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    “NÃO PENSO NA SITUAÇÃO FINANCEIRA DOS AMERICANOS”, DIZ TRUMP SOBRE GUERRA QUE ELEVA GASOLINA A US$ 4,50

    Em meio à escalada do conflito com o Irã e à inflação de 3,8%, bolsas de Nova York desabam e eleitores rurais sacrificam economia por segurança nacional

    Donald Trump em entrevista à Fox News na Casa Branca

    DONALD TRUMP em entrevista à FOX NEWS, na CASA BRANCA / Imagem reprodução / White House

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Washington (US)
    17 de maio de 2026, 00h30

    A conjuntura geopolítica e a crise econômica dominaram os noticiários nos Estados Unidos neste fim de semana.

    A escalada do conflito com o Irã e a consequente disparada nos preços dos combustíveis, que ultrapassaram a marca de US$ 4,50 por galão, foram os temas centrais que mobilizaram a imprensa e a opinião pública.

    A combinação de declarações controversas do presidente Donald Trump e o impacto direto no bolso do cidadão criaram um ambiente de tensão que derrubou as bolsas e reacendeu o debate sobre o custo da segurança nacional.

    O gatilho para a repercussão imediata foram as declarações do presidente Donald Trump durante a semana.

    Questionado se a situação financeira dos americanos o motivava a buscar um acordo com Teerã, o chefe do Executivo foi incisivo. “Não penso na situação financeira dos americanos”, respondeu Trump, segundo a Reuters“A única coisa que importa quando falo sobre o Irã é que eles não podem ter uma arma nuclear.”

    A fala, publicada amplamente no sábado (16/mai), gerou reação imediata da oposição. O Partido Democrata classificou a postura como um distanciamento perigoso das necessidades básicas da população.

    Dados da Reuters/Ipsos mostram que apenas 30% dos adultos americanos aprovam o manejo da economia por Trump, um número baixo para um tema que sempre foi seu trunfo eleitoral.

    A comoção de fundo é a inflação. Dados da Associated Press (AP) indicam que a inflação ao consumidor subiu para 3,8% em abril, impulsionada pelos custos de energia.

    A estimativa do Federal Reserve de Cleveland é ainda mais sombria: o índice pode alcançar 4,2% em maio.

    MERCADOS EM PÂNICO E EFEITO DOMINÓ

    A falta de solução para o conflito no Estreito de Ormuz e a manutenção das sanções levaram o petróleo a patamares preocupantes.

    O barril do tipo Brent fechou a sexta-feira (15/mai) cotado a US$ 109,26, uma alta de 3,4%.

    O impacto foi imediato nas bolsas de valores. Wall Street teve o seu pior dia desde março. Segundo a CNBC, o S&P 500 desabou 1,2%, enquanto o Dow Jones caiu 1,1%.

    “O sentimento de risco está sendo prejudicado por um aumento global nos rendimentos dos títulos, impulsionado por preocupações com a inflação e expectativas de aumentos das taxas pelos bancos centrais”, explicou Angelo Kourkafas, estrategista da Edward Jones, em entrevista à AFP.

    O medo se espalhou pelo mundo: no Reino Unido, os juros dos títulos de 30 anos atingiram o maior patamar desde 1998, e no Japão, a taxa dos 30 anos chegou a 4% pela primeira vez desde 1999.

    BASE DE TRUMP RESISTE À ALTA DOS PREÇOS

    O dado mais surpreendente e que dominou as manchetes qualitativas foi a resiliência da base eleitoral de Trump. Enquanto a mídia tradicional apontava para um desgaste político, a Reuters foi a campo no Colorado e encontrou um fenômeno oposto.

    Em cidades como Wiggins, onde a gasolina já chega a US$ 4,34, “agora, US$ 36 me dá meio tanque“, relatou Amy Van Duyn, funcionária de uma loja local.

    Mesmo assim, ela e o colega Tonyah Bruyette seguem apoiando o presidente. “Parece que ele nos ouve, que está lutando por nós”, disse Bruyette.

    O sacrifício econômico é visto por esses eleitores rurais como um mal necessário para evitar uma ameaça nuclear.

    “Luto, como todo mundo, mas estou disposto a sacrificar um pouco”, disse Jim Miller, aposentado de 65 anos, à Firstpost. “Isso foi totalmente perdido neste país, a disposição das pessoas para sacrificar”.

    A dinâmica torna o cenário eleitoral para as eleições de meio de mandato em novembro imprevisível.

    Enquanto os democratas apostam na insatisfação econômica, a base republicana se ancora no discurso de segurança.

    ESCALADA E INCERTEZAS

    Além da economia, a pauta de segurança também reverberou com a decisão da Suprema Corte dos EUA. Na sexta-feira (15/mai), os ministros rejeitaram um recurso da Virgínia que tentava restaurar um mapa congressional que beneficiaria os democratas, mantendo a atual divisão que favorece os republicanos na Câmara dos Representantes.

    Enquanto isso, o presidente Trump, de volta de sua visita à China, disse à Fox News que não vai “ser muito mais paciente” com o Irã, prometendo novidades na próxima semana.

    O impasse no Estreito de Ormuz e a falta de avanços concretos na mediação chinesa mantêm os investidores em estado de alerta máximo, com a perspectiva de que o petróleo continue acima dos US$ 100 por barril nos próximos meses.

    Associated Press divulgou na última hora que o governo Trump estuda um pacote de alívio emergencial para caminhoneiros e agricultores, os mais afetados pelo diesel a preços recordes. Mais detalhes em breve.

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    FAQ Rápido

    1. Por que a declaração de Donald Trump sobre não pensar na situação financeira dos americanos viralizou?
    A frase foi considerada insensível em um momento de inflação alta (3,8%) e gasolina a US$ 4,50, contrastando com o discurso pró-economia que elegeu o republicano em 2024.

    2. Qual foi o impacto nos mercados financeiros com a escalada da guerra contra o Irã?
    O S&P 500 caiu 1,2% e o Dow Jones desabou 1,1% na sexta-feira (15/mai), o pior desempenho de Wall Street desde março, com o petróleo Brent ultrapassando US$ 109 o barril.

    3. Eleitores rurais estão abandonando Trump por causa do preço da gasolina?
    Não. Reportagem da Reuters no Colorado mostrou que a base republicana mantém apoio ao presidente, priorizando a segurança nacional sobre o impacto no bolso.

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