Bandeira brasileira é hasteada em embaixada da Argentina na Venezuela — Foto: Reprodução/Diana Mondino/X
Argentina pediu para que o Brasil assumisse a responsabilidade pela integridade física das instalações da embaixada, da residência do embaixador e também de exilados venezuelanos que tinham buscado abrigo ali, temendo perseguição do governo Maduro
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A Bandeira do Brasil na Embaixada da Argentina na Venezuela registra uma atitude da diplomacia, independente das relações pessoais entre líderes de governos dos dois países amigos, mas que tem suas distâncias, disse o comentarista da GloboNews, André Trigueiro.
O Brasil assumiu a custódia da Embaixada argentina em Caracas, após a decisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de expulsar o corpo diplomático argentino do país.
A diplomacia argentina indicou que a custódia assumida pelo Brasil abrange as instalações da missão argentina que inclui a Embaixada e a Residência Oficial, seus bens e arquivos, assim como também a proteção de seus interesses e dos interesses dos cidadãos argentinos em todo o território venezuelano.
Os asilados venezuelanos abrigados na embaixada argentina agora estão sob custódia do Brasil, pois foram “privados de sair do país ao lado dos funcionários da Embaixada”, o que as autoridades argentinas chamaram de violação da Convenção de Caracas sobre asilo diplomático.
A Argentina solicitou solidariedade de outros países para proteger políticos da oposição venezuelana asilados em sua embaixada em Caracas, enquanto o Peru fez um pedido similar, atendido pelo governo brasileiro, em um procedimento parecido com a Suíça exercia pelos Estados Unidos em Cuba.
O presidente da Argentina, Javier Milei, agradeceu publicamente ao Brasil, destacando “laços de amizade” entre os dois países. Ele também criticou o governo venezuelano. O Ministério das Relações Exteriores da Argentina afirmou que os funcionários diplomáticos argentinos deixarão o país e agradeceu a generosidade do Governo brasileiro.
Milei x Lula
“Se fosse depender apenas das declarações de Milei em relação a Lula, o Brasil não faria isso, porque desde a campanha eleitoral o presidente argentino só fez atacar o presidente brasileiro da forma mais grosseira possível”, disse André Trigueiro.
“Sempre que possível, em todos os momentos, foi grosseiro também quando esteve no Brasil com uma agenda pessoal puramente ideológica, não tendo nenhum tipo de agenda presidencial para o Estado, deixando de lado as boas maneiras diplomáticas” afirmou.
O jornalista lembra que “Milei participou de um encontro da extrema direita no Sul do País, enquanto acontecia, lá no Paraguai, uma reunião do Mercosul. Enfim, se fosse depender do relacionamento entre os dois, isso [o gesto diplomático de hoje] não aconteceria”.
O comentarista traduz a diplomacia entre os dois países como um pedido da Argentina “para que o Brasil assumisse a responsabilidade pela integridade física das instalações da embaixada, da residência do embaixador e também de exilados venezuelanos que tinham buscado abrigo ali, temendo perseguição do governo Maduro”.
“Diante desse apelo, o governo brasileiro faz o que fazem governos responsáveis e que atuam dentro dos parâmetros da diplomacia. Ou seja, atendeu esse pedido e assumiu essas instalações. É isso que se faz quando se é uma democracia responsável. É isso que se faz quando se sabe utilizar as ferramentas da diplomacia”, afirmou Trigueiro.
