Economia brasileira avança com queda expressiva nos preços de energia e alimentos, impulsionando poder de compra e otimismo no mercado financeiro
Brasília, 11 de novembro 2025
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou nesta terça-feira (11/nov) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal termômetro da inflação no país, registrou alta de apenas 0,09% em outubro de 2025.
Esse patamar representa a menor variação para o mês desde 1998, quando o índice marcou 0,02%, superando expectativas de analistas que projetavam 0,16%, conforme mediana do boletim Focus do Banco Central do Brasil (BC).
A notícia, divulgada em meio a debates sobre a política monetária, reforça sinais de controle inflacionário sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com impactos diretos no custo de vida das famílias brasileiras.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, destacou o feito em postagem nas redes sociais, atribuindo o resultado à “política econômica responsável e social do governo Lula, que coloca o povo no centro das decisões e faz o Brasil crescer de forma sustentável”.
Segundo ela, o avanço traz “mais dinheiro no bolso do trabalhador e confiança renovada na economia”, com ênfase em empregos em alta, estabilidade e “comida mais em conta na mesa da população”.
A declaração da petista ecoa o otimismo oficial e contrasta com críticas recentes à manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) vista por alguns como excessivamente restritiva.
Fatores que Impulsionaram a Queda
O recuo foi impulsionado principalmente pela redução nas tarifas de energia elétrica residencial, que caíram 2,39% devido à migração da bandeira tarifária vermelha patamar 2 para o patamar 1, gerando impacto negativo de -0,10 ponto percentual no IPCA, conforme detalhado pelo IBGE.
O grupo Habitação, como um todo, registrou deflação de 0,35%. Paralelamente, a alimentação no domicílio apresentou queda de 0,16%, com destaques para o arroz (-2,49%) e o leite longa vida (-1,88%), rompendo uma sequência de pressões sazonais no segundo semestre.
Esses elementos contrabalançaram altas pontuais, como passagens aéreas (+4,48%) e combustíveis (+0,32%), limitando o avanço no grupo Transportes a 0,11%.
No acumulado do ano, o IPCA soma 3,73%, enquanto em 12 meses chega a 4,68% – o menor patamar desde janeiro de 2025 (4,56%) e abaixo dos 5,17% observados até setembro.
Apesar de ainda acima do teto da meta de 4,5% (centro em 3%, com tolerância de ±1,5 ponto percentual), o índice sinaliza convergência para o intervalo permitido, conforme ata do Copom divulgada hoje.
Economistas como Leonardo Costa, da ASA Investimentos, veem no dado um “qualitativo benigno”, com desaceleração na inflação subjacente de serviços (0,41% em outubro), sugerindo revisões para baixo nas projeções anuais, de 4,6% para 4,5%.
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Tabela 1: Resumo IPCA e INPC (Outubro de 2025)
| Índice | Variação Outubro (%) | Acumulado no Ano (%) | Acumulado 12 Meses (%) |
|---|---|---|---|
| IPCA | 0,09 | 3,73 | 4,68 |
| INPC | 0,03 | 3,65 | 4,49 |
Tabela 1: Resumo IPCA e INPC (Outubro de 2025)
Esta tabela apresenta os resultados consolidados dos dois principais índices de inflação apurados pelo IBGE: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Variação de Outubro: O IPCA registrou variação de 0,09% em outubro de 2025, representando uma desaceleração significativa de 0,39 ponto percentual (p.p.) em relação à taxa de 0,48% observada em setembro.
O INPC apresentou uma alta mais contida, ficando em 0,03%.
Acumulado no Ano: De janeiro a outubro de 2025, o IPCA acumulou alta de 3,73%, enquanto o INPC acumulou 3,65%.
Acumulado 12 Meses: Nos 12 meses encerrados em outubro, o IPCA somou 4,68%, valor inferior aos 5,17% do período imediatamente anterior. Já o INPC acumulou 4,49%, abaixo dos 5,10% dos 12 meses anteriores.
Tabela 2: IPCA: Variação e Impacto por Grupos (Setembro x Outubro)
| Grupo | Variação (%) | Impacto (p.p.) | ||
|---|---|---|---|---|
| Setembro | Outubro | Setembro | Outubro | |
| Índice Geral | 0,48 | 0,09 | 0,48 | 0,09 |
| Alimentação e bebidas | -0,26 | 0,01 | -0,06 | 0,00 |
| Habitação | 2,97 | -0,30 | 0,45 | -0,05 |
| Artigos de residência | -0,40 | -0,34 | -0,01 | -0,01 |
| Vestuário | 0,63 | 0,51 | 0,03 | 0,02 |
| Transportes | 0,01 | 0,11 | 0,00 | 0,02 |
| Saúde e cuidados pessoais | 0,17 | 0,41 | 0,02 | 0,06 |
| Despesas pessoais | 0,51 | 0,45 | 0,05 | 0,05 |
| Educação | 0,07 | 0,06 | 0,01 | 0,00 |
| Comunicação | -0,17 | -0,16 | -0,01 | 0,00 |
Tabela 2 : IPCA: Variação e Impacto por Grupos (Setembro x Outubro)
Esta tabela detalha como a variação de preço em cada um dos nove grupos de produtos e serviços afetou o índice geral do IPCA, comparando setembro e outubro de 2025.
Grupos com Maiores Quedas (Variação Negativa) em Outubro: Três grupos registraram variação negativa: Habitação (-0,30%), que teve o maior impacto negativo no índice; Artigos de residência (-0,34%) e Comunicação (-0,16%).
A queda no grupo Habitação foi motivada principalmente pela variação negativa de -2,39% na energia elétrica residencial, sendo o maior impacto negativo no índice do mês (-0,10 p.p.), refletindo a mudança da bandeira tarifária de vermelha patamar 2 para vermelha patamar 1.
Grupos com Maiores Contribuições (Impacto Positivo) em Outubro:
O grupo Saúde e cuidados pessoais (0,41%) exerceu o maior impacto no índice do mês, com 0,06 p.p., impulsionado por artigos de higiene pessoal (0,57%) e planos de saúde (0,50%).
Despesas pessoais (0,45%) também contribuiu com 0,05 p.p., destacando-se o subitem empregado doméstico (0,52%) e pacote turístico (1,97%).
O grupo Vestuário (0,51%) teve a maior variação em termos percentuais entre as altas, com destaque para calçados e acessórios (0,89%) e roupa feminina (0,56%).
Alimentação: O grupo Alimentação e bebidas (0,01%) ficou praticamente estável, com a alimentação no domicílio caindo 0,16% (devido a itens como arroz e leite longa vida), mas a alimentação fora do domicílio acelerou para 0,46%.
Tabela 3: Variação da Energia Elétrica Residencial por Região (Outubro)
| Região | Variação (%) | Variação Acumulada (%) | |
|---|---|---|---|
| Outubro | Ano | 12 meses | |
| Goiânia | 6,08 | 15,09 | 6,41 |
| Belém | -0,62 | 8,79 | 1,93 |
| Brasília | -0,69 | 10,71 | -3,45 |
| Campo Grande | -0,83 | 6,29 | 0,82 |
| São Luís | -1,02 | 23,87 | 14,17 |
| Salvador | -1,54 | 8,51 | -0,60 |
| Porto Alegre | -1,88 | 16,10 | 4,39 |
| Vitória | -2,10 | 23,60 | 11,24 |
| Recife | -2,64 | 12,56 | 1,28 |
| Belo Horizonte | -2,71 | 14,07 | 5,53 |
| São Paulo | -3,17 | 21,60 | 7,58 |
| Aracaju | -3,63 | 15,50 | 5,06 |
| Rio de Janeiro | -3,72 | 4,87 | -4,02 |
| Rio Branco | -3,73 | 0,93 | -7,49 |
| Curitiba | -4,17 | 9,70 | 1,16 |
| Fortaleza | -4,82 | 5,11 | -4,36 |
| Brasil | -2,39 | 13,64 | 3,11 |
Tabela 3: Variação da Energia Elétrica Residencial por Região (Outubro)
Esta tabela isola a variação do subitem energia elétrica residencial por região, que foi crucial para a queda do IPCA em outubro.
A nível nacional, a energia elétrica caiu -2,39%, devido à mudança da bandeira tarifária de vermelha patamar 2 para patamar 1.
Apesar da tendência de queda geral, Goiânia registrou uma alta de 6,08% em outubro, devido à incorporação de um reajuste tarifário de 19,56%.
Outros reajustes em Brasília e São Paulo resultaram em quedas de -0,69% e -3,17%, respectivamente.
A energia elétrica residencial acumula alta de 13,64% no ano, sendo o principal impacto positivo no acumulado do período (0,53 p.p.).
Tabela 4: IPCA: Variação por Regiões
| Região | Peso Regional (%) | Variação Mensal (%) | Variação Acumulada (%) | ||
|---|---|---|---|---|---|
| Setembro | Outubro | Ano | 12 meses | ||
| Goiânia | 4,17 | 0,75 | 0,96 | 3,42 | 4,68 |
| Porto Alegre | 8,61 | 0,50 | 0,33 | 4,04 | 4,59 |
| Vitória | 1,86 | 0,76 | 0,31 | 4,67 | 5,39 |
| Belém | 3,94 | 0,27 | 0,26 | 3,74 | 4,87 |
| Aracaju | 1,03 | 0,52 | 0,20 | 4,22 | 5,17 |
| Recife | 3,92 | 0,56 | 0,17 | 3,84 | 4,64 |
| Rio Branco | 0,51 | 0,46 | 0,10 | 2,52 | 4,01 |
| Brasília | 4,06 | 0,41 | 0,06 | 3,85 | 4,44 |
| Salvador | 5,99 | 0,17 | 0,06 | 3,17 | 4,39 |
| São Paulo | 32,28 | 0,57 | 0,04 | 4,20 | 5,17 |
| Fortaleza | 3,23 | 0,38 | -0,02 | 3,46 | 4,59 |
| Curitiba | 8,09 | 0,37 | -0,02 | 3,70 | 4,59 |
| Rio de Janeiro | 9,43 | 0,48 | -0,06 | 2,78 | 3,89 |
| Campo Grande | 1,57 | 0,55 | -0,08 | 2,74 | 3,83 |
| São Luís | 1,62 | 1,02 | -0,15 | 3,49 | 4,57 |
| Belo Horizonte | 9,69 | 0,31 | -0,15 | 3,51 | 4,36 |
| Brasil | 100,00 | 0,48 | 0,09 | 3,73 | 4,68 |
Tabela 4: IPCA: Variação por Regiões
Esta tabela detalha a variação do IPCA (que atende famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos) por região.
A maior variação mensal (Outubro) foi registrada em Goiânia (0,96%), impulsionada pela alta da energia elétrica residencial (6,08%) e da gasolina (4,78%).
As menores variações, ambas negativas, ocorreram em São Luís (-0,15%) e Belo Horizonte (-0,15%).
A região com maior Peso Regional no cálculo do índice nacional é São Paulo (32,28%).
Tabela 5: INPC: Variação por Regiões
| Região | Peso Regional (%) | Variação Mensal (%) | Variação Acumulada (%) | ||
|---|---|---|---|---|---|
| Setembro | Outubro | Ano | 12 meses | ||
| Goiânia | 4,43 | 0,80 | 0,92 | 3,15 | 4,41 |
| Vitória | 1,91 | 0,98 | 0,32 | 4,95 | 5,40 |
| Porto Alegre | 7,15 | 0,61 | 0,30 | 4,21 | 4,59 |
| Belém | 6,95 | 0,26 | 0,23 | 3,74 | 4,53 |
| Aracaju | 1,29 | 0,58 | 0,13 | 4,42 | 5,31 |
| Recife | 5,60 | 0,48 | 0,13 | 3,74 | 4,48 |
| Rio Branco | 0,72 | 0,41 | 0,11 | 2,36 | 3,85 |
| Brasília | 1,97 | 0,28 | 0,07 | 3,31 | 3,77 |
| Fortaleza | 5,16 | 0,36 | 0,01 | 3,52 | 4,60 |
| Salvador | 7,92 | 0,16 | -0,01 | 3,09 | 4,27 |
| Curitiba | 7,37 | 0,36 | -0,04 | 3,49 | 4,26 |
| São Paulo | 24,60 | 0,75 | -0,09 | 4,35 | 5,05 |
| Rio de Janeiro | 9,38 | 0,47 | -0,10 | 2,48 | 3,69 |
| Campo Grande | 1,73 | 0,56 | -0,11 | 2,52 | 3,83 |
| São Luís | 3,47 | 0,95 | -0,14 | 3,42 | 4,42 |
| Belo Horizonte | 10,35 | 0,30 | -0,21 | 3,46 | 4,18 |
| Brasil | 100,00 | 0,52 | 0,03 | 3,65 | 4,49 |
Tabela 5: INPC: Variação por Regiões
Esta tabela detalha a variação do INPC, que se aplica a famílias com rendimento de 1 a 5 salários mínimos.
A maior variação mensal do INPC foi registrada em Goiânia (0,92%), também impulsionada pela energia elétrica residencial (6,16%) e gasolina (4,78%).
Por outro lado, a menor variação (-0,21%) ocorreu em Belo Horizonte, devido às quedas na gasolina (-3,97%) e na energia elétrica residencial (-2,68%).
No contexto nacional do INPC, os produtos alimentícios ficaram estáveis (0,00%), após uma queda de -0,33% em setembro.
Para compreender a relevância desse marco, é essencial revisitar o histórico da inflação brasileira, marcado por volatilidades extremas.

Nos anos 1990, antes do Plano Real, o país enfrentava hiperinflação crônica, com picos acima de 2.000% ao ano em 1993, impulsionados por desequilíbrios fiscais e indexação de preços.
A estabilização veio em 1994, mas outubro de 1998 – referência para o atual recorde – ocorreu em um contexto de recuperação pós-crise asiática, com IPCA de 0,02%, graças a políticas de ancoragem das expectativas pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Mais recentemente, em 2017, o país viu deflação em outubro (-0,05%), em meio à recessão pós-impeachment de Dilma Rousseff, com desemprego em 12,6% e PIB encolhendo 3,5%.
Esse episódio, embora aliviando preços temporariamente, expôs fragilidades: a inflação acumulada em 12 meses era de 2,87%, mas o crescimento estagnado minou ganhos sociais.
Em contraste, o atual cenário de 0,09% coincide com expansão econômica – PIB projetado em 2,5% para 2025 pelo Focus – e criação de 1,8 milhão de empregos formais no ano, per dados do Ministério do Trabalho e Emprego.
Essa combinação de baixa inflação e atividade aquecida remete aos anos iniciais do primeiro mandato de Lula (2003-2006), quando o IPCA anual ficou em torno de 5%, mas com inclusão social via Bolsa Família impulsionando consumo sustentável.
Estudos históricos, como os do IBGE, mostram que períodos de inflação abaixo de 0,1% em outubro – raros, ocorrendo apenas em 1998 e agora – frequentemente precedem ciclos de cortes na Selic, como visto em 1999 (de 45% para 19%).
No entanto, analistas alertam para riscos persistentes, como choques climáticos afetando commodities e a dependência de bandeiras tarifárias na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O dado fortalece argumentos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por um afrouxamento monetário em dezembro.
Projeções do mercado, atualizadas no Focus, estimam IPCA de 4,55% para o fim de 2025, com Selic terminando em 15%.
Especialistas da XP Investimentos, como Alexandre Maluf, atribuem o alívio aos “quatro C’s da desinflação: câmbio, clima, commodities e China”, mas alertam que serviços (6,20% em 12 meses) ainda demandam vigilância.
Para famílias e empresas, o impacto é imediato: com inflação anual abaixo de 5% pela primeira vez desde janeiro, o poder de compra se fortalece, especialmente em itens essenciais.
O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou, em declaração recente, a expectativa de cortes na Selic para estimular investimentos.
Em resumo, outubro de 2025 não é apenas um número: é um divisor de águas que, se mantido, pode pavimentar um 2026 de crescimento inclusivo, ecoando as conquistas de gestões passadas sem repetir suas armadilhas.








Esse Lula é demais, meu presidente. 🎊🎊🎊
Lula 2026!
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