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    Seu computador é um depósito de IA do Google; big tech usa 4 GB seus

    Sem aviso ou permissão, navegador baixa modelo de inteligência artificial que ignora comandos do usuário; entenda os riscos legais na Europa e como se livrar do arquivo

    Google Gemini

    Gemini / Imagem reprodução

    Brasília (DF) 06 de maio de 2026

    O Google vem baixando um modelo de inteligência artificial de 4 gigabytes em computadores de usuários do Chrome sem pedir permissão. O arquivo, chamado weights.bin, pertence ao Gemini Nano e fica armazenado em uma pasta oculta chamada OptGuideOnDeviceModel dentro do perfil do navegador.

    A revelação partiu do perfil Felipe Demartini (@namcios) no X (antigo Twitter), na terça-feira (5/mai). Em uma publicação que já ultrapassou 1,7 milhão de visualizações, o autor afirmou: “O Google acabou de transformar mais de 1 bilhão de computadores em depósito de IA. Inclusive o seu. Sem pedir. Sem avisar. Sem um único popup.”

    A prática levanta sérias questões sobre soberania do usuário sobre seu próprio hardware e transparência de grandes corporações de tecnologia.

    O download invisível que desafia o consentimento

    O arquivo weights.bin contém os “pesos” do Gemini Nano, a versão leve do modelo de linguagem do Google projetada para rodar diretamente no dispositivo, sem depender da nuvem.

    Conforme noticiado pelo Gizmodo, o pesquisador de privacidade Alexander Hanff, conhecido como “That Privacy Guy”, foi quem primeiro documentou tecnicamente o comportamento.

    Segundo a publicação, “Chrome armazena secretamente cerca de 4 GB de modelos de IA nos dispositivos dos usuários sem pedir permissão explicitamente”.

    A instalação ocorre em segundo plano em Windows, macOS e Ubuntu, desde que a máquina atenda a requisitos mínimos de hardware.

    Logs forenses no macOS indicam que o arquivo foi instalado em 24 de abril de 2026, misturado a patches de segurança. O comportamento, entretanto, já é observado por desenvolvedores há mais de um ano.

    “Chrome não pergunta. Chrome não exibe isso. Se o usuário deleta o arquivo, o Chrome baixa novamente”, resumiu Hanff, em texto citado pelo Qazinform News Agency.

    Engano na barra de endereço: o “AI Mode” é apenas fachada

    Um dos pontos mais controversos, destacado por Demartini, envolve o botão “AI Mode” introduzido na barra de endereços do Chrome 147. A expectativa natural do usuário – que já tem 4 GB ocupados no disco por um modelo de IA – seria de que suas buscas fossem processadas localmente. Não é o caso.

    Conforme a própria documentação de suporte do Google, o AI Mode divide as perguntas do usuário em subtópicos e as envia para os servidores da empresa na nuvem. O modelo Gemini Nano baixado no computador não tem absolutamente nenhuma relação com aquele botão visível.

    O modelo local, embora útil para funcionalidades como “Help me write” (ajude-me a escrever), detecção de golpes (scam detection) e sumarização de páginas, permanece restrito a submenus de clique-direito que a maioria dos usuários jamais acessa.

    Impacto ambiental e violação legal na Europa

    A escala do problema é gigantesca. Com mais de 1 bilhão de instalações, o tráfego de dados gerado apenas para baixar esses modelos uma única vez em cada máquina resulta na emissão de milhares de toneladas de CO².

    Estimativas citadas por Hanff, repercutidas pelo Swiss IT Magazine, apontam que o processo gera entre 6 mil e 60 mil toneladas de emissões equivalentes de carbono.

    A falta de transparência agrava o dano ambiental. “Esse é o custo ambiental de uma empresa decidir unilateralmente que o navegador padrão de dois bilhões de pessoas distribuirá em massa um binário de 4 GB que ninguém solicitou”, afirmou o pesquisador.

    Na Europa, especialistas já apontam violação do Artigo 5(3) da Diretiva ePrivacy, que exige consentimento explícito do usuário antes que qualquer software seja armazenado ou acessado em seu dispositivo.

    A diretiva é uma das bases legais mais rigorosas do mundo para proteção de dados, e sua violação pode sujeitar o Google a multas milionárias.

    Como remover e impedir o re-download

    Diferente do que alguns usuários imaginam, simplesmente deletar a pasta OptGuideOnDeviceModel não resolve. O Chrome a recria silenciosamente na próxima inicialização.

    O Computerworld explica que o caminho mais eficaz envolve dois passos: primeiro, desativar o recurso nas configurações internas do navegador; segundo, remover os arquivos.

    Times of India, entretanto, faz um contraponto importante: diferentemente de alegações virais nas redes sociais, o arquivo “não é spyware ou vírus”. A função do modelo local é justamente “processar tarefas de IA localmente, reduzindo a necessidade de enviar dados sensíveis para a infraestrutura de nuvem”.

    O Google, em resposta ao Gizmodo, afirmou que “em fevereiro, começamos a implementar a capacidade de os usuários desativarem e removerem facilmente o modelo diretamente nas configurações do Chrome”.

    A empresa também alega que o modelo se desinstala automaticamente se o dispositivo ficar com pouco espaço de armazenamento.

    Os dois perfis dão um guia passo a passo para se livrar do arquivo

    Para usuários que desejam recuperar os 4 GB e impedir que o Chrome continue baixando o modelo, siga o roteiro abaixo, compilado a partir das recomendações dos especialistas:

    Na barra de endereços, digite chrome://flags.
    Na barra de busca da página de flags, procure por “Optimization Guide On Device Model”.
    No menu suspenso ao lado do item, altere de “Default” ou “Enabled” para “Disabled”.
    Reinicie o navegador.
    Navegue até a pasta de perfil do Chrome no seu sistema operacional:
    Windows: %LOCALAPPDATA%\Google\Chrome\User Data\OptGuideOnDeviceModel
    macOS e Linux: Diretório equivalente dentro do perfil do Chrome.
    Delete a pasta OptGuideOnDeviceModel inteira.

    Caso a opção acima não esteja disponível, The Verge (via Computerworld) sugere acessar Configurações > Sistema e desativar a opção “Turn On-device AI on or off”, recurso que o Google afirma estar em implementação gradual para todos os usuários.

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    FAQ Rápido

    1. O arquivo weights.bin é um vírus ou spyware?
    Não. O arquivo contém o modelo de linguagem Gemini Nano da Google, usado para funções de IA que rodam localmente no computador, como auxílio à escrita e detecção de golpes. A crítica não é sobre o que o arquivo faz, mas sobre como ele foi instalado: sem aviso e sem consentimento.

    2. Por que o AI Mode não usa o modelo de 4GB que está no meu PC?
    Porque o botão “AI Mode” na barra de endereço do Chrome 147 é, na verdade, um atalho para uma pesquisa na nuvem do Google. Ele não foi projetado para usar o modelo local, o que torna a ocupação de espaço no disco ainda mais questionável para quem só vê aquele botão na interface.

    3. Deletar a pasta resolve o problema permanentemente?
    Não. Se as flags de IA do Chrome permanecerem ativadas, o navegador baixará tudo novamente na próxima reinicialização. É preciso primeiro desabilitar a flag “Optimization Guide On Device Model” no chrome://flags e então deletar a pasta.

    Autoridades de proteção de dados na Alemanha e na França teriam iniciado análises preliminares sobre a conformidade da prática com o GDPR (Regulamento Geral de Proteção de Dados da UE).



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