Investigado se destaca por parentesco com o maior tenista da história do Brasil; caso de maus-tratos segue abalando a opinião pública e gerando debates sobre proteção animal
Brasília (DF) · 12 de fevereiro de 2026
Em meio à comoção gerada pela trágica morte do cão comunitário Orelha, agredido brutalmente na Praia Brava, em Florianópolis, Santa Catarina, surge uma conexão inesperada com o mundo do esporte.
O renomado tenista Gustavo Kuerten, conhecido como Guga, possui uma cobertura no condomínio Águas da Brava, o mesmo edifício onde adolescentes suspeitos dos atos de crueldade estavam hospedados durante as festas de fim de ano e as férias de janeiro.
Mais surpreendente, um sobrinho menor de idade do ex-atleta estaria na região na época dos incidentes e será ouvido pela polícia nesta semana, conforme apurou o Portal LeoDias, em colaboração exclusiva com a jornalista Patrícia Calderon.
O episódio, que eclodiu em 4 de janeiro, envolveu quatro adolescentes de 14 a 17 anos investigados por vandalismo, brigas, consumo de bebidas alcoólicas e entorpecentes, tentativa de afogamento do cão Caramelo e a agressão fatal a Orelha, que faleceu no dia seguinte após ser resgatado por moradores locais.
O animal, cuidado espontaneamente pela comunidade há dez anos, sofreu um golpe contundente na cabeça, possivelmente causado por um chute ou objeto rígido, conforme laudo indireto baseado em atendimento veterinário.
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito apontando um dos jovens como principal responsável, solicitando sua internação provisória.
A investigação revelou tentativas de obstrução: três adultos – pais e um tio dos adolescentes – foram indiciados por coação no curso do processo.
Eles teriam intimidado testemunhas, incluindo um porteiro que gravou vídeos de vandalismo e maus-tratos via câmeras de monitoramento.
Imagens circuladas em grupos de WhatsApp mostram os jovens agredindo os animais, e uma barra de ferro encontrada próxima ao local do crime está sendo analisada para impressões digitais e fluidos biológicos.
A síndica do condomínio teria tentado abafar o caso, mas a administradora não se manifestou.
A assessoria de Guga confirmou a propriedade do imóvel e as férias no local, mas evitou comentários sobre os vizinhos menores devido ao recesso, declarando: “Não comentaremos o caso”.
Gustavo Kuerten, o Guga, brilhou no auge do tênis mundial no final da década de 1990 e início dos anos 2000, especificamente entre 1997 e 2001. Os pontos altos de sua carreira foram o tricampeonato de Roland Garros, onde conquistou o prestigiado Grand Slam no saibro francês em 1997, 2000 e 2001.
Guga foi o Número 1 do Mundo, atingindo o topo do ranking da ATP pela primeira vez em dezembro de 2000, após vencer a Masters Cup (atual ATP Finals) em Lisboa. Seu auge técnico e físico foi no período de 2000 e 2001, quando ele foi considerado o melhor da sua carreira, onde demonstrou alto nível não apenas no saibro, mas também em quadras duras.
Em 1997, foi revelação em todo o mundo ao vencer seu primeiro Roland Garros como número 66 do ranking; em 2000, ano de consolidação, conquistou o bicampeonato em Paris e a conquista do número 1 do mundo; em 2001, veio o “ano do coração” e seu terceiro título em Roland Garros, quando se consolidou como uma lenda, antes de começar a sofrer com graves lesões no quadril.
Guga é amplamente considerado o maior tenista da história do Brasil, somando 20 títulos de simples e 8 de duplas ao longo de quase 20 anos de carreira.
O caso do cão Orelha teve impacto nacional imediato, com protestos em diversas cidades pedindo justiça e redução da maioridade penal.
A Câmara dos Deputados recebeu 25 projetos de lei inspirados no incidente, incluindo a “Lei Orelha”, proposta pela deputada Maria do Rosário (PT-RS), que reconhece cães e gatos como seres sencientes.
O termo se refere a cães, gatos, peixes e invertebrados (como polvos), pois eles sao capazes de ter experiências conscientes, sentindo emoções, dor, prazer, medo e alegria.
A senciência envolve a percepção do ambiente e de estados internos, diferenciando-se de reflexos simples. Os animais são reconhecidos por essa capacidade e, após o caso Orelha, foram impulsionados debates éticos e jurídicos sobre seu bem-estar.
No âmbito estadual, o deputado Mário Motta (PSD-SC) apresentou iniciativa similar para endurecer penas por maus-tratos em Santa Catarina.
O senador Humberto Costa (PT-PE) busca urgência na votação de lei que aumenta sanções na Lei de Crimes Ambientais.
Parlamentares como Fabiano Contarato e Erika Hilton manifestaram-se, destacando a necessidade de reformas legais.
De acordo com a BBC, redes fechadas na internet promovem abuso e tortura de animais entre jovens, embora a polícia tenha descartado essa ligação no caso de Orelha após depoimentos.
O uso de tecnologia para rastrear celulares e câmeras comprovaram a presença dos suspeitos no local.
Dois adolescentes retornaram dos Estados Unidos em 29 de janeiro para depoimentos, com aparelhos recolhidos.
A repercussão expôs fake news, como a alegação de uma mulher sobre um vídeo inexistente de agressões, admitida à polícia.
A defesa de um dos jovens apresentou imagens de Orelha caminhando após o suposto horário do ataque, mas a delegada Mardjoli Adorian Valcareggi rebateu, afirmando que “em nenhum momento, a polícia confirmou que o animal teria sido agredido até a morte imediata”.
Na terça-feira (10/fev) o Ministério Público de Santa Catarina solicitou a exumação do corpo de Orelha para perícia direta e novas diligências, incluindo apuração da conduta do delegado-geral.

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