Sem aviso prévio, a PM posicionou viaturas nos acessos ao tradicional ponto de manifestações aos domingos, interditando-o completamente, coincidindo exatamente com o horário do protesto
Brasília, 21 de setembro de 2025
Neste domingo (21/set), em Florianópolis, capital de Santa Catarina, o governador Jorginho Mello (PL), aliado próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi acusado por opositores de esquerda de ordenar o fechamento da icônica Ponte Hercílio Luz para impedir ou dificultar um protesto pacífico contra a PEC da Blindagem (também chamada de PEC da Bandidagem) e o PL da Anistia, que visam proteger parlamentares de investigações criminais e anistiar envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A medida gerou críticas imediatas de vereadores e movimentos sociais, que a classificaram como abuso de poder e tentativa de censura.
Os atos nacionais, organizados por movimentos como a Frente Povo Sem Medo (que inclui MTST, PSOL e outros grupos de esquerda), ocorreram em pelo menos 30 cidades brasileiras, com presença de artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso em São Paulo e Rio de Janeiro.
Em Florianópolis, o foco era na Ponte Hercílio Luz, ponto tradicional de manifestações aos domingos (normalmente aberta a pedestres).
O lema era “Sem anistia para golpistas”, criticando a condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão pelo STF e o avanço de pautas que, segundo os manifestantes, priorizam impunidade em detrimento de reformas sociais (como taxação dos ricos e fim da escala 6×1).
Sem aviso prévio, a Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) posicionou viaturas nos acessos à ponte por volta das 11h, interditando-a completamente. Isso coincidiu exatamente com o horário do protesto, forçando os manifestantes a se concentrarem em áreas próximas, como o Parque da Luz.
Apesar da chuva e do bloqueio, centenas de pessoas participaram, com gritos de “Sem anistia pra golpista” e faixas contra Jorginho Mello.
O vereador Afrânio Boppré (PSOL) chamou o ato de “boicote” e anunciou que cobrará explicações da PMSC e do governo estadual via requerimento oficial.
Em post no X, ele destacou: “Nem a chuva e nem o fechamento da Ponte Hercílio Luz a mando de Jorginho Mello (PL) impediram o sucesso da manifestação. Floripa disse não a Anistia e a PEC da Blindagem!”
Outros vereadores, como Leonel Camasão (PSOL), reforçaram a narrativa de resistência, contrastando com eventos pró-anistia promovidos pelo governador em 7 de setembro.
O Palácio do Governo de SC não emitiu nota oficial sobre o fechamento, mas fontes ligadas ao executivo estadual alegam que a medida foi por “razões de segurança pública” e manutenção rotineira, negando motivação política.
Críticos, porém, apontam que a ponte é fechada esporadicamente para veículos, mas nunca para pedestres em dias de atos opositores.
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O que é a PEC da Blindagem?
A PEC 3/2021, aprovada pela Câmara dos Deputados em 16 de setembro em regime de urgência (com 83 votos do PL de Bolsonaro), altera regras para investigações contra parlamentares.
Opositores, incluindo parte do PT (apesar de 12 deputados petistas terem votado a favor em um suposto “acordo” para barrar a anistia), chamam-na de “blindagem para corruptos e golpistas”.
Defensores argumentam que protege contra “perseguições políticas” do Judiciário.
Segue para o Senado, onde enfrenta resistência, mas com apoio de bolsonaristas. Paralelamente, o PL da Anistia (urgência aprovada em 17/09) avança para plenário, visando perdoar crimes do 8/1, incluindo Bolsonaro.
Os protestos de hoje foram os maiores da esquerda desde 7 de setembro (quando atos pró-soberania reuniram 4.300 em SP), impulsionados por artistas e constrangidos por divisões no PT.
Em SP (Avenida Paulista) e RJ (Copacabana), milhares marcharam; em Brasília, críticas ao Congresso e a governadores como Tarcísio de Freitas (SP).
A Frente Povo Sem Medo estima maior adesão que o esperado, explorando o “constrangimento” pós-votação.
Se isso for uma tentativa de repressão, reforça o debate sobre liberdade de expressão em estados governados por aliados de Bolsonaro.
Jorginho Mello, que assumiu em 2023 com apoio bolsonarista, já foi criticado por pautas conservadoras, como eventos pró-armas e anistia em atos de 7/9.








Sem duvida um podre e pobre nazista!!
Governador não trabalha em prol do povo, é totalmente partidário, ele foi eleito pelo povo, era para trabalhar pelo povo . Lamentável.
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