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Imigração cresce na França, altera matriz demográfica e Islã se consolida como a 2ª religião do país

    Parte da população original acha que a religião mulçumana está influenciando a sociedade e veem-na como ameaça à identidade nacional, revelam pesquisas

    Enquanto a imigração continua a crescer e a transformar significativamente a matriz demográfica da França, o Islã se consolidou como a segunda religião no país, conforme revelaram estudos dos dois principais institutos franceses especializados em demografia e estatística, o Institut National de la Statistique et des Études Économiques (Insee) e o Institut National d’Études Démographiques (INED).

    Entre 2019 e 2020, 51% da população de 18 a 59 anos na França metropolitana declarou não ter religião. A desfiliação religiosa é crescente e já atinge 58% das pessoas sem ascendência imigrante, 19% dos imigrantes que chegaram depois dos 16 anos e 26% dos descendentes de dois pais imigrantes, diz o Insee.

    No país, 29% da população se declara católica tornando a primeira religião da França, enquanto o islamismo é declarado por um número crescente de fiéis e já chega a 10% do povo francês, tornando o Islã a segunda religião. Outros 9% dizem que pertencem a outras religiões. 

    Apenas 8% dos católicos declarados frequentam regularmente um local de culto, contra pouco mais de 20% dos demais cristãos, muçulmanos e budistas, e 34% dos judeus.

    O crescimento do Islã na França se deve, principalmente, conforme verificou o instituto, aos processos de transmissão religiosa entre gerações, pois 91% das pessoas criadas em uma família muçulmana seguem a religião de seus pais, 84% dos judeus também o fazem, mas somente 67% dos católicos têm o costume, paralelamente a 69% de outros cristãos 69%.

    Assim, o fato de ter crescido em uma família de ascendência religiosa mista ou católica é decisivo no processo de secularização dos descendentes de imigrantes.

    A França tem 67,6 milhões de habitantes (dados de 2021), sendo que 19 milhões são imigrantes, filhos ou netos de imigrantes. De todas as imigrações, a árabe muçulmana, norte-africana e subsaariana é a que tem maior importância social, cultural e religiosa por lá.

    Entre os muçulmanos franceses, o uso do véu islâmico , em suas diversas modalidades, cresceu exponencialmente, 55%, nos últimos dez anos. 26% dos muçulmanos franceses, de 18 a 49 anos, usam o lenço na cabeça em suas vidas diárias. As muçulmanas francesas de origem africana são muito mais propensas a usar o lenço islâmico do que as muçulmanas francesas de origem norte-africana.

    O Insee e o INED dizem, conjuntamente, que a família muçulmana francesa é muito mais inclinada a transmitir sua religião do que a família cristã ou agnóstica. Apenas 6% dos católicos insistem que a religião é um sinal de identidade, enquanto 30% dos muçulmanos acreditam que a religião é a matriz de sua identidade individual, familiar e social.

    Entre 1950 e 1990, a imigração norte-africana (marroquina, argelina, tunisina) foi a mais importante, começando a substituir a imigração italiana, espanhola, portuguesa e polaca das décadas anteriores. Nos últimos dez anos, a imigração africana e negra começou a crescer significativamente na França. Há mais africanos que falam francês do que franceses nascidos no território nacional, embora Paris continue a ser a capital cultural comum.

    O sociólogo Jérôme Fourquet publicou um célebre ensaio intitulado ‘O arquipélago francês‘, chegando à conclusão de que “a França está se tornando um arquipélago de comunidades que nem sempre se entendem“.

    Mais de 40% dos franceses veem o Islã como uma ameaça, diz estudo

    A população original da acha que o Islã está influenciando a sociedade e veem a religião como uma ameaça à identidade nacional do país, revelou uma pesquisa divulgada no jornal ‘Le Figaro‘, em outubro de 2022.

    Na ocasião, 60% dos franceses disseram que o Islã é influente e está com visibilidade excessiva, sendo que 43% sente a comunidade mulçumana como uma ameaça à França, 40% disseram que não vê problema algum e outros 17% afirmaram que a religião enriqueceu a sociedade gaulesa.

    Sobre as vestimentas religiosas das mulheres mulçumanas, 63% dos franceses disseram que são totalmente contra.

    A pesquisa também mostrou que o número de franceses que consideram o papel dos mulçumanos no país “importante demais” aumentou 5% nos últimos dois anos. Eles responsabilizam a mídia por isso.

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