Imposição do herdeiro pelo ex-presidente gera caos e ameaça racha da direita no estado, afirma Clayson – Disputa por duas vagas no Senado em 2026 deflagra conflito sem precedentes entre aliados
Brasília, 01 de novembro 2025
A Crise em Santa Catarina:
A Imposição de Carlos Bolsonaro e o Racha na Direita
De acordo com comentarista político Clyson, famoso por sua habitual saudação “Salve progressistas” em seu canal no YouTube, neste sábado (1/nov), o estado de Santa Catarina, consolidado como um dos principais redutos do bolsonarismo no Brasil, transformou-se em um laboratório da traição política.
A potencial candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado catarinense não é uma simples manobra eleitoral, mas um catalisador que expõe as fraturas de um movimento definido por sua natureza autofágica.
Conforme a análise do influencer, a profecia da traição se cumpre em solo catarinense, colocando em xeque a lealdade e a coesão da direita local.
Para ele, a essência do movimento é clara: “olha se tem uma coisa que ninguém discute sobre o bolsonarismo é que esse movimento político é o mais traiçoeiro da história. Nunca houve um movimento tão traiçoeiro quanto o bolsonarismo”.
Essa característica, antes direcionada a adversários, agora vitima figuras da própria direita que ajudaram a construir e sustentar o movimento.
O Campo de Batalha:
Os Protagonistas e Suas Ambições
O caos político em Santa Catarina é alimentado pelas ambições conflitantes de múltiplas figuras proeminentes da direita, todas de olho nas duas vagas para o Senado em 2026.
A briga por espaço, que envolve desde a “velha direita” até os novos expoentes do bolsonarismo e o próprio governador do estado, Jorginho Melo, expõe a falta de um projeto unificado e a prevalência de interesses pessoais e familiares.
Esperidião Amim:
A “Velha Direita” Sendo Devorada
O principal exemplo da dinâmica de canibalismo político é Esperidião Amim. Sua carreira, segundo Clayson, é emblemática: “É um sujeito que se fez dentro do Arena que é o partido da ditadura dos ditadores da ditadura militar. Ele começou dentro da ditadura militar”.
Apesar de sua longa trajetória, que inclui dois mandatos como governador, e sua adesão ao bolsonarismo, Amim está sendo “rifado“, conforme reportagem da revista Veja, para dar lugar a Carlos Bolsonaro.
Sua marginalização ilustra como a “velha direita“, que apostou no movimento para sobreviver, agora é descartada. Clayson analisa o processo sem compaixão: “esses caras da velha direita estão sendo engolidos de uma forma vergonhosa… Pouco e bom. Pouco e bom Como se diz em Minas Gerais.”
Carlos Bolsonaro:
O Herdeiro “Importado”
No epicentro da crise, Carlos Bolsonaro funciona como o pivô. Sua candidatura é vista como uma imposição da família Bolsonaro, que ignora as lideranças e a lógica política do estado.
Essa percepção gerou uma reação imediata de parte da base, que passou a defender abertamente que o estado deve eleger “senadores do estado de Santa Catarina”, em uma clara rejeição ao “paraquedista” carioca.
A manobra testa os limites da lealdade ao nome Bolsonaro contra o orgulho e o pragmatismo político local.
Caroline de Toni:
A Aliada Ambiciosa
Figura do bolsonarismo raiz catarinense, a deputada Caroline de Toni também almeja uma das vagas no Senado. Descrita por Clayson como uma política de “extrema limitação” e uma “neofascistinha”, sua ambição colide com os planos da família Bolsonaro e com as alianças locais.
A análise sobre sua capacidade é dura; Clayson recorda um episódio no Congresso em que um professor a humilhou publicamente, afirmando que ela não possuía “capacidade cognitiva” para entender a discussão.
Inicialmente ameaçada, de Toni agora estaria em uma articulação para se candidatar ao lado de Carlos, um arranjo que marginalizaria Amim e que a colocou em rota de colisão com o governador Jorginho Melo, que defende o senador.
Ana Campagnolo:
A Faísca da Controvérsia
Foi a deputada Ana Campagnolo quem tornou o conflito público. Em um tweet que expôs as negociações de bastidores, ela afirmou que a vaga do PL que era de Carol de Toni seria “dada ao Carlos”.
Essa postagem foi o estopim para que a guerra interna, antes restrita aos corredores do poder, transbordasse para o debate público nas redes sociais, transformando o ambiente digital em um campo de batalha de narrativas.
A Guerra Declarada nas Redes Sociais
As redes sociais, em especial o X (antigo Twitter), tornaram-se o palco principal para a troca de acusações entre os bolsonaristas de Santa Catarina. Essa batalha digital não é apenas retórica; ela é estratégica, moldando a percepção da base de apoiadores e definindo os contornos da disputa.
A reação de Carlos Bolsonaro ao tweet de Ana Campanholo foi imediata e agressiva, mas o contexto é crucial. A postagem foi repercutida pelo perfil “Space Liberdade“, um conhecido antagonista da família Bolsonaro dentro do próprio campo da direita.
Segundo Clayson, é um perfil que “sempre” os ataca, já distorceu informações e teve confrontos públicos com Eduardo Bolsonaro. Inserido nessa guerra digital contínua, Carlos respondeu diretamente: “Não sejam mentirosos. Absolutamente nada do que essa menina está falando é verdade. Quanta baixaria. Lamentável.”
A controvérsia atraiu outros atores do ecossistema. O influenciador Kim Paim, por exemplo, gravou um vídeo “detonando todo mundo para defender o Carlos Bolsonaro”. Clayson o descreve com uma analogia peculiar, comparando-o a um “ornitorrinco” – uma criatura “completamente desconexa”, sendo um brasileiro com sotaque nordestino que vive na Austrália.
Essa intervenção de figuras externas evidencia a fragmentação do movimento em facções que se atacam publicamente para defender seus respectivos líderes.
Implicações Estratégicas:
O Risco de Autossabotagem em 2026
A situação em Santa Catarina revela um paradoxo: em um estado com forte inclinação bolsonarista, a maior ameaça à hegemonia da direita pode ser ela mesma. A fragmentação interna e a multiplicação de candidaturas do mesmo campo arriscam um cenário de autossabotagem, onde uma vitória tida como certa pode escapar por entre os dedos.
A principal tese de Clayson sobre as consequências dessa disputa é matemática. Com três candidatos fortes da direita — Amim, de Toni e Carlos Bolsonaro — disputando ferozmente o mesmo eleitorado, a divisão de votos pode ser fatal. Esse cenário, segundo ele, “pode favorecer um quarto candidato”, potencialmente de um espectro político fora da direita, que se beneficiaria da fragmentação dos adversários.
Este conflito local se insere em um quadro maior de desgaste. Clayson avalia que “a família Bolsonaro tá em desgraça total”, citando o fracasso das recentes articulações internacionais de Eduardo Bolsonaro como mais um sintoma de um declínio de influência.
A tentativa de impor Carlos em Santa Catarina parece ser mais um movimento desesperado do que uma demonstração de força, e a grande dúvida é se a lealdade cega ao nome Bolsonaro será suficiente para superar a lógica política e o ressentimento local.
Um Movimento à Beira do Colapso Interno
A crise em Santa Catarina não deve ser vista como um evento isolado, mas como um microcosmo das lutas de poder e das contradições que assolam o bolsonarismo em nível nacional. A disputa entre a “velha direita” e os “herdeiros“, somada às ambições pessoais e à ausência de um projeto político unificado, revela a fragilidade de um movimento que depende mais de um nome do que de ideias.
O resultado dessa batalha interna será um termômetro crucial. Ele medirá não apenas a força eleitoral do clã, mas, principalmente, a capacidade do bolsonarismo de sobreviver aos seus próprios demônios.
A questão que Santa Catarina responderá em 2026 é qual modelo de bolsonarismo prevalecerá: o da imposição familiar ou o da resistência das bases locais. O resultado pode determinar se a energia que impulsionou o movimento se transformará na força que o destruirá de dentro para fora.
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Ótimo, ver os catarinenses chutando, esse que se diz defensor da verdade, chamado Esperidião Amin, agora o detalhe é o remédio é infinitamente pior, tem o ditado que diz “vale mais um demônio conhecido, do que um por conhecer”
O bolsonarismo é uma facção altamente criminosa, para conquistar poder destrói quem possível for
@ReinaldoGonçalvesdacruz definiu perfeitamente essa aberração, os catarinenses tem que enxergar que a decisão de escolha do futuro está no voto. O seu voto tem que ser direcionado longe dessa corja de abutres bolsonaristas.
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