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Google escancara uso político de algoritmo ao sugerir o que o usuário “quis dizer” quando digita “Lula coroação”

    A big tech expõe a ação humana que oferece “corrupção” como alternativa à “coroação”, quando o usuário relaciona a palavra ao nome do Presidente do Brasil, às vésperas do evento do Rei Charles III, um dos mais citados no mundo

    Conforme mostrou o portal ‘RBA‘, o youtuber Felipe Neto denunciou, na sexta-feira (5/5), um flagrante uso político dos algoritmos pelo Google. Ao buscar pelo termo “Lula coroação”, cujas palavras relaciona a presença do estadista na cerimônia do Rei Charles III, neste sábado (6/4), todo usuário da big tech recebia a seguinte informação: “Você quis dizer lula corrupção”.

    Já com o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a alternativa a presentada ao termo “Bolsonaro coroação” foi “Você quis dizer Bolsonaro coração”. O mesmo ocorria ao se utilizar, por exemplo, os nomes do presidente e do ex-presidente dos EUA, “Biden” e “Trump”, bem como do presidente da França, “Macron”.

    Inconformados, diversos internautas afirmam ter testado a busca do termo “coroação” ao lado de nomes de outras autoridades e a alternativa “corrupção” também aparece. Já com o nome de Bolsonaro a alternativa a coroação é “coração”.

    Segundo o portal, isso prova “um sério indício de que, por trás dos algoritmos, dedos humanos conduzem o buscador. Inclusive porque a coroação de Charles III é um dos temas mais mencionados em todo o mundo.

    No Twitter, Felipe Neto creditou a malícia do Google ao deputado federal André Janones (Avante-MG):

    “O André Janones me avisou no privado e tive que abrir o Google pra acreditar. Se trata de um erro algorítmico, mas é inaceitável. ‘Coroação’ não é uma palavra errada ou de rara pesquisa. Google dará explicações? Corrigirá? Sem o PL, não são obrigados a nada”.

    O Google justificou que “usa um algoritmo de correção ortográfica baseado em modelo estatístico, que analisa a frequência de palavras e as associações entre elas. A palavra Lula aparece mais vezes associada a corrupção e menos vezes a coroação. Então o algoritmo sugere a correção”, diz a empresa.

    Porém, na manhã deste sábado, já não há sugestão alguma, o que pode revelar, de fato, a ação humana sobre os mesmos termos.

    Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o “Conselhão“, o influenciador se refere à necessidade de se aprovar a Projeto de Lei 2640, o PL das Fake News, com objetivo de se começar a regular abusos das big techs.

    As grandes empresas que dominam o mercado de tecnologia, chamadas de big techs, abraçaram a extrema direita no Brasil. Isso se deu após articulação de setores democráticos em torno do PL das Fake News. O texto busca impedir a impunidade de crimes cometidos na internet.

    Contudo, as controladoras das redes sociais abraçaram a desinformação e adotaram o lobby, além da manipulação de seus próprios algoritmos, como forma de barrar o texto. Como resultado, a matéria que tramita com urgência na Câmara dos Deputados está com votação suspensa.

    Entre as empresas que estão mobilizadas contra o combate às fake news e aos crimes digitais, destaque para a Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp), Twitter e Google (YouTube e Chrome).

    Por um lado, esta mobilização representa uma significante força contrária aos preceitos democráticos defendidos pelo PL. Agora, por outro ponto de vista, ficou mais claro aos internautas como existe uma parcialidade nas redes sociais.

    A suposta imparcialidade dos algoritmos que as controlam caiu em total descrédito. Agora, cada vez mais, internautas reconhecem tendências e vontades políticas nestas plataformas.

    Nesta semana, o Google realizou uma iniciativa com o objetivo de dificultar a luta contra a desinformação e o discurso de ódio. A empresa, que detém o Chrome, o Android e o YouTube, adicionou um link em seu mecanismo de busca para um texto contrário ao PL.

    No entanto, o Ministério da Justiça interpretou a ação do Google como uma artimanha, uma vez que a plataforma direcionou os usuários para um conteúdo que favorece seu modelo de negócios.

    Como resultado, internautas passaram a divulgar alternativas ao buscador dominante no mundo on-line. Então, a percepção de hoje, de Felipe Neto, apenas contribui para uma condição já compreendida aos olhos mais atentos.

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