O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), durante gravação de vídeo para suas redes sociais explicando que o Presidente Lula teve que suspender milhões de multas do sistema Free Flow em pedágios porque faltou ao governador do Estado, Tarcísio de Freitas, responsabilidade para a aplicação do novo sistema de cobrança |3.5.2026| Imagem reprodução @Haddad_Fernando/X
Brasília (DF), 03 de maio de 2026
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes, Fernando Haddad (PT) , utilizou suas redes sociais para fazer uma dura crítica à gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em relação à implantação do sistema de pedágio Free Flow no estado de São Paulo.
A ofensiva ocorre após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar, na terça-feira (28/abr), a suspensão de 3,4 milhões de multas aplicadas pelo modelo eletrônico, que chegam a somar mais de R$ 650 milhões.
Para Haddad, a tecnologia, que deveria servir para modernizar e reduzir filas, foi implementada de forma confusa e predatória pelo atual governador.
“O problema é que o sistema foi implantado de uma maneira confusa. Muita gente teve dificuldade para saber onde pagar”, afirmou o ex-ministro em um vídeo publicado nas redes.
Ele complementou: “Da forma como foi implantada no nosso estado, dá a impressão de que o Tarcísio se preocupou mais em atender aos interesses das concessionárias ao invés de facilitar a vida dos paulistas”.
A crítica de Haddad encontra eco no caos relatado por motoristas. Sem cancelas, o Free Flow exige que o condutor acesse sites ou aplicativos para pagar a tarifa — algo que, na prática, gerou um intenso deserto de informação.
“Quem passa no pedágio não sabe que tem que pagar, né? Até agora eu não sei nem como que é o sistema, os valores”, relata um homem no vídeo compartilhado pelo ex-ministro.
Uma reportagem do Estadão já apontava que a insatisfação com os pedágios era uma das queixas identificadas em pesquisas qualitativas e que a campanha do petista mirava justamente esse flanco para desgastar a gestão Tarcísio.
A reação do governo federal vai além da simples anistia. Enquanto o governo estadual segue uma lógica de atender ao mercado e às concessionárias — incluindo acordos que adiaram a cobrança de novas rodovias para 2027, como mostrou o UOL —, a União agiu para defender o consumidor.
A suspensão das multas pela União não é um “prêmio aos infratores“, como tachou um editorial de O Globo, mas sim uma correção regulatória necessária para um sistema lançado sem a devida campanha de esclarecimento.
Em seu pronunciamento, Haddad foi incisivo sobre o papel do governo Lula na reparação do dano: “Por tudo isso, o governo do presidente Lula agiu corretamente ao suspender as multas e corrigir essas distorções. Quem foi multado vai pagar só o valor do pedágio. Quem já pagou a multa vai poder pedir reembolso e recuperar os pontos na carteira”.
De fato, como detalhou o g1, a devolução não será automática, exigindo recurso dos motoristas, mas abre um precedente importante para a transparência na relação entre o poder público e as empresas de infraestrutura.
O ex-ministro ainda lembrou que São Paulo é disparado o estado com mais pedágios do Brasil, e que o governador ampliou ainda mais o número de cobranças.
“Inovação só é boa quando tem informação, responsabilidade e transparência”, lacrou Haddad, transformando o episódio em um emblemático contraste de modelos de gestão: de um lado, a suposta prioridade às concessionárias; de outro, a defesa do bolso e do direito à informação do cidadão.
A Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) ainda não se manifestou oficialmente sobre as declarações de Haddad.
O governo do estado apenas reiterou que o site unificado Siga Fácil está disponível para pagamentos e que o adiamento de novas cobranças visa “melhorar a experiência do condutor“.
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