Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

O Rio Tapajós está salvo? Governo revoga decreto que abriria caminho para concessão das hidrovias amazônicas

    Após mais de 30 dias de mobilização inédita, o Executivo recua diante das demandas dos povos originários e suspende planos de estudos para transferência da navegabilidade de rios sagrados a iniciativa privada, priorizando consulta prévia e impactos territoriais

    Clickable caption
     Indígenas reunidos
    Indígenas reunidos em frente à Cargill / Foto: InfoAmazonia
    RESUMO
    URBS MAGNA - Progressistas por um BRASIL SOBERANO


    Brasília (DF) · 24 de fevereiro de 2026

    Em decisão anunciada nesta segunda-feira (23/fev), o governo federal revogou o Decreto 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto de 2025, que incluía trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização.

    A medida autorizava estudos técnicos, ambientais e logísticos para possível concessão à iniciativa privada, com dragagens para manutenção da navegabilidade e transferência da gestão do tráfego fluvial, conforme O Globo.

    A revogação ocorreu horas após reunião no Palácio do Planalto com lideranças de cerca de 14 etnias indígenas das bacias afetadas.

    Participaram os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), além de secretários de Portos e Hidrovias.

    “Os povos indígenas nos trouxeram uma preocupação com os efeitos dessa obra nos seus territórios e essa preocupação foi levada em conta na escuta com esses povos para a decisão de hoje”, afirmou Boulos.

    A ministra Guajajara destacou o aspecto humanitário: “Os indígenas estão aqui pela segunda vez, em 33 dias de ocupação, com mulheres, crianças que conseguem ir lá acampadas, com condições precárias, riscos ali, ameaças”.

    A mobilização teve ponto alto na ocupação do terminal da Cargill em Santarém (Pará), iniciada em 27 de janeiro e mantida por mais de um mês, com acampamentos que bloqueavam acessos e balsas de grãos.

    Os povos do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns denunciavam ausência de consulta livre, prévia e informada — direito garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) — e riscos à pesca, soberania alimentar e integridade da floresta.

    O decreto previa exatamente a inclusão desses rios no programa de concessões para implantação de hidrovias, destaca a InfoAmazonia. A decisão também cancela imediatamente as dragagens previstas e reforça o compromisso assumido durante a COP30 de diálogo com os povos tradicionais.

    A medida representa um recuo estratégico do governo Lula diante de pressão sem precedentes e reforça a prioridade dada à escuta ativa de comunidades afetadas por grandes projetos logísticos na Amazônia.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    Comente com moderação

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading