‘Gleisi Hoffmann classificou com o termo a matéria da emissora que editou vídeo de câmera de segurança para causar a impressão que o ministro da pasta colaborou com terroristas no ‘8 de Janeiro’, dentro do Palácio do Planalto. Segurança da Presidência poderá ser feita por “nova Secretaria“, diz a mídia’
“O governo Lula avalia acabar com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, segundo fontes próximas ao presidente ouvidas nesta quarta-feira (19) pela CNN“, publicou, nesta quinta-feira (20/4), a mesma mídia que editou imagens da câmera de vídeo para, segundo a presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, tentar acusar o general da pasta, que pediu demissão, Golçalves Dias, de colaborar com os terroristas. A parlamentar disse que tudo foi uma “armação” da ‘CNN‘.
“Agentes filmados colaborando com invasores do Planalto eram do governo Bolsonaro, do GSI do general Heleno, que ainda não haviam sido substituídos. O general Gonçalves Dias sai, mas as investigações continuam”, frisou Gleisi. “Não adianta vir com armação: invasores, terroristas e golpistas eram todos da turma de Bolsonaro. Vão pagar por seus crimes“.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse, em uma mudança de posição, que agora apoia a realização da CPMI do ‘8 de Janeiro‘.
Ela foi discutida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que também recebeu apoio dos líderes do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
A comissão é de autoria do deputado bolsonarista André Fernandes (PL-CE) e tem o número necessário de assinaturas para ser instalada, diz matéria no ‘Globo’. Seu funcionamento, contudo, depende de uma sessão do Congresso, algo ainda não feito neste ano. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro e pregaram um golpe contra Lula.
Parlamentares bolsonaristas tentam alardear no governo atual uma omissão que teria facilitado os ataques. O vídeo em que o chefe do GSI aparece ao lado dos invasores amplificou a estratégia dos opositores do governo. Inicialmente, a base governista no Congresso agiu para tentar abafar uma CPMI para impedir que bolsonaristas tivessem oportunidade de reverberar os ataques, mas agora eles falam em partir para ofensiva.
Leia a transcrição da matéria da ‘CNN‘ sobre fim do GSI:
Ainda de acordo com aliados de Lula (PT), houve quebra de confiança; o presidente não acredita no GSI atual, e as investigações o ajudarão a tomar a decisão. O ministro-chefe do GSI, general Gonçalves Dias, pediu demissão após reportagem exclusiva da CNN exibir imagens dele no Palácio do Planalto durante a invasão em 8 de janeiro.
Interlocutores de Lula defendem, desde a transição, que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a segurança presidencial sob comando da Polícia Federal sejam alocadas em uma nova secretaria a ser criada diretamente no Palácio do Planalto.
Logo no início do ano, no começo do terceiro mandato de Lula, o GSI teve suas funções esvaziadas com a criação da Secretaria Extraordinária de Segurança Aproximada, cuja atuação está prevista para durar até 30 de junho.
Fontes do Planalto relatam ainda à CNN que essa Secretaria Extraordinária — que cuida da segurança do presidente, a cargo da PF — pode se tornar permanente. Essa ideia já vinha circulando há algum tempo no Planalto e já há policiais sendo treinados em Brasília para isso.
A postura do general Gonçalves Dias no dia 8 de janeiro com relação aos criminosos que invadiram o Palácio do Planalto e perante seus subordinados, os agentes que faziam a segurança da sede da Presidência, tornou insustentável sua permanência no cargo, na avaliação do governo.
O general pediu demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tarde desta quarta-feira (19). Os dois conversaram a sós depois de uma outra reunião que havia acontecido minutos antes.
Ao pedir demissão, o general argumentou que estava no terceiro andar, onde fica o gabinete presidencial, como mostraram as imagens reveladas pela CNN, para retirar os criminosos de lá. A explicação de Dias, no entanto, não conseguiu convencer com relação ao que as imagens revelaram, disseram integrantes do governo.
O futuro do GSI no governo Lula é incerto. Nos primeiros dias do ano, mais de 200 pessoas foram exoneradas da pasta.
Em um de seus primeiros atos à frente do GSI, ainda antes do 8 de janeiro, o general Dias exonerou parte do gabinete de seu antecessor Augusto Heleno, a equipe de comunicação, da assessoria parlamentar e 169 oficiais da secretaria de segurança e coordenação presidencial.
Apesar da perda de poder e do esvaziamento das principais atribuições, a possibilidade de o GSI ser extinto não foi discutida na reunião que Lula teve com seus ministros e auxiliares – antes de Gonçalves Dias pedir demissão ao presidente.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Cappelli, assumirá interinamente o comando do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República com a demissão do general Gonçalves Dias.
Cappelli conquistou a confiança de Lula no período de dois meses em que atuou, nomeado pelo presidente, como interventor na segurança do Distrito Federal após os atos criminosos do dia 8 de janeiro.
