Paciente à beira da morte em Chicago é salvo por sistema artificial em inovação cirúrgica que desafia limites da vida humana
Chicago, Illinois (US) · 31 de janeiro de 2026
Um homem de 33 anos desafiou a biologia humana ao permanecer vivo por 48 horas sem pulmões, graças a um sistema artificial inovador desenvolvido por especialistas em Chicago.
Essa proeza, realizada no Northwestern Memorial Hospital, destaca como intervenções audaciosas podem transformar casos terminais em histórias de resiliência, oferecendo esperança para pacientes com falência pulmonar grave.
O paciente, previamente saudável, foi acometido por uma influenza grave – especificamente Influenza B – complicada por uma infecção secundária por Pseudomonas aeruginosa, uma bactéria resistente a carbapenêmicos, conforme relatado na quinta-feira (29/jun) no portal Ars Technica.
Essa combinação levou a uma síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) necrotizante, onde os pulmões se inflamaram, encheram de fluido e pus, e literalmente “derreteram“, transformando tecido vital em uma massa líquida.
Ao chegar ao hospital, o paciente entrou em choque séptico refratário, sofreu falência renal e parada cardíaca, exigindo reanimação cardiopulmonar imediata.
Diante da iminência da morte, a equipe liderada pelo cirurgião torácico Ankit Bharat, chefe de cirurgia torácica no Northwestern University Feinberg School of Medicine, optou por uma abordagem radical: a pneumonectomia bilateral, removendo ambos os pulmões infectados.
“Quando a infecção é tão severa que os pulmões estão derretendo, eles estão irrecuperavelmente danificados. É quando os pacientes morrem“, explicou Bharat , segundo a Newsweek. O desafio era manter a oxigenação sanguínea e a circulação estável, já que coração e pulmões estão intrinsecamente conectados. “Sem pulmões, como você mantém o paciente vivo?“, questionou Bharat.
A solução veio na forma de um sistema total artificial de pulmão (TAL) adaptável ao fluxo, engenhado pela equipe.
Esse dispositivo extracorpóreo incorpora componentes como um cateter de duplo lúmen na veia jugular interna para drenar sangue desoxigenado do coração direito; um shunt adaptável ao fluxo conectando a artéria pulmonar direita ao átrio direito, regulando autonomamente o fluxo entre 1,1 e 6,3 litros por minuto para evitar picos de pressão; retornos duplos ao átrio esquerdo via enxertos de 10 mm para preservar a fisiologia de Starling e prevenir coágulos; e reconstrução do saco cardíaco com pericárdio bovino, além de expansores teciduais e esponjas para preencher a cavidade torácica vazia e estabilizar o coração.
O sistema resolveu o “problema do tórax vazio“, prevenindo distensão cardíaca, colapso, sangramento e coagulação por meio de hardware preciso.
Assistido pelo cirurgião Chitaru Kurihara, Bharat implementou o TAL imediatamente após a remoção dos pulmões. Os resultados foram imediatos: o choque séptico resolveu em horas, os níveis de lactato caíram de 8,2 mmol/L para abaixo de 1,0 mmol/L em 24 horas, e os medicamentos de suporte à pressão arterial foram descontinuados após 12 horas.
“Era quase como se uma maldição tivesse sido levantada, e de repente tudo começou a curar”, descreveu Bharat, conforme a Scientific American. Esse intervalo de 48 horas permitiu que o paciente fosse listado para transplante e recebesse pulmões doadores compatíveis, culminando em um transplante duplo de pulmão bem-sucedido.
Análises pós-remocionais dos pulmões, utilizando transcriptômica espacial, confirmaram danos irreversíveis: ausência de células-tronco, falha na regeneração com células basaloídes aberrantes e destruição arquitetural completa substituída por tecido cicatricial.
“Pela primeira vez, biologicamente, estamos fornecendo prova molecular de que alguns pacientes precisarão de transplante duplo de pulmão, caso contrário não sobreviverão”, afirmou Bharat conforme a Newsweek.
Dois anos após o procedimento, o paciente retomou uma vida independente normal com excelente função pulmonar, conforme relatado nas fontes.
A inovação não é proprietária: “Descrevemos todas as lições aprendidas nesse artigo, como chegamos a cada configuração, qual é a racionalidade por trás, e qualquer um pode replicar isso“, disse Bharat conforme a Scientific American.
Ele enfatizou que, mesmo salvando uma vida extra, o impacto seria significativo, abrindo portas para centros especializados tratarem SDRA grave de vírus respiratórios ou infecções.
Essa conquista no Northwestern Memorial Hospital pavimenta o caminho para protocolos que podem reduzir mortalidade em casos semelhantes, onde jovens pacientes perecem semanalmente por falta de reconhecimento do transplante como opção viável.

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