O ministro lembrou reportagem revelando que “o tal mercado erra 95% de suas suas projeções” e disse que “o que está sendo vendido tem um componente ideológico que não ajuda” – SAIBA MAIS
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“Os economistas vêm dizendo que, para resolver de fato” questões como “a inflação brasileira dos alimentos, é preciso olhar o lado fiscal das contas públicas, especialmente pro lado das despesas, argumentou a jornalista Beatriz Bulla, do programa É Notícia, da Rede TV, que entrevistou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), nesta quinta-feira (30/jan).
Bulla lembrou que Haddad “já falou que a Fazenda se preocupa também com o gasto público e que isso está sempre no horizonte do trabalho do Ministério da Fazenda“. A jornalista, com base em suas argumentações, pediu ao ministro para explicar “o diagnóstico” do “quão grave é ou não é esse quadro fiscal brasileiro“.
Haddad disse que entende “a posição dessas pessoas“, mas não consegue “compreender o argumento de que o governo não está fazendo a sua parte“. Ele explicou que “tivemos o governo Temer e o governo Bolsonaro com déficits fiscais muito superiores ao que está sendo observado agora“. Segundo o petista, “havia muita retórica de cuidado com as contas públicas, mas nem o [ex-ministro da Fazenda do governo Temer, Henrique] Meirelles nem o [ex-ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo] Guedes conseguiram produzir um superávit sustentável das contas públicas“.
“E não estou nem colocando culpa em quem quer que seja, porque às vezes a pessoa se vende como primeiro-ministro, mas, na hora de você falar lá no Congresso, discutir com os parlamentares, o déficit dos sete anos de governo Temer e Bolsonaro são déficits que somaram 2% do PIB. No ano passado, nós tivemos um déficit de 0,1%“, disse.
Fernando Haddad disse que estão passando “uma ideia falsa de que estava se cuidando das contas públicas antes e não está se cuidando agora, quando os números revelam uma coisa completamente diferente do que está sendo veiculado“. E que “não se estava cuidando na prática das contas antes e está se cuidando agora“. Para o ministro, é necessário “ter algum compromisso com a honestidade intelectual“.
O ministro citou a reportagem dos jornais revelando que “o tal mercado erra 95% de suas suas projeções“. E acrescentou que não está “querendo fulanizar“, mas que “gostaria que as pessoas compreendessem que é preciso ter uma honestidade intelectual em relação aos fatos“.
Um exemplo dado por Haddad foi que, “na gestão do Meirelles, nós tiramos uma derrota no Supremo Tribunal Federal na chamada Tese do Século [discussão na qual as empresas ganharam o direito de retirar o ICMS, principal imposto estadual, da base de cálculo das contribuições federais PIS/Cofins]”. O ministro acrescenta que “nenhum economista do chamado mercado fala sobre isso” e que “parece que a questão não existe“.
“Nós até hoje estamos pagando uma conta de um trilhão de reais de prejuízo fiscal por uma decisão do Supremo Tribunal Federal por 6 x 5“, disse Haddad. “Ou seja, se o governo tivesse sido ali dirigente em explicar pros ministros do Supremo, as consequências daquela decisão, nós teríamos uma dívida pública hoje, 10% do PIB menor, e eu não vejo esses que são chamados a falar a todo momento“. E acrescentou que não vê “nenhum deles tocar no assunto e muitos são meus colegas de mestrado, de universidade, e ninguém provoca essa discussão em relação a isso“.
A derrota da União no assunto já custou mais de R$ 300 bilhões e a expectativa é que o número continue a crescer nos próximos anos, conforme as empresas exercerem o direito de compensar os valores pagos a mais à Receita Federal.
“O Bolsonaro produziu o maior déficit da história do País“, disse Haddad, lembrando que “uma parte é pandemia, mas tem outra parte que não tem nada a ver com pandemia”. O ministro afirmou que “isso, mesmo dando calote no Precatório, mesmo vendendo estatal na Bacia das Almas, como foi o caso da dilapidação da Petrobras e da venda criminosa da Eletrobras da maneira como foi feita. E ninguém também toca nesse assunto“.
O petista disse também que “nunca negou que o problema existe, muito pelo contrário. Então nós precisamos ter alguma calma em falar concretamente o que está acontecendo e não vim com a história de que o governo do Presidente Lula não está tomando as providências“. Haddad prosseguiu afirmando que o Governo Lula aprovou, há um mês, “um conjunto grande de medidas de economia na parte da despesa e também medidas de combate ao gasto tributário“.
Gasto tributário “são aqueles benefícios fiscais que são dados a empresários escolhidos a dedo, os tais amigos do rei, que conseguem benesses em leis pra não pagar o imposto que você paga, que eu pago, que o trabalhador paga, mas que o empresário bilionário não paga“, explicou o ministro.
“Então nós corrigimos isso, combatemos o gasto tributário, estamos contendo o chamado gasto primário e, se a inflação, em função dos fatores que eu já salientei, escapou do teto, vamos tomar providências pra trazê-la pra um patamar considerado adequado, suportável pelo Conselho Monetário Nacional.” O ministro da Fazenda concluiu dizendo que aquilo “que está sendo vendido tem um componente ideológico que não ajuda“.
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