
Sae Joon Park 2025 e como soldado dos EUA – Imagens reprodução Spectrum News – A medalha Purble Heart.avif
Sae Joon Park foi forçado a se autodeportar para a Coreia do Sul devido a acusações antigas, levantando debate sobre políticas migratórias e o tratamento de veteranos
RESUMO <<Sae Joon Park, veterano do Exército dos EUA de 55 anos, condecorado com a Purple Heart, foi forçado a se autodeportar para a Coreia do Sul em 23 de junho de 2025, após 48 anos nos EUA, devido a acusações de drogas de 2009 ligadas ao seu TEPT. Após ter seu green card revogado pelo ICE, ele deixou sua família no Havaí, incluindo sua mãe com demência, para evitar detenção. Seu caso, que envolveu serviço militar no Panamá e condenações por posse de drogas e evasão de fiança, gerou indignação e reacendeu o debate sobre a deportação de veteranos não cidadãos, com pedidos por reformas nas políticas migratórias americanas>>
Brasília, 27 de junho de 2025
Sae Joon Park, um veterano do Exército dos EUA de 55 anos, agraciado com a Purple Heart (Coração Púrpura), uma condecoração militar concedida em nome do Presidente aos militares feridos ou mortos em serviço por sua coragem), deixou os Estados Unidos rumo à Coreia do Sul na segunda-feira (23/jun), após quase cinco décadas no país.
Sob pressão do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), Park, que morava em Honolulu, no Havaí, optou pela autodeportação para evitar detenção e remoção forçada devido a acusações relacionadas a drogas em 2009, ligadas ao seu transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
Sua história desencadeou uma onda de indignação e discussões sobre o tratamento de veteranos não cidadãos sob as atuais políticas migratórias.
Park, que imigrou legalmente da Coreia do Sul aos sete anos, cresceu em Los Angeles e se alistou no Exército americano aos 19. Ele serviu no conflito do Panamá em 1989, onde foi baleado duas vezes na coluna, recebendo uma Purple Heart e uma dispensa honrosa.
No entanto, sua volta à vida civil foi marcada pelo TEPT, que o levou a lutar contra o vício em crack. “Eu sofria severamente de TEPT,” confidenciou Park à rede NPR, descrevendo pesadelos e medo que o conduziram às drogas.
Em 2009, Park foi preso em Nova York por posse de drogas e, posteriormente, condenado por evasão de fiança, cumprindo dois anos e meio de prisão.
Após sua libertação, o ICE revogou seu green card (cartão verde), que é oficialmente o US Permanent Resident Card (Cartão de Residência Permanente dos Estados Unidos), um visto permanente de imigração que exige check-ins anuais para manter a residência.
Em junho de 2025, o ICE emitiu um ultimato: sair voluntariamente em três semanas ou enfrentar detenção. “Isso me destrói ter que abandonar tudo e partir assim”, declarou Park à TV Hawaii News Now, antes de sua partida.
A saída de Park do Havaí, onde vivia com seus dois filhos e cuidava de sua mãe de 85 anos com demência, foi devastadora. Ele perderá o funeral de sua mãe e o casamento de sua filha, momentos que evidenciam o impacto pessoal de seu exílio.
“O presidente Trump é horrível. Tentarei voltar quando ele deixar o cargo,” disse de acordo co, a Newsweek, expressando frustração com as políticas agressivas de deportação do governo.
O governo Trump intensificou as deportações, com o ICE mirando 3.000 prisões diárias, frequentemente focando em pessoas com antecedentes criminais.
Contudo, o caso de Park expõe um problema maior: veteranos não cidadãos, apesar de seu serviço, enfrentam deportação por infrações muitas vezes ligadas a questões de saúde mental não tratadas.
Um relatório de 2019 do Government Accountability Office revelou que 92 veteranos foram deportados entre 2013 e 2018, muitos dos quais eram residentes legais.
A história de Park gerou revolta, com defensores argumentando que veteranos que arriscaram suas vidas pelos EUA merecem tratamento digno.
Para Sae Joon Park, o momento mais difícil não foi o combate, mas ser forçado a deixar o único país que ele chama de lar, disse um congressista dos EUA. O caso, que viralizou nas mídias norte-americanas, levanta questões sobre o equilíbrio entre a aplicação das leis migratórias e a compaixão por aqueles que serviram.
Na Coreia do Sul, Park enfrenta o desafio de reconstruir sua vida em um país que mal conhece. Sua advogada, Danicole Ramos, disse à USA Today que suas condenações derivaram do TEPT, mas a decisão do ICE ignorou sua reabilitação e serviço militar.
Um porta-voz do ICE se recusou a comentar como o status de veterano de Park influenciou a decisão, citando seu “extenso histórico criminal”, que inclui acusações de posse de arma e agressão.
A deportação de um veterano condecorado como Park ressuscitou pedidos por reformas no tratamento de membros do serviço não cidadãos. Seu caso serve como um lembrete doloroso dos desafios enfrentados por veteranos após o serviço e das duras realidades de um sistema sob pressão.![]()







