Guido Mantega do Grupo de LULA explica a retomada do desenvolvimento com o fim do bolsonarismo

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante entrevista, em foto de Givaldo Barbosa, da Agência O Globo / 2014 | Ao fundo, o presidente Jair Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão | Sobreposição de imagens


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

No final de 2022 poderemos comemorar o enterro de um dos piores governos da história republicana brasileira

O economista do PT (Partido dos Trabalhadores), Guido Mantega, do Grupo de LULA explica a retomada do desenvolvimento com o fim do bolsonarismo e afirma entusiasmado que “no final de 2022 poderemos comemorar o enterro de um dos piores governos da história republicana brasileira“.

Se for feita uma autópsia no cadáver do bolsonarismo, serão descobertos fortes indícios de um neoliberalismo anacrônico, que não é mais praticado em nenhum país importante do mundo“, prossegue o ex-ministro do Planejamento, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BNDES no governo LULA, no início de seu artigo, na Folha de S. Paulo, em que explica a destruição causada pelo bolsonarismo na economia brasileira, que terminou 2021 estagnada e assim continuará por todo o ano de 2022, quando o crescimento do PIB não deverá passar de 0,36%, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central (03/01/22),

As previsões para a consequência do desastre da equipe Bolsonaro são péssimas: Mantega diz que “com o pífio crescimento, o desemprego permanecerá alto e a inflação só recua às custas de uma feroz política monetária contracionista, que vai paralisar a economia brasileira, além da fome e a pobreza que continuarão aumentando ao sabor do descaso do governo“.

O economista lembra que “o auxílio de R$ 400 no Bolsa Família [que na verdade agora se chama Auxílio Brasil por conta de uma mudança ideológica de Bolsonaro] vai beneficiar apenas uma pequena parcela dos necessitados“.

Mantega quis dizer que famílias com renda per capita até R$ 200 serão consideradas em condição de pobreza, mas somente as com renda per capita de até R$ 100 passarão a ser consideradas em situação de extrema pobreza e somente estas receberão o benefício, deixando de fora pelo menos 558 mil famílias que vivem na miséria. O total de benefícios não é suficiente para atender nem as famílias em extrema pobreza (renda individual de até R$ 89 por mês). Há 15,06 milhões de famílias nessa situação. Ou seja, 558 mil famílias a mais do que os benefícios disponíveis.

Para agravar essa situação, há um avanço da pandemia da Covid-19 e de novas gripes, que podem reduzir o crescimento dos países ricos, afetando diretamente as exportações brasileiras“, prossegue Mantega.

O banco central americano (Fed) anunciou um endurecimento da política monetária em 2022, com elevação dos juros, o que deverá causar a saída de capitais estrangeiros do país“, diz.

Em vez de colocar o Estado em campo para socorrer as vítimas da crise e estimular a retomada do investimento, como fizeram os países do G20, o governo Bolsonaro reduziu o auxílio emergencial de 2020 para 2021, e vem diminuindo o investimento público desde o início do seu governo“, explica.

Essa situação dramática, produzida pela política econômica do ministro [da Economia, Paulo] Guedes, contrasta com o desempenho da política econômica social desenvolvimentista dos governos LULA e Dilma”, lembra com detalhamento de quem fez parte das gestões.

Mantega diz que “entre 2003 e 2014 o PIB brasileiro teve um crescimento médio de 3,5% ao ano, enquanto o desemprego caiu para abaixo de 6% da população economicamente ativa“.

No final de 2014 o Brasil era um país pouco endividado, com uma dívida pública líquida igual a 32,5% do PIB, enquanto o Banco Central acumulava reservas de US$ 374 bilhões“, diz Guido Mantega.

Não à toa, a partir de 2008 o Brasil passou a receber avaliações positivas de grau de investimento, pelas principais empresas de classificação de risco”, afirma. Leia abaixo a continuação da trancrição:

Os governos Lula foram marcados pela elevação dos investimentos e por uma política fiscal responsável, que compatibilizou aumento de verbas sociais com os maiores superávits primários da economia brasileira.

A pobreza caiu de 26,7%, em 2002, para 8,4%, em 2014. Pela primeira vez, em 500 anos, a renda dos mais pobres cresceu mais do que a dos mais ricos e a desigualdade diminuiu no país. Foi assim que o Brasil saiu do mapa da fome e tornou-se o sexto maior PIB (Produto Interno Bruto) do mundo, em 2011.

Mas os governos neoliberais reverteram parte desses avanços sociais e econômicos. O governo Temer fez a reforma trabalhista que reduziu direitos e salários, e ainda aprovou a lei do teto de gastos, que produziu inúmeras distorções na gestão orçamentária. As gestões fiscais dos governos Temer e Bolsonaro foram um desastre que, desde 2016, só acumulou déficits primários.

Está claro que não existem saídas fáceis para consertar a situação dramática que será deixada pelos governos Temer e Bolsonaro. É uma herança maldita que fará com que o PIB de 2022 retroceda para os valores de 2013.

Para enfrentar essa situação desafiadora, as forças democráticas deverão elaborar um programa de desenvolvimento econômico e social para a reconstrução do país.

Certamente esse programa deverá conter medidas emergenciais de combate à fome e à miséria, que propiciem condições de sobrevivência da população mais pobre.

O governo deve coordenar um ambicioso plano de investimentos públicos e privados, de modo a ampliar a infraestrutura e aumentar a produtividade, gerando muitos empregos.

É necessário desenhar um programa de investimentos de longo prazo que dê sustentação ao crescimento e ao aumento da produtividade.

É imprescindível realizar uma reforma tributária, que simplifique os impostos federais, estaduais e municipais. É importante também diminuir a taxação dos mais pobres, aumentando os tributos sobre a renda e patrimônio dos 1% mais ricos, de modo a reverter a regressividade da estrutura tributária brasileira.

A política monetária deve manter a inflação sob controle, sem exagerar na dose de juros, para preservar o crescimento e, ao mesmo tempo, evitar um serviço da dívida impagável.

O novo governo deve retomar as políticas industriais e as de investimento tecnológico, que devolvam a competitividade da indústria brasileira. Claro, sem esquecer as questões climáticas e ambientais.

O que está em jogo nas próximas eleições é se continuaremos com a política econômica desastrosa do governo Bolsonaro e de outros candidatos neoliberais, ou se vamos retomar a via do social-desenvolvimentismo rumo ao Estado de bem-estar social”.

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