Hospital de Campanha da Aeronáutica será transferido do RJ para RR, após Lula visitar Yanomamis (fotos)

Se alguém me contasse que em Roraima tinham pessoas sendo tratadas dessa forma desumana, como vi o povo Yanomami aqui, eu não acreditaria”, afirmou o Presidente Lula, que prometeu combater o garimpo ilegal – Saiba todas as ações do governo Lula sobre o tema

O Presidente Lula, a primeira-dama do Brasil, Rosângela da SIlva, a Janja, e ministros de Estado, estiveram com o Povo Yanomami no sábado (21/1) e, agora, estão adotando medidas de enfrentamento à grave crise de desassistência sanitária e nutricional | Imagem de Ricardo Stuckert

Se alguém me contasse que em Roraima tinham pessoas sendo tratadas dessa forma desumana, como vi o povo Yanomami aqui, eu não acreditaria”, afirmou o Presidente Lula, após visita aos indígenas da região, após ter afirmado, na sexta-feira (20/1), que viajaria para lá, depois de receber “informações sobre a absurda situação de desnutrição de crianças“.

Na sequência de sua mensagem, o chefe do Executivo disse ainda que se “abalou” com o que viu e acrescentou: “Vim aqui para dizer que vamos tratar nossos indígenas como seres humanos“.

Na mesma rede social, Twitter, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) questionou: “Alguém sabe onde estava a ministra dos Direitos Humanos e hoje Senadora, Damares Alves, enquanto se praticava Genocídio contra o Povo Yanomami?“. E avisou: “Omissão e Prevaricação são CRIMES e serão apurados“.

Dito isso, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou, também na plataforma, que “em relação aos sofrimentos criminosos impostos aos Yanomamis, há fortes indícios de crime de genocídio e outros crimes, que serão apurados pela Polícia Federal, conforme ofício” a ser enviado “na segunda-feira [23/1]”.

O que está acontecendo com o Povo Yanomami

De acordo com o perfil Governo do Brasil, “nos últimos 4 anos, estima-se que 570 crianças Yanomami morreram. Em 2022, foram 11.530 casos de malária no DSEI [Distrito Sanitário Especial Indígena] Yanomami.

DSEI Yanomami leva atendimento pontual ao Polo Base Palimiú, em Roraima | Portal do Ministério da Saúde (Publicado em 07/07/2021 00h00 Atualizado em 13/12/2022 17h35)

Por que isso está acontecendo? Nos últimos anos, a população Yanomami passou por desassistência e dificuldade de acesso aos atendimentos básicos de saúde, além da prática do garimpo ilegal na região.

O que o governo federal está fazendo? O presidente Lula e ministros de diversas áreas estiveram neste dia 21 em Roraima. Entre as ações estão:

  • Declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional
  • Criação do Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento à Desassistência Sanitária
  • Criação do Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE Yanomami)
  • Distribuição de 5 mil cestas básicas
  • Envio de 200 latas de suplemento alimentar para crianças

Lula visitou a CASAI Yanomami (Casa de Saúde Indígena Yanomami). Por determinação do Presidente, os ministros de diversas áreas estão adotando uma série de medidas de enfrentamento à grave crise de desassistência sanitária e nutricional dos povos que vivem no território Yanomami. Fizeram parte da comitiva as ministras Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Nísia Trindade (Saúde), entre outras autoridades e lideranças locais.

Vamos tratar os nossos indígenas como seres humanos. Nós vamos dar a eles a dignidade que eles merecem, na saúde, na educação, na alimentação e no direito de ir e vir. Essas pessoas vão ser tratadas decentemente“, afirmou o presidente Lula, que não escondeu sua indignação diante do cenário atual. 

Se alguém me contasse que aqui em Roraima tinha pessoas sendo tratadas da forma desumana, como eu vi o povo Yanomami sendo tratado aqui, eu não acreditaria. Tive acesso a umas fotos essa semana e as fotos efetivamente me abalaram, porque a gente não pode entender como é que um país que tem as condições que tem o Brasil deixar os nossos indígenas abandonados como eles estão aqui. É desumano o que eu vi aqui“, desabafou Lula.

Como uma das ações, ele prometeu agir com firmeza no combate aos garimpos ilegais. “Vamos levar muito a sério essa história de acabar com qualquer garimpo ilegal. E mesmo que seja uma terra que tem autorização da agência para fazer pesquisa, eles podem fazer pesquisa sem destruir a água, sem destruir a floresta e sem que colocar em risco a vida das pessoas que dependem da água para sobreviver”, declarou o presidente.

De acordo com o portal do Planalto, Lula também estava acompanhado dos ministros Flávio Dino, Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), Silvio Almeida (Direitos Humanos e Cidadania), Márcio Macedo (Secretaria-Geral da Presidência) e do general Gonçalves Dias (Gabinete de Segurança Institucional).

A ministra dos Povos Indígenas cobrou responsabilização pela situação que levou os Yanomami a uma crise humanitária tão grave. “Nós viemos aqui nessa comitiva para constatar essa situação e também tomar todas as medidas cabíveis para a gente resolver esse problema. Precisamos responsabilizar a gestão anterior por ter permitido que essa situação se agravasse ao ponto de chegar aqui e a gente encontrar adultos com peso de criança e crianças numa situação de pele e osso“, reforçou a ministra.

COMITÊ E EMERGÊNCIA — Na sexta-feira (20/1), o Presidente Lula editou um decreto que cria o Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento à Desassistência Sanitária das populações em território Yanomami. Além disso, a ministra Nísia Trindade, declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional diante da necessidade de ação urgente frente à crise enfrentada por esses povos indígenas. Os atos foram publicados no Diário Oficial da União.

No caso da saúde, nós definimos que essa situação é uma emergência sanitária de importância nacional semelhante a uma epidemia. É isso que precisa ficar claro. A Saúde está determinada a resolver as emergências. Mas a sociedade tem que estar consciente do que está acontecendo aqui“, frisou a ministra da pasta. 

Além da declaração de emergência, o Ministério da Saúde instalou o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE – Yanomami) como mecanismo nacional da gestão coordenada da resposta neste campo. A gestão do COE estará sob responsabilidade da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai/MS), considerando a tipologia da emergência.

Na próxima segunda-feira (23/1), um conjunto de ações serão iniciadas, voltadas para a assistência de saúde, em especial. Uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) chegará a Boa Vista, com 13 profissionais, que irão operar o Hospital de Campanha. Outra equipe multidisciplinar com oito profissionais da área de saúde da Aeronáutica será deslocada de Manaus para a região de Surucucu (a cerca de 270 km a oeste da capital roraimense). O Hospital de Campanha da Aeronáutica, hoje no Rio de Janeiro, começará a ser transferido para Boa Vista. A expectativa é que ele seja montado no dia 27 de janeiro. Outra medida é o início do transporte de retorno para as aldeias dos Yanomami sem problemas de saúde e que se encontram no CASAI de Boa Vista.

CESTAS BÁSICAS — As ações reunirão equipes da Força Nacional de Segurança (que já estão na região), além de profissionais da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar, que atuarão em conjunto para montar uma estratégia que garanta a segurança dos profissionais de saúde que atuarão nesta missão. A Aeronáutica iniciará, em caráter de urgência, o transporte de cesta básicas para a terra indígena Yanomami.

Serão entregues, imediatamente, as cestas básicas que já estão na Fundação Nacional do Índio (Funai), em Boa Vista. Outras mil estão sendo entregues, para a distribuição nos territórios. O ministro Wellington Dias registrou que as cinco mil cestas correspondem a 85 toneladas de alimentos. Elas vieram do Amapá, em aviões da FAB, e fazem parte de uma parceria entre a pasta de Dias, o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, a Funasa e as Forças Armadas. O trabalho de estocagem e distribuição das cestas já teve início.

É uma vergonha presenciarmos indígenas morrendo de fome no país que é o quarto maior produtor de alimentos do mundo! As equipes indígenas e as autoridades de Roraima disseram que ainda não se sabe, ao certo, quantas pessoas morreram neste genocídio, agravado por ser dentro de um território Yanomami, de proteção e responsabilidade federal, que permitiu garimpo ilegal, mercúrio contaminando as águas e presença do crime organizado“, afirmou Wellington Dias.

Serão enviados também 200 latas de suplementos alimentar para crianças de várias idades, que serão transferidas do Distrito Sanitário Especial Indígena Leste (DSEI Leste) para o DSEI Yanomami. A operação exigirá um esforço de logística. Uma vez que o aeroporto de Surucucu está em obras, o transporte de alimentos será feito em aeronaves de pequeno porte, exigindo cerca de 50 voos nesta etapa. As aeronaves levarão comida até a região e haverá distribuição com o apoio de helicópteros. Na volta, os aviões levarão para Boa Vista os Yanomami que necessitam de atendimento médico. O Pelotão Especial de Fronteira (PEF), sediado em Surucucu, alojará as equipes de saúde e todos profissionais enviados para a região.

Ainda no sábado, ocorreu a transferência de equipamentos, material médico e profissionais — uma ambulância, duas barracas de campanha, uma com ar condicionado, e médicos especialistas, atualmente disponíveis na Operação Acolhida, voltada aos refugiados venezuelanos, para o CASAIBoa Vista.

DRAMA — Atualmente, mais de 30,4 mil habitantes vivem no território indígena Yanomami e a situação na maior reserva indígena do país é dramática. Desde a última segunda-feira (16/1), equipes do Ministério da Saúde que estão na região se depararam com crianças e idosos em estado grave de saúde, com desnutrição acentuada, além de muitos casos de malária, infecção respiratória aguda (IRA) e outros agravos.

O ministro da Flávio Dino determinará abertura de inquérito policial para apurar o crime de genocídio e crimes ambientais no território indígena Yanomami. A partir de segunda-feira (23/1), a Polícia Federal ficará responsável por apurar as responsabilidades e punir os culpados. “Há fortes indícios de crime de genocídio, que será apurado pela PF”, destacou o ministro da Justiça e Segurança Pública. Dados de 2022, divulgados pelo Ministério dos Povos Indígenas, revelam que 99 crianças Yanomami morreram em função do avanço do garimpo ilegal na região — e as vítimas foram crianças entre um a 4 anos, acometidas de desnutrição, pneumonia e diarreia.

Na quarta-feira (25/1) está previsto o retorno da equipe de profissionais Ministério da Saúde e, a partir daí, espera-se que o grupo conclua em 15 dias um levantamento completo sobre a crítica situação de saúde dos indígenas Yanomami.

Comente

Comente

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.