Hugo Motta faz aceno ao STF e busca equilíbrio na pressão por anistia
Presidente da Câmara prioriza projetos do Judiciário enquanto espera gesto da Corte para aliviar tensão com bolsonaristas – SAIBA MAIS
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Brasília, 9 de abril de 2025
Em um movimento estratégico, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), incluiu na pauta do plenário quatro projetos de interesse do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta terça-feira (8/abr).
A decisão, tomada em meio à crescente pressão de bolsonaristas pela aprovação do projeto de anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, é vista como um aceno ao Judiciário.
Segundo informações da coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, Motta espera agora um gesto da Corte para aliviar a tensão política que o cerca.
Os projetos pautados, que tratam da criação de vagas efetivas e cargos comissionados no STF e no STJ, foram enviados ao Congresso pelas próprias cortes e tiveram requerimentos de urgência apresentados na sexta-feira (4/abr) pelo líder do Republicanos, Gilberto Abramo (MG).
A rápida inclusão na agenda, articulada diretamente por Motta, sinaliza uma tentativa de harmonizar as relações entre os Poderes.
Líderes consultados pelo portal afirmaram que o presidente da Câmara defendeu a urgência das propostas em reunião com parlamentares, enfatizando que elas não gerariam novas despesas.
Paralelamente, a pressão bolsonarista pela anistia ganhou força após o ato na Avenida Paulista no domingo (6/abr), liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Durante o evento, o pastor Silas Malafaia criticou Motta, acusando-o de priorizar interesses do Judiciário para “se proteger” de investigações.
O religioso subiu o tom novamente na terça-feira (8/abr), em vídeo, alegando que o deputado resiste à anistia enquanto acelera pautas judiciais.
HUGO MOTTA – CÂMARA DOS DEPUTADOS – 9.4.2025 – IMAGEM REPRODUÇÃO TV CÂMARA
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Motta, por sua vez, tem adotado uma postura cautelosa. Na segunda-feira (7/abr), ele defendeu a necessidade de “sensibilidade para corrigir exageros” nas punições do 8 de janeiro, mas ressaltou que a anistia “não é a única pauta do Brasil”.
O deputado afirmou que tratará o tema com serenidade, evitando ampliar a crise institucional.
Nos bastidores, ele teria recebido sinalizações de ministros do STF sobre uma possível revisão de penas, como no caso da cabeleireira Débora dos Santos, cuja condenação está sob análise após pedido de vista do ministro Luiz Fux.
A estratégia de Motta também envolve coordenação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para evitar decisões unilaterais que possam desgastá-lo perante o STF.
Enquanto isso, o PL, liderado por Sóstenes Cavalcante (RJ), intensifica a coleta de assinaturas para um requerimento de urgência, mas enfrenta resistência de líderes do Centrão, que temem um confronto com o Judiciário.
Analistas avaliam que o gesto de Motta reflete um esforço para equilibrar as demandas políticas sem ceder imediatamente à pressão bolsonarista.
A expectativa agora recai sobre o STF, cujo movimento pode determinar os próximos passos do presidente da Câmara nesse impasse.
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