O presidente da República Federativa do Brasil em sua foto oficiaL para a gestão atual, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) / Por Ricardo Stuckert | Ao lado, o presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu no Salão Oval da Casa Branca os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro, além do empresário Paulo Figueiredo / Imagem reprodução redes sociais
| Brasília (DF)
29 de maio de 2026
Nesta sexta-feira (29/mai), o Governo do Brasil divulgou nota oficial dura contra a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida anunciada na quinta-feira (28/mai) pelo secretário de Estado Marco Rubio.
O texto defende a soberania nacional, reforça ações internas contra o crime e alerta para prejuízos que medidas unilaterais podem causar à população e à economia.
A nota diferencia o terror por lucro praticado pelas facções do terrorismo ideológico internacional. “O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias”, afirma o documento divulgado pelo Palácio do Planalto.
A classificação ocorreu logo após Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com Donald Trump, JD Vance e Marco Rubio na Casa Branca. O senador celebrou nas redes: “Grande dia”.
O governo responde que “é deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço”.
A postura do Governo do Brasil equilibra firmeza contra o crime com defesa da democracia e da justiça institucional.
Recentemente aprovado, o pacote legal prevê penas de até 80 anos para facções e milícias – a maior da legislação nacional.
O programa “Brasil contra o Crime Organizado” atua desde as ruas até o topo da pirâmide financeira.
Em 16 de abril, o Brasil entregou proposta concreta ao Departamento de Estado sobre inteligência, lavagem de dinheiro e tráfico de armas.
A nota reitera: “Qualquer colaboração internacional será bem-vinda. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.”
Enquanto a oposição comemora a medida americana, o Planalto vê risco de retrocesso no compartilhamento policial, exposição do PIX e ameaças a famílias que nada têm com o crime.
LEIA A ÍNTEGRA
“Nota do Governo do Brasil
O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.
O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.
A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.
É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.
Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.
O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.
Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.
Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.
Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.
A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança“.
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FAQ Rápido
Por que o Brasil rejeita a classificação como terroristas?
Porque a lei nacional (13.260/2016) exige motivação ideológica, política ou religiosa – as facções atuam por lucro, segundo o Governo do Brasil.
Flávio Bolsonaro influenciou a decisão?
O senador afirma ter pedido diretamente a Trump e Rubio; o anúncio veio um dia após reunião.
Quais os riscos citados?
Retrocesso no combate, perigo a inocentes e impactos no sistema financeiro, incluindo o PIX, detalha a nota oficial.
Até o fechamento, o Itamaraty e Celso Amorim reforçaram disposição para diálogo bilateral.
Novas declarações de Lula ou do Departamento de Estado serão detalhadas em breve no Urbs Magna.
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É INADMISSÍVEL O COMPORTAMENTO DO BOLSONARISMO, SÃO ALINHADOS AO CRIME ORGANIZADO, TODO MUNDO TEM CONHECIMENTO, A FAMÍLIA PRECISA SER PRESA, NÃO PODE SOBRAR UM