Presidente da Câmara enfrenta manifestações em todo o país após manobras na PEC da “Bandidagem” e “anistia” – Estratégia da casa prioriza alianças partidárias, mesmo sob críticas públicas
Brasília, 22 de setembro de 2025
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) admitiram reservadamente que os protestos contra a PEC da Blindagem e o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 foram um tiro no pé para a direita, conforme revelado pela jornalista Andréia Sadi na GloboNews.
A estratégia de atrelar a anistia à blindagem parlamentar, articulada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), comprometeu o avanço das propostas ao associá-las a uma imagem de autoproteção, enquanto os atos de domingo (21/set) reuniram milhares de pessoas em 23 capitais, superando expectativas de movimentos sociais de esquerda e forçando o Centrão a rever táticas em prol de uma agenda menos controversa.
Segundo a coluna Daniela Lima, no UOL, em um momento de alta tensão política, Motta tornou-se o principal alvo de manifestações em diversas capitais brasileiras, nos atos que reuniram milhares de pessoas em defesa da democracia.
O povo criticou veementemente as recentes decisões de Motta na pauta legislativa, especialmente a aprovação da PEC da Blindagem – que inclui o voto secreto para processos contra parlamentares – e a urgência concedida ao projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Fontes próximas ao parlamentar disseram que Motta optou por uma abordagem focada no público interno, fortalecendo laços com líderes partidários do Centrão, mesmo ciente do preço público que pagaria pelas escolhas.
Motta alertou durante reunião de líderes que sabia das críticas iminentes ao colocar os projetos em votação.
“Ele avisou na reunião de líderes que sabia que seria criticado por colocar os dois projetos em pauta, e perguntou: ‘É o que a maioria quer? Eu pago o preço, mas preciso que depois a Casa ande, que funcione, que tenha uma pauta que fale pra fora’”, relatou um auxiliar do presidente da Câmara.
A estratégia, segundo o texto, visava resolver impasses internos na Câmara, garantindo que nem o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem a oposição ou o Supremo Tribunal Federal (STF) se sentissem traídos.
Auxiliares destacam que Motta mantém alta credibilidade junto aos líderes partidários, priorizando o funcionamento da Casa para pautas externas.
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Os protestos ecoaram em 23 capitais, incluindo Natal (Rio Grande do Norte), São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador (Bahia), Brasília (Distrito Federal), Fortaleza (Ceará) e Porto Alegre (Rio Grande do Sul).
Em Natal, manifestantes se concentraram na Praça do Gringos, com faixas contra a anistia e gritos de ordem como “Sem anistia para golpistas!”.
O ato, impulsionado por movimentos sociais de esquerda e artistas locais, ganhou tração regional devido à proximidade com a dinâmica eleitoral no Rio Grande do Norte, onde Motta tem aliados como o ex-deputado Ricardo Motta (PSB), figura influente no estado apesar de controvérsias passadas envolvendo denúncias de corrupção no Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), conforme reportado pelo g1 em investigações de 2019 que se estendem ao contexto político atual.
A votação da PEC da Blindagem, aprovada em 17 de setembro sob protestos internos na Câmara, foi descrita como uma votação relâmpago pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Motta ignorou questões de ordem de deputados do PSOL e Novo, encerrando a sessão em menos de um minuto, o que gerou acusações de manobra com o Centrão.
Governistas, por sua vez, celebraram os atos como uma reação soberana contra a agenda do Congresso, enquanto a oposição minimizou o impacto, segundo a Folha de S. Paulo.
Artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil participaram do ato na Avenida Paulista, em São Paulo, reforçando o coro de “sem anistia” no mesmo local de protestos bolsonaristas anteriores.
Motta, que assumiu a presidência da Câmara em fevereiro deste ano em aliança com Lula, sinalizou disposição para encerrar o debate sobre anistia ainda nesta semana, aceitando que o Senado Federal derrube a PEC se necessário.
“É preciso entender que entramos numa dinâmica já de pré-eleição, né?”, comentou um amigo próximo ao parlamentar, aludindo às ambições de Motta para 2026 na Paraíba, onde reside em João Pessoa.
No Rio Grande do Norte, o contexto ganha camadas com a proximidade de Ricardo Motta, cujo filho, o ex-deputado Rafael Motta (PSB), sofreu acidente grave em agosto, em Natal, conforme noticiado pela Folha de S. Paulo, destacando a influência familiar na política local.
A pressão sobre Motta aumenta com o Planalto preparando reações contra a pauta da anistia, como revelado em outra matéria da Folha de S. Paulo, em 16 de setembro.
Líderes do Centrão e até o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cobraram a votação, segundo o g1.
Enquanto isso, obstruções oposicionistas, como o protesto com bandeiras de Donald Trump em julho de 2025, ilustram o clima polarizado, reportado também pelo g1.
Esses eventos marcam um teste de autoridade para Motta, equilibrando desgaste público com ganhos internos, em um Congresso sob escrutínio nacional.
A evolução da pauta deve ser monitorada, especialmente com o julgamento da trama golpista no STF em curso.







