Ministro da Fazenda analisa fidelidade inabalável do eleitorado bolsonarista e admite diálogos com Lula sobre cenários eleitorais para 2026, sem pressa para deixar o cargo
Brasília (DF) · 10 de fevereiro de 2026
No palco do CEO Conference Brasil 2026, organizado pelo BTG Pactual em São Paulo, nesta terça-feira (10/fev), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ofereceu uma análise penetrante sobre o fenômeno político que marca o bolsonarismo.
Ele descreveu a migração de intenções de voto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — atualmente preso — para seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como um processo quase automático, independente do nome escolhido para representar o campo da direita.
“É uma transferência praticamente automática em relação a quem ele escolher. Para o eleitor do Bolsonaro, aparentemente, tanto faz quem vai representar o Bolsonaro”, declarou Haddad, conforme também reportado pelo UOL.
O ministro equiparou Flávio a outros nomes fortes do espectro, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), destacando que a lealdade se concentra na figura de Bolsonaro, tornando a escolha do sucessor secundária para esse eleitorado.
Essa dinâmica, segundo Haddad, configura um fenômeno raro na política, sem paralelos claros na história recente do país, e demonstra a resiliência do bolsonarismo mesmo diante da ausência física de seu líder.
Ele observou que a consolidação da candidatura de Flávio rapidamente atraiu apoios equivalentes aos de outros potenciais nomes do campo.
Paralelamente, o ministro revelou manter conversas frequentes e tranquilas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tabuleiro eleitoral de 2026, abrangendo São Paulo e outros estados.
“Estamos com muita tranquilidade conversando sobre São Paulo e outros locais. Ele pede minha opinião sobre as coisas, eu dou, ele me ouve, e nós vamos caminhar”, afirmou Haddad, conforme noticiado pelo Estadão.
Ele reiterou estar confortável na Fazenda, sem data definida para saída, e resistindo a especulações sobre candidatura ao governo paulista, priorizando a estabilidade econômica.
A declaração reforça o cenário de sucessão no PT — projetada para 2030, independentemente do resultado de 2026 — e ilustra como Haddad navega entre sua função técnica e as demandas políticas do governo.
Essa visão de Haddad sobre a transferência quase automática sublinha a coesão ideológica do bolsonarismo, desafiando estratégias tradicionais de oposição e sinalizando desafios para o campo progressista no pleito vindouro.

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