Diretor do SINPRF-SC lamenta “vê-lo preso nesse estado” e afirma que ele “poderia ter sido um excelente diretor-geral ou pelo menos terminar a carreira em paz“, mas, “carguista“, traiu a categoria em troca de poder – LEIA ÍNTEGRA
Santa Catarina · Sábado, 27 de dezembro 2025
Uma publicação nas redes sociais de um colega de carreira joga luz sobre a personalidade e a trajetória de Silvinei Vasques, ex-Diretor Geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), preso no Paraguai.
O texto, escrito por Alexandre Gonçalves, traça um perfil devastador de Vasques, descrevendo-o como um oportunista movido pela ambição, que teria traído a confiança da corporação.
Gonçalves, que diz ter conhecido Vasques em 2005, inicia com um aparente elogio — “intelectualmente, pessoa muito preparada” — para, em seguida, detalhar uma ascensão marcada por indicações políticas e métodos questionáveis.
Segundo o relato, Vasques ascendeu no governo Dilma Rousseff por intervenção direta da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), sendo escolhido mesmo com outros dois nomes “tão preparados quanto” disponíveis.
Anos depois, já no governo Bolsonaro, sua estratégia teria mudado: “Foi para o Rio, se aproximou do Flavio Bolsonaro e conseguiu”, escreve Gonçalves, atribuindo o cargo máximo da PRF, a direção-geral, ao “aval” do primogênito do líder da tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro, hoje condenado a 27 anos de prisão.
No entanto, a ambição de Vasques não teria parado aí. Gonçalves faz uma acusação grave: ele alega que Vasques ambicionava ser Ministro da Justiça, movido por uma “suposta promessa” de que Anderson Torres seria indicado para o STF. “Agiu de forma cega, sem levar em conta as consequências”, afirma.
A definição mais contundente do texto é a que nega qualquer filiação ideológica a Vasques.
“Vasques nunca foi bolsonarista. Ele é carguista, que tem em todo serviço público, cuja única ideologia é fazer de tudo para se manter no cargo”, dispara Gonçalves.
Esta característica, segundo o relato, levou ao seu maior erro: trair a corporação da PRF.
Gonçalves acusa Vasques de ter colocado seus interesses pessoais acima da luta da categoria por reajuste salarial, congelado desde 2015.
“Ali foi sua derrocada. A maior parte do efetivo se sentiu traída por ele e por Bolsonaro”, escreve.
Queda e um julgamento moral
O texto termina com um tom de tragédia pessoal evitável. Gonçalves afirma não sentir alegria com a prisão, mas sugere que a falta de caráter era evidente:
“Seria mais digno ele ter pedido exoneração do cargo. Mas, não o fez, antes dobrou a aposta. (…) Caráter é imprescindível para um gestor”.
A publicação oferece um raro retrato de bastidor, pintando a figura de Vasques não como um ideólogo, mas como um operador político cujas manobras, alianças e supostas traições teriam pavimentado o caminho até sua espetacular queda e prisão internacional.
Veja a seguir e leia mais depois:
Alexandre Gonçalves é pastor evangélico ordenado desde 1996, com formação teológica, incluindo mestrado no Semisud (Seminário Ministerial Sul-Americano), localizado em Quito, Equador, e na Lee University tem sua sede principal em Cleveland, Tennessee, EUA.
Policial rodoviário federal (PRF) e diretor do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Santa Catarina (SINPRF-SC), Alexandre Gonçalves é conhecido por defender causas sociais, teologia voltada aos pobres e críticas a visões conservadoras extremas no meio evangélico, como a associação automática entre cristianismo e direita política.
Gonçalves também tem um blog chamado “Teologia do Pobre” e já deu entrevistas sobre fé, política e justiça social.
E sua conta no X, tem mais de 60 mil seguidores, postando regularmente sobre temas religiosos, policiais e políticos.

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A ganância abracou a milícia, Bolsonaro é excomungado, quem foi induzindo por ele e teve juízo mole se perdeu, tem muitos Vasques a serem investigados
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