Libertação imediata marca o início de cessar-fogo permanente, com troca por prisioneiros palestinos e recuo militar, sob mediação americana que redefine o futuro do Oriente Médio
Brasília, 13 de outubro 2025
O grupo Hamas iniciou nesta segunda-feira (13/out) a libertação dos 20 reféns israelenses ainda vivos mantidos em cativeiro na Faixa de Gaza, conforme o cronograma da primeira fase do acordo de paz mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um marco que ecoa promessas de reconciliação após 24 meses de devastação.
A operação, supervisionada pela Cruz Vermelha Internacional, transcorre sem cerimônias públicas – uma exigência israelense para evitar propaganda –, com os primeiros grupos sendo transportados diretamente para bases militares em Israel, onde famílias aguardam em expectativa palpável.
As imagens da base militar israelense, transmitidas ao vivo por veículos internacionais, capturam o drama humano: cadeiras alinhadas à esquerda da pista de pouso, bandeiras ao vento e rostos marcados pela esperança e pelo trauma.
“É um momento de reencontro que Israel esperava há eternidades”, descreveu um porta-voz do governo, enquanto multidões se concentram na Praça dos Reféns, em Tel Aviv, transformada em epicentro de vigília coletiva para as famílias afetadas.
A lista dos libertados, divulgada pelo Hamas e validada pelo governo israelense, inclui civis e militares sequestrados no ataque de 7 de outubro de 2023, que vitimou 1.200 pessoas e desencadeou a guerra mais letal da história recente da região.
O processo avança em etapas precisas: após o recuo parcial das tropas israelenses para uma “linha amarela” acordada – reduzindo o controle de Israel de 80% para 53% do território gazano –, o Hamas tem 72 horas para completar as entregas.
Em contrapartida, Israel liberará cerca de 250 prisioneiros palestinos condenados a perpétua e 1.700 detidos capturados durante o conflito, priorizando mulheres e crianças.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em pronunciamento emocionado, afirmou que o país está “preparado para todos os cenários”, incluindo a recepção dos corpos de 28 reféns mortos em cativeiro, cuja recuperação dos escombros pode demandar mais tempo.
“Todos os nossos reféns voltarão para casa, vivos ou em memória eterna”, declarou ele, ecoando o alívio nacional.
A mediação americana, com toques pessoais de Trump, injetou dinamismo inédito nas negociações.
Quebrando protocolos diplomáticos, o presidente convidou Netanyahu para compartilhar seu carro particular ao desembarcar no Aeroporto Ben Gurion, rumando juntos ao Parlamento israelense (Knesset), onde discursará em breve sobre os próximos passos.
“Quebrei o gelo porque a paz exige proximidade”, brincou Trump em entrevista à Fox News, prevendo a libertação para esta segunda-feira.
Seu plano de 21 pontos, revelado em setembro, impõe o desarmamento do Hamas, a desmilitarização de Gaza e a criação de um conselho internacional de transição – liderado por ele e incluindo o ex-premier britânico Tony Blair –, sem forçar deslocamentos populacionais, apesar de críticas iniciais.
O apoio logístico dos EUA é colossal: além dos 3,5 bilhões de dólares anuais em ajuda militar, Washington destinou mais de 20 bilhões extras nos últimos dois anos, financiando munições, bombas e caças que moldaram o equilíbrio de forças.
Agora, 200 militares americanos se unem a forças do Egito, Catar e Turquia para supervisionar a entrada maciça de ajuda humanitária – 600 caminhões diários com alimentos, remédios e equipamentos para reconstrução.
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“A guerra acaba aqui, mas a paz começa com reconstrução”, enfatizou Trump, alertando que violações resultarão em “inferno total” contra o Hamas.
No front palestino, o otimismo é cauteloso. O negociador-chefe do Hamas, Khalil al-Hayya, celebrou o fim das “agressões”, mas cobrou garantias para uma administração gazana liderada por palestinos, sem anexações israelenses.
Com mais de 67 mil mortes reportadas pelo Ministério da Saúde de Gaza – majoritariamente civis –, o acordo alivia uma crise humanitária que beirava o colapso, permitindo retornos a casas destruídas no norte do enclave.
No entanto, analistas alertam para fragilidades: o desarmamento do Hamas e a governança futura permanecem pontos de atrito, com petições legais em Israel já contestando a soltura de prisioneiros.
Globalmente, o pacto irradia otimismo. O premiê canadense Mark Carney parabenizou Trump pela “liderança essencial”, enquanto o papa Francisco elogiou o “gesto de humanidade”.
Para Israel, é o fechamento de um capítulo sangrento; para Gaza, uma brecha para renascimento.
Netanyahu resumiu, ao lado de Trump: “A paz duradoura exige coragem, e hoje mostramos que ela é possível.”







