Ministro da Fazenda ainda aconselhou que os profissionais da mídia defendam “interesses gerais, de toda a sociedade” – Haddad argumentava sobre a crítica errada, feita pela imprensa, sobre os números da desoneração da folha e números do Perse – ASSISTA
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“É importante que a própria imprensa faça uma reavaliação do comportamento que ela teve no ano passado, quando a Fazenda, com razão, anunciou os números da desoneração da folha e os números do Perse [Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos]“, detonou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em fala direcionada a jornalistas que o assediavam na entrada do Ministério da Fazenda, na quarta-feira (13/11).
“Nós fomos muito criticados, porque supostamente estávamos exagerando nos números e hoje o que se comprova é de que nós estávamos certos e vocês da imprensa, estavam equivocados”, disse Haddad, que quase foi interrompido por uma jornalista insistente, em sua conclusão a seguir:
“É importante vocês fazerem essa reflexão porque o esforço fiscal tem que ser de todos, inclusive de vocês. Vocês têm que parar de defender interesses particulares e passar a defender interesses gerais de toda a sociedade”, lacrou o ministro petista.
Assista a seguir e leia mais depois:
Haddad foi pra cima e cobrou uma reflexão. Mandou bem demais. 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾 pic.twitter.com/9bHYZCcN9J
— denise assis (@deniseassis3) November 16, 2024
Na ocasião da fala de Fernando Haddad, o ministro retornava de reuniões com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e com os comandantes das Forças Armadas, para tratar sobre o novo pacote fiscal para conter despesas obrigatórias.
A irritação de Haddad foi com a postura da imprensa na cobertura sobre a tentativa do governo de pôr fim à desoneração fiscal de 17 setores da economia, incluindo as próprias empresas de comunicação.

Haddad fez referência a uma Medida Provisória (MP) editada no ano passado, com o objetivo de reverter, de forma gradual, o desconto integral de tributos previdenciários concedido a empresas. O texto acabou sofrendo revés no Congresso Nacional e, para conseguir estabelecer a cobrança, o governo teve que recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Somente após uma decisão favorável da Corte, seguida da promoção de um acordo entre governo e Congresso, é que o fim da desoneração foi confirmado para entrar em vigor a partir do ano que vem.
“E hoje nós demos a público pela primeira vez na história os incentivos fiscais dados a cada empresa individualmente e aos setores, de uma forma agregada”, disse também o ministro, conforme transcreveu o portal Agência Brasil.
“Então, vocês vão ver que aquela medida do ano passado, que foi muito questionada, sobre desoneração da folha e sobre a questão do Perse, como a Receita Federal tinha razão”, finalizou Haddad.
O ministro fez menção a apresentação de um documento que a Receita Federal divulgou, mais cedo, com dados que revelam que 54,9 mil contribuintes que utilizam créditos tributários decorrentes de benefícios fiscais declararam ter o valor de R$ 97,7 bilhões, entre janeiro e agosto deste ano.
PACOTE FISCAL
O pacote para conter despesas obrigatórias, que ainda não foi detalhado, será composto por uma PEC (proposta de emenda à Constituição) e um PLP (projeto de lei complementar), que precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional. Ainda não há data oficial para a apresentação das propostas, que depende do aval do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Não sei se há tempo hábil. Assim que ele der a autorização, nós estamos prontos para dar publicidade aos detalhes do que já está sendo dito aqui“, disse Haddad.
O ministro disse que o conceito do pacote fiscal é de uniformizar todas as despesas da União às regras do arcabouço fiscal, aprovadas no ano passado. Sobre o encontro com Lira, o ministro afirmou que o presidente da Câmara conhece a dinâmica das despesas públicas, foi o principal fiador do arcabouço no Parlamento e apoiará a tramitação das novas medidas de contenção do orçamento público.
Já sobre a reunião com o Ministério da Defesa e comandantes das Forças Armadas, a ideia da Fazenda, segundo o ministro, é incluir despesas dessas áreas no novo pacote.
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