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    RESUMO
    URBS MAGNA

    | São Paulo (SP)
    01 de setembro de 2026

    Fernando Haddad (PT) afirmou na segunda-feira (31/ago), no Roda Viva, da TV Cultura, que Tarcísio de Freitas (Republicanos) “perdeu o comando da atuação na segurança pública” em São Paulo.

    A frase deslocou o debate eleitoral para o controle do Estado sobre polícias, presídios e facções.

    A cobrança importa porque o petista transformou a segurança no eixo da campanha ao governo e porque o adversário construiu mandato e reputação exatamente nessa área.

    O que Haddad disse sobre o comando da segurança?

    Na sabatina apresentada por Ernesto Paglia, Haddad ligou a perda de comando a episódios recentes envolvendo agentes e unidades da própria estrutura policial. Segundo a fala no programa, houve “estupro de menor por policiais militares”, “roubo de carga por policiais” e “três delegacias alvo de busca e apreensão pedida pelo Ministério Público”, sem “nenhuma satisfação” da cúpula.

    O candidato usou crimes atribuídos a PMs, como roubo de carga e estupro, para sustentar que o Palácio dos Bandeirantes perdeu o controle da área.

    Dias antes, a CNN Brasil noticiou a prisão de PMs suspeitos de roubo e estupro de uma adolescente de 17 anos na zona leste da capital. Um dos policiais admitiu relação sexual, mas negou violência e participação no roubo. A matéria não substitui o processo judicial; apenas documenta o caso citado no debate político.

    Qual diagnóstico Haddad fez do PCC?

    O candidato partiu de um quadro institucional: São Paulo tem, segundo ele, 180 estabelecimentos prisionais e 230 mil detentos, inclusive integrantes do PCC. Afirmou que, em 33 anos de existência da facção, governos de centro e, nos últimos quatro anos, de direita não reverteram o avanço do grupo.

    Para Haddad, o PCC já opera no mercado financeiro, na administração pública e em cadeias de receptação que sustentam crimes cotidianos — roubo de celular, moto e veículo — inclusive com revenda e exportação. Também falou em lavagem de dinheiro com alcance sobre a Faria Lima.

    Ele acusou o governador de pensar “com uma cabeça pequena”, como se o crime se esgotasse no território paulista, sem captar as interconexões nacionais e internacionais da facção. “Por isso que os Estados Unidos já estão falando de PCC, porque tem repercussão internacional”, disse, em um dos trechos.

    O que é o gabinete antifacção proposto por Haddad?

    A proposta central é um gabinete antifacção na mesa do governador, presidido pelo próprio chefe do Executivo estadual, com assento das polícias Civil, Militar e Penal, da Polícia Federal, da Receita Federal e dos Ministérios Públicos estadual e federal.

    Haddad ancorou o desenho na Operação Carbono Oculto, ação que capitaneou na Receita Federal quando o órgão estava ligado ao Ministério da Fazenda. Chamou a operação de exemplo de cooperação e afirmou que especialistas a consideram a maior ação de combate ao crime organizado da história recente do país. A cooperação, disse, hoje é exceção, não regra.

    O modelo reaparece no plano de campanha já descrito pelo g1 : asfixia financeira das facções, integração de órgãos e comando político direto do governador.

    Ele também defendeu a PEC da Segurança Pública enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Sistema Único de Segurança Pública. Segundo o petista, o desenho constitucional atual fragmenta responsabilidades e alimenta disputa de protagonismo entre União e estados.

    Por que Haddad criticou tecnologia e valorização das polícias?

    Haddad afirmou que promessas de Tarcísio à Polícia Civil e à Polícia Militar “simplesmente não foram cumpridas”. Disse que a força de trabalho está desmotivada e que a tecnologia está defasada, sem inteligência artificial consolidada. Citou um projeto paulista de assimilação tecnológica que, em sua avaliação, não chegou a contrato efetivo, enquanto outros estados já operam ferramentas mais avançadas.

    No programa, o candidato apresentou números de elucidação que considera evidência de crise: só 5% dos crimes cometidos em São Paulo seriam esclarecidos; e o dado de 2003 do Sou da Paz, o último que citou sobre homicídios, apontaria 31% de esclarecimento — “de cada três homicídios, só um foi esclarecido”.

    Haddad também descreveu custos econômicos da insegurança: agricultor com quatro tratores roubados no mesmo dia; roubo de máquinas no interior; roubo de carga de medicamentos de alto custo. A insegurança, disse, entra no preço e, em alguns casos, nem encontra seguro.

    Classificar PCC e CV como terroristas é “questão menor”?

    Questionado sobre a decisão dos Estados Unidos de tratar PCC e Comando Vermelho como entidades terroristas, Haddad respondeu que o nome — máfia, organização terrorista ou facção — é “questão menor”. O que importa, afirmou, é o método de combate.

    Sob pressão da bancada, ele separou categorias: terrorismo, para ele, pressupõe ideologia; facção busca dinheiro e infiltração em negócios lícitos para lavar recursos. Chamou o rótulo de “outra categoria que eles inventaram nos Estados Unidos com o suporte aqui da extrema direita para criar confusão na cabeça da opinião pública”. E concluiu: “é crime organizado precisa ser combatido. Ponto.”

    IMPORTANTE

    A fala de Haddad não cria, por si só, autorização para ação armada estrangeira no Brasil. Classificação feita por outro país não altera automaticamente a legislação brasileira, que hoje trata PCC e CV como organizações criminosas. O candidato também não defendeu intervenção militar externa; associou o combate à cooperação policial, fiscal e diplomática.

    Como Haddad ligou segurança, soberania e o governo Tarcísio?

    A jornalista da bancada associou o rótulo de terrorismo a uma ofensiva norte-americana no hemisfério. Haddad deslocou a resposta para o tipo de governo. Contrapôs o que chamou de postura “entreguista” à capacidade diplomática de Lula de falar com Donald Trump, China, Rússia e França.

    Haddad ironizou a ideia de “entregar alguma coisa para o Trump sossegar”“o Pix, as terras raras?” — e afirmou que Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro “negociaram o tarifaço contra São Paulo”. Acusou Tarcísio de não ter “uma palavra” contra essa ofensiva e de tratar o tema como se não fosse assunto do estado mais afetado.

    O que Haddad disse sobre infiltração na polícia e “falsa simetria”?

    A bancada cobrou o que faria diante de infiltração do crime organizado na máquina pública, citando comandante da Polícia Militar sob suspeita e vereador do PT também investigado.

    Haddad recusou o que chamou de “falsa simetria”. Distinguiu o comandante-geral da PM — um cargo de confiança, escolhido pelo governador, sem mandato — de um universo amplo de vereadores. Sobre o afastamento do comandante, criticou o anúncio de que o oficial saía por “relevantes serviços prestados”.

    Sobre qualquer vereador investigado, a fórmula foi direta: “investiga, pune e prende, não tem conversa.” Afirmou que seu grupo “nunca mexeu um dedo para favorecer quem quer que seja”.

    O caso do coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral afastado em abril de 2026 e citado em investigação do Ministério Público, já havia sido usado por Haddad em julho, conforme o g1 . No Roda Viva, o petista retomou a lógica: cargo de cúpula exige transparência, não verniz institucional.

    Na mesma chave, defendeu mecanismos internos de controle. Lembrou que, como prefeito, criou carreira própria na Controladoria Geral do Município e, em três meses, desbaratou a “máfia do ISS”. Avaliou que a Controladoria Geral do Estado hoje não tem carreira própria e que corregedorias sem autonomia protegem a corporação só na aparência.

    Qual o efeito político da entrevista?

    A análise aponta que Haddad tentou inverter o mapa tradicional da eleição paulista: segurança deixou de ser trincheira exclusiva da direita e passou a ser cobrada como falha de comando, integração e controle interno.

    O risco da estratégia é duplo. Primeiro, o eleitor pode ouvir a denúncia e ainda creditar a Tarcísio maior disposição punitiva. Segundo, a recusa em tratar o rótulo de terrorista como prioridade abre flanco em um debate internacional já ocupado por Trump e pela oposição interna. A posição destoa da leitura do governo Lula sobre interferência externa.

    O que permanece aberto é se o gabinete antifacção sai do estúdio e vira pacto federativo real — com PF, Receita, Coaf e Ministérios Públicos sentados à mesma mesa — ou se a campanha reitera o impasse que o próprio candidato datou em 33 anos.

    FAQ rápido

    Haddad disse mesmo que Tarcísio perdeu o comando da segurança?
    Sim. A frase foi dita no Roda Viva de segunda-feira (31/ago) e reproduzida por outros veículos da imprensa.

    O que o petista propõe no lugar?
    Um gabinete antifacção presidido pelo governador, com polícias estaduais, PF, Receita Federal e Ministérios Públicos, além de apoio à PEC da Segurança.

    Ele defendeu chamar PCC e CV de terroristas?
    Não. Chamou a classificação de “questão menor” e afirmou que o problema central é crime organizado e impunidade.

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