Ministro da Fazenda detalha bastidores de reunião privada com o Presidente e revela os motivos de sua resistência ao Palácio dos Bandeirantes
O ministro Fernando Haddad confirmou ao UOL News ter iniciado diálogos com o presidente Lula sobre uma possível candidatura ao Governo de São Paulo em 2026. Apesar da resistência pessoal e do desejo de focar na Fazenda, Haddad classificou a pressão como uma “conversa de amigos” e afirmou que as partes buscam um consenso para o tabuleiro eleitoral paulista.
Brasília (DF) · 19 de janeiro de 2026
Nesta segunda-feira (19/jan), o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou publicamente os rumores de uma pressão direta do Presidente Lula para que ele assuma o protagonismo na disputa pelo Governo de São Paulo em 2026.
Durante entrevista ao UOL News, o jornalista Júlio Wiziack, questionou o ministro sobre o tema e ele tentou equilibrar a lealdade pessoal com o pragmatismo político que o cargo atual exige.
A celeuma teve início após assessores diretos do Palácio do Planalto filtrarem que o Presidente Lula teria feito uma espécie de “intimação” a Haddad na última semana.
Questionado se o pedido de fato ocorreu e por que demonstra tanta relutância em retornar à arena eleitoral paulista — onde muitos aliados preferiam vê-lo disputando uma vaga no Senado Federal —, o ministro optou por uma retórica de cautela e afeição.
Uma Conversa que Transborda a Política
Haddad não negou o encontro, mas buscou suavizar o tom da cobrança presidencial. “Na verdade, eu disse em todas as ocasiões que não pretendia me candidatar em 2026, isso vale para qualquer cargo”, pontuou o ministro, reforçando seu desejo inicial de cumprir sua missão na Esplanada dos Ministérios sem interrupções eleitorais.
Contudo, a relação simbiótica entre as duas maiores lideranças do PT parece ser o fiel da balança. “Eu comecei uma conversa com o Presidente Lula… Você sabe que eu tenho uma relação pessoal com o Presidente Lula que transborda a questão política. Eu falo em nome até da minha família, o Presidente Lula é uma pessoa do nosso convívio há muito tempo, é querido por todos nós”, revelou Haddad, humanizando um embate que, até então, era tratado apenas como estratégia de poder.
O Percurso e o Consenso Futuro
A resistência de Haddad em retornar à disputa estadual, após ter governado a Prefeitura de São Paulo, não é apenas uma negativa retórica, mas parte de uma “retrospectiva” de seu percurso público. Ele confirmou que a conversa com o mandatário da nação ainda está em estágio embrionário e longe de um desfecho definitivo.
“Estamos aprofundando o tema com ele… É uma conversa de amigos e companheiros que pode se estender um pouco mais. Nós não concluímos nada nessa primeira conversa. Ele está colocando os pontos dele, eu estou colocando os meus, muito respeitosamente de parte a parte, e nós vamos chegar em algum consenso logo mais”, finalizou o ministro.
O movimento de Lula reflete a preocupação do Governo Federal em ter um palanque forte no maior colégio eleitoral do país, contrapondo-se ao avanço da direita no estado. Enquanto Haddad prefere a estabilidade técnica da Fazenda ou a segurança de uma candidatura ao Senado, o presidente parece convencido de que apenas o seu “braço direito” tem a envergadura necessária para o embate direto pelos Bandeirantes.
Fontes ligadas ao Diretório Nacional do PT indicam que novas reuniões entre a cúpula do partido e interlocutores de Haddad devem ocorrer nos próximos dias para avaliar pesquisas internas de rejeição e aceitação em solo paulista.

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