MPF e STF cobram transparência do Estado por ignorar a oferta federal de exames nos corpos da megaoperação no Complexo da Penha e Alemão
Brasília, 05 de novembro 2025
O governo do Rio de Janeiro, sob comando do governador Cláudio Castro, anunciou nesta quarta-feira (5/out) a dispensa de peritos da Polícia Federal (PF) para análise dos corpos das 121 vítimas da Operação Contenção, deflagrada em 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão.
A decisão, que ignora o envio de 20 especialistas federais prometido pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, contrasta com a perícia independente já realizada pelo Instituto Médico-Legal (IML) e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), encerrada no último domingo (2/nov), conforme informou a Defensoria Pública.
Especialistas alertam que a recusa, conforme matéria de Daniele Lima no UOL, pode comprometer a transparência em um caso que já é considerado a ação policial mais letal da história brasileira, superando até o massacre do Carandiru em 1992.
A medida surge em meio a críticas do Ministério Público Federal (MPF), que havia solicitado acesso imediato aos dados periciais para verificar violações à ADPF 635 – norma do Supremo Tribunal Federal (STF) que regula operações em favelas e visa reduzir letalidade.
Moradores e ativistas, como Raull Santiago, denunciam que dezenas de corpos foram encontrados em áreas de mata na Serra da Misericórdia, retirados por comunidades antes de qualquer investigação oficial, o que gerou acusações de “fraude processual” contra residentes.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, defendeu a operação como um “sucesso” contra o Comando Vermelho (CV), com 113 prisões e apreensões de uma tonelada de drogas, mas o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) questiona o cumprimento das diretrizes constitucionais.
Essa controvérsia reacende o debate sobre accountability em ações de segurança pública, especialmente após a chacina do Jacarezinho em 2021, que deixou 28 mortos e expôs falhas semelhantes.
Com famílias ainda aguardando assistência da Defensoria Pública da União (DPU) e o governo federal sinalizando possível judicialização, o caso pode redefinir protocolos para futuras incursões policiais no Brasil.
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Não sou a favor do crime, sou a favor da vida, principalmente de pessoas inocentes, essa matança não respeitou critérios
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