O estadista disse que havia pacto do governador com Bolsonaro sobre os ataques de seus apoiadores às sedes dos Três Poderes, há um ano
Urbs Magna
Após o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmar, durante entrevista, sem citar nomes, que “uma atuação canalha” resultante de “um pacto entre o ex-presidente da República, o governador de Brasília e a polícia, tanto a do Exército quanto a do DF ” resultou na depredação das sedes dos Três Poderes, o gestor da capital federal, Ibaneis Rocha, demonstrou aborrecimento e disse que nada irá atrapalhar suas férias.
Ibaneis não irá participar do ato em memória de um ano dos ataques, que será realizado no Congresso Nacional nesta segunda (8/1). O governo do DF será representado pela vice-governadora Celina Leão (PP), que foi a interina durante o período de afastamento do emedebista, disse o ‘Estadão‘.
“Tinha havido aquela atuação canalha que envolveu inclusive gente de Brasília, quando tacaram fogo em ônibus no dia em que fui diplomado. Eu estava no hotel assistindo a eles queimando ônibus, carros, e a polícia acompanhando sem fazer nada”, afirmou Lula, em entrevista ao ‘Globo‘.
Sobre o pacto, o estadista disse: “Isso havia, inclusive com policiais federais participando. Ou seja, aquilo não poderia acontecer se o Estado não quisesse que acontecesse“, disse, sobre o ‘8 de Janeiro‘, conforme transcrito no jornal.
O governador do Distrito Federal disse preferir “ignorar” as acusações: “Estou de férias e nada vai atrapalhar meu descanso”, afirmou.
Apoiador da reeleição de Bolsonaro, o governador Ibaneis foi afastado do cargo após os atos golpistas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
O magistrado considerou na época que Ibaneis adotou uma “conduta dolosamente omissiva” diante dos ataques aos prédios públicos. O governador só voltou ao comando da capital federal no dia 15 de março.
Na entrevista, Lula disse ainda que o referido pacto era “inclusive com policiais federais participando. Ou seja, aquilo não poderia acontecer se o Estado não quisesse que acontecesse“.
No final, o chefe do Executivo mandou um recado aos que não entendem o significado da palavra “democracia“:
“Nós precisamos levar muito a sério o significado da palavra democracia. Democracia é o direito de a gente divergir, discordar, falar o que quer desde que respeite os direitos dos outros e as instituições que nós criamos para garantir a própria democracia“.
