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Extrema-direita gera instabilidade emocional nas pessoas e ofusca recordes da macroeconomia, diz Haddad

    Apesar do “bolso cheio”, ministro explica porque o abismo da percepção pública não garante a popularidade de Lula

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    Fernando Haddad
    Fernando Haddad / Lula Marques/Agência Brasil
    RESUMO

    Em entrevista ao UOL News, o ministro Fernando Haddad analisou o descompasso entre os bons índices macroeconômicos e a aprovação do governo. Haddad atribui o fenômeno à perda de centralidade da economia nas preocupações populares e ao radicalismo emocional da extrema-direita, que mantém o eleitorado instável e suscetível a notícias factuais de impacto.


    Brasília (DF) · 19 de janeiro de 2026

    O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, debruçou-se sobre um paradoxo que intriga a cúpula do Governo Federal: a desconexão entre os indicadores econômicos pujantes e a oscilante aprovação popular.

    Interpelado pela jornalista Daniela Lima, no UOL NEWS, nesta segunda-feira (19/jan), sobre o porquê de feitos como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e o menor desemprego da série histórica não estarem “comovendo” o eleitorado, o ministro ofereceu uma leitura sociopolítica que transcende as planilhas, em uma análise perspicaz.

    Haddad argumentou que a economia, outrora o fiel da balança em qualquer pleito, cedeu espaço a preocupações de ordem subjetiva e securitária. Citando dados do Datafolha, ele destacou que apenas 11% dos brasileiros hoje elencam a economia como o principal dilema nacional.

    “A economia no ranking das preocupações do brasileiro ela foi perdendo lugar para outros temas”, afirmou o ministro, sugerindo que o sucesso na gestão da Esplanada dos Ministérios pode ter retirado o tema da urgência imediata do cidadão.

    O “Ponteiro” da Emoção e o Fenômeno da Extrema-Direita

    Para o titular da pasta econômica, o Brasil — e o mundo — atravessa uma era de “instabilidade emocional” provocada pelo fortalecimento de movimentos de extrema-direita.

    Segundo Fernando Haddad, eventos isolados e extremos têm o poder de alterar o humor coletivo de forma mais célere que a queda sistemática da inflação. Ele relembrou episódios de segurança pública como catalisadores dessa mudança abrupta, onde o “calor da notícia do dia” eclipsa avanços estruturais.

    O ministro foi incisivo ao descrever o atual cenário de polarização: “Nós estamos vivendo uma fase de extrema-direita no mundo, ela gera esse tipo de instabilidade emocional as pessoas ficam mais suscetíveis à notícia do dia”.

    Essa volatilidade, segundo ele, sustenta a viabilidade de candidaturas outrora consideradas improváveis, alimentando a percepção de que, no vácuo da racionalidade econômica, qualquer um estaria “habilitado a ser imperador do Brasil”.

    Desafios e o Futuro da Esplanada

    Apesar do cenário de incerteza política, os fundamentos defendidos por Haddad no Congresso Nacional seguem sólidos. O ministro ressaltou que a aprovação unânime de pautas econômicas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal — instituições frequentemente refratárias ao Palácio do Planalto — demonstra uma competência técnica que, ironicamente, encontra barreiras para se converter em afeto popular.

    A grande incógnita para 2026 permanece: se a economia não for o fator decisivo para a reeleição, o governo conseguirá pautar temas como segurança pública e combate à corrupção com a mesma eficácia? Por ora, a Fazenda entrega números, mas a política ainda busca a alma do eleitor.

    Relatórios preliminares do Banco Central indicam que a projeção do PIB para o primeiro trimestre pode superar as expectativas do mercado, reforçando a narrativa de robustez econômica mencionada pelo ministro.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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