesão e, antes, a China havia criado obstáculos. Ao longo dos últimos anos, a Anajure tem insistido que sua ação é “independente de qualquer governo” e que existem pontos de discrepância entre a gestão de Bolsonaro e a entidade de juristas, mas, nos últimos meses, a entidade tem adotado uma atitude de apoio à política externa do ex-chanceler Ernesto Araújo, principalmente no que se refere a questões de gênero e direitos reprodutivos e educação sexual. A entidade ainda foi convidada pelo presidente Jair Bolsonaro para participar de um culto de ações de graça no Palácio do Planalto. Coube ao presidente da entidade fazer a leitura bíblica.

Neste ano, a Anajure fechou acordo com a pasta de Damares Alves para o lançamento de um “canal de denúncia para violações de direitos humanos na pandemia“. A entidade também anunciou que iria acompanhar propostas legislativas sob influência da oposição que tramitam no Congresso Nacional a pedido da ministra. Em 2012, em uma de suas primeiras reuniões, a Anajure prestou uma homenagem a Damares Alves. Num comunicado na ocasião, a entidade deixou claro que a pastora era, naquele momento, “membro da Associação Nacional dos Juristas Evangélicos“, tendo recebido uma “placa honorífica em razão de sua incansável luta pelos indígenas em situação de risco, além dos mais de 20 anos de atuação em favor de causas cristãs e do direito à vida e da família“, disse o comunicado.


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