
SERGIO MORO e LUIZ FUX | Foto: José Cruz/Agência Brasil /// Ao fundo, Débora Rodrigues pichando a estátua A Justiça durante as depredações das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 | Foto: Gabriela Biló/Folhapress
Frase foi dita por Sergio Moro, em mensagem trocada com o então procurador da Lava Jato de Curitiba, Deltan Dallagnol, hoje exonerado e deputado federal cassado – Ambos viam no magistrado a segurança para suas “convicções” dissociadas de provas jamais encontradas contra Lula – SAIBA MAIS
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Brasília, 26 de abril de 2025
Em 2016, uma troca de mensagens entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol trouxe à tona a frase que se tornaria um símbolo dos bastidores da Operação Lava Jato: “In Fux We Trust” (“Em Fux Confiamos”).
A expressão, revelada em 2019 pelo site The Intercept Brasil, referia-se à confiança depositada no ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que, segundo as mensagens, teria sinalizado apoio às ações da força-tarefa, apesar das provas contra o então investigado Luiz Inácio Lula da Silva jamais terem sido encontradas.
Em vez disso, à então força-tarefa da operação mais polêmica da história brasileira restou tão somente o discurso dissociado, transformado em meras “convicções” midiáticas, a exemplo o power point difamatório do hoje Presidente, exibido na época durante coletiva de imprensa, e que, mais tarde, foi motivo de processo vitorioso em favor do estadista.
Recentemente, a famigerada e infeliz frase “In Trust We Fux” voltou à tona, usada tanto por críticos da Lava Jato quanto por lideranças da direita brasileira, que agora veem no ministro da Primeira Turma do STF uma esperança em julgamentos relacionados aos atos golpistas do ainda mais famigerado 8 de Janeiro.
O jornalista Reinaldo Azevedo, que por repetidas vezes desafiou Sergio Moro a apresentar a prova contra Lula em sua sentença condenatória, ironizou o 8 de Janeiro ao escrever em seu X: “Boa tarde, patriota! Ficou com vontade de destruir o Supremo, o Congresso e a Presidência para exigir um golpe de estado? Fux compreende o seu lado“. E acrescentou:
“Ele já negou pedido para arquivar ação penal contra um homem que roubou um galo e uma galinha. E olhem que o cara já havia devolvido os bípedes… Fux não tolera ladrões de galinha!!! Mas sente a irresistível tentação de passar a mão na cabeça de golpista. O voto indecente do caso Débora nada tem a ver com a cabeleireira. Está olhando mais longe. Será inútil“.
"In Fux we trust" https://t.co/wFyH8as3Gh
— Hassan 😉 (@hassanr_27) April 25, 2025
“IN FUX WE TRUST“
Em uma troca de mensagens no aplicativo Telegram, em 2016, entre Moro, então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, e Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, a frase “In Fux We Trust” foi escrita após um encontro entre o ministro e o então procurador, hoje exonerado do MPF e deputado federal cassado.
Fux teria dito que a equipe da Lava Jato poderia “contar com ele”.
A mensagem, vazada pelo The Intercept Brasil e amplificada por toda a imprensa brasileira e repercutida estrondosamente nas redes sociais foi interpretada como evidência de uma relação de proximidade inadequada entre o Judiciário e a força-tarefa, levantando questionamentos sobre a imparcialidade de Moro e a influência do STF nas investigações.
“In Fux We Trust” reforçava a percepção de um alinhamento estratégico entre Moro, Dallagnol e Fux, sugerindo que o ministro era visto como um aliado na cruzada anticorrupção da Lava Jato.
Mas as fontes progressistas foram críticas à sentença que parodiava a frase “In God We Trust” (Em Deus Confiamos), visto em cédulas de dólar – lema nacional dos Estados Unidos e do estado da Flórida, designado por um ato do Congresso norte-americano em 1956.
Na ocasião, o portal Brasil de Fato apontou que Fux representava um “limite ultrapassado” pelo STF, com posturas que, na visão da publicação, comprometiam a neutralidade do tribunal.
As mensagens de Telegram vazadas faziam parte do escândalo conhecido como Vaza Jato, que expôs diálogos comprometedores entre membros da Lava Jato.
O The Intercept Brasil revelou que Moro e Dallagnol discutiam estratégias processuais, compartilhavam informações sigilosas e coordenavam ações para maximizar o impacto das investigações, muitas vezes em detrimento de garantias legais dos investigados.
A frase “In Fux We Trust” foi um dos pontos altos dessas revelações, sugerindo que a força-tarefa buscava respaldo no STF para suas decisões. Em 2019, a divulgação da sentença em meio às mensagens da Vaza Jato gerou um terremoto político e jurídico.
Hoje, a frase “In Fux We Trust” ganhou nova vida no contexto político, especialmente após o julgamento da Primeira Turma do STF que tornou Jair Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado.
Segundo a CNN Brasil, lideranças da direita retomaram a expressão para elogiar a postura de Fux, que divergiu do relator Alexandre de Moraes em questões relacionadas à dosimetria de penas de réus do 8 de janeiro.
Fux pediu vista no caso da cabeleireira Débora Rodrigues, que pichou a estátua do STF com a frase “perdeu, mané”, sinalizando possível revisão de uma pena considerada excessiva (14 anos de prisão).
Essa postura foi celebrada por bolsonaristas, incluindo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que, segundo a Folha de S. Paulo, citou Fux em um ato na Avenida Paulista, pedindo que ele “não deixe essa mulher [Débora] morrer”.
As divergências de Fux com Moraes representaram uma “pequena vitória” para os réus do 8 de janeiro, reacendendo a confiança de setores da direita no ministro.
No entanto, o passado de Fux como aliado da Lava Jato sugere que sua mudança de postura pode ser uma resposta a pressões externas, como críticas de bolsonaristas à condução dos processos.
A nova postura de Fux gera reações mistas. Sua mudança de alinhamento, antes próximo a Moraes, causou incômodo entre colegas do STF, que viam sua conduta como uma tentativa de responder a avaliações externas, como manifestações populares e pressões políticas.
Fux foi descrito como um “revisor informal” de Moraes, apontando que ele passou a questionar delações premiadas, como a de Mauro Cid, e a dosimetria de penas, o que reforçou sua imagem de independência, mas também de oportunismo para alguns críticos.
O Brasil de Fato, em análise de 2019, já questionava a confiabilidade de Fux, argumentando que sua atuação na Lava Jato e em outros casos refletia um ativismo judicial que comprometia a imparcialidade do STF.
Essa visão foi reforçada por postagens recentes no X, como as de usuários que criticaram Fux por “ceder aos golpistas” ao divergir de Moraes.
A retomada da frase “In Fux We Trust” em 2025 reflete a polarização política no Brasil. De um lado, críticos da Lava Jato, como o The Intercept Brasil, usam a expressão para lembrar as irregularidades da operação e a influência de Fux em decisões passadas.
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De outro, a direita, conforme reportado pela CNN Brasil, vê no ministro uma esperança de moderação em julgamentos que consideram politizados. A postura de Fux pode ser uma estratégia para se reposicionar politicamente, sem abandonar sua histórica linha dura em casos penais.












