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“Golpe baixo” do Brasil na Venezuela impede oxigenação da economia assediada por sanções dos EUA, diz TELESUR sobre veto nos BRICS (vídeo)


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    Sobreposição de imagens

    Trata-se de uma ruptura na tradição diplomática do Brasil e na premissa de um relacionamento entre os Estados. Como é que este golpe baixo repercute na integração sul-americana e nos BRICS?“, diz Nacho Lemus, correspondente da mídia no Brasil – LEIA e ASSISTA

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    O correspondente no Brasil da TELESUR (Televisión del Sur), rede de televisão multi-estatal para a América, com sede na Venezuela, Nacho Lemos, afirmou em suas redes sociais que o país liderado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) puniu a nação vizinha de Nicolás Maduro ao impedir a “oxigenação” que representaria a entrada no bloco do BRICS. Lemos classificou como “golpe baixo” e questionou a repercussão da decisão brasileira na integração da América do Sul.

    A política brasileira de punição à Venezuela nos BRICS impediu a oxigenação de uma economia assediada pelas sanções dos EUA. Trata-se de uma ruptura na tradição diplomática do Brasil e na premissa de um relacionamento entre os estados. Como é que este golpe baixo repercute na integração sul-americana e nos Brics?“, disse Lemos em sua conta oficial na plataforma social de microblog X.

    De acordo com o vídeo postado pelo correspondente na publicação da mensagem na rede social, o assessor especial para assuntos internacionais da presidência brasileira, Celso Amorim, havia declarado no início de outubro que seria resguardada a relação entre Estados com a Venezuela, mas ocorreu o contrário, conforme a transcrição da fala do jornal da TELESUR (assista mais abaixo).

    Os BRICS, bloco originalmente formado pelos cinco países do acrômio, agora tem sido disputado por um grande número de Estados do mundo como alternativa para desenvolver um comércio internacional desdolarizado sob a proteção do NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), com sede em Shangai, na China, presidido pela ex-mandatária do Executivo brasileiro, Dilma Rousseff (PT).

    Permitir a entrada no bloco seria “um instrumento chave para oxigenar a economia desse país diante das sanções de Washington“, diz o TELESUR, que expôs a fala de Giovanni Del Prete, secretário da Alba Movimentos (Articulação Continental de Movimentos Sociais e Populares à ALBA) – plataforma que reúne mais de 400 organizações de 25 países, que lutam pela integração da América e pela construção de um projeto político emancipatório para os povos.

    Del Prete argumentou sobre “uma quebra de confiança” que ocorre ao mesmo tempo “em que o Brasil diz “não reconhecer o resultado das eleições do Tribunal Eleitoral da Venezuela“. “Isso é uma infração gravíssima do princípio brasileiro de política externa“, diz a mídia.

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    A TELESUR mostra a opinião de Marco Fernandes, apresentado como analista de geopolítica, que é mestre em História e doutor em Psicologia Social, trabalhando há duas décadas com movimentos populares e atualmente morando em Pequim, na China, onde se dedica à visão do Sul Global e a economia, política e cultura da República Popular.

    Para Fernandes, ao não reconhecer a vitória de Nicolás Maduro na eleição venezuelana, o Brasil comete “uma infração gravíssima“, pois estaria se colocando acima da autoridade eleitoral e da Justiça do país vizinho. Para Fernandes, “outra contradição apontada é a prioridade sobre a integração sul-americana que Lula havia manifestado no início de seu terceiro mandato. Ao isolar a Venezuela dos BRICS, o Brasil está enterrando a possibilidade de cumprir com sua prioridade sobre a integração sul-americana“.

    Fernandes argumenta que a Venezuelaé a quarta maior economia da América do Sul. A Venezuela tem 19% das reservas mundiais de petróleo e, portanto, poderia ser um aliado estratégico para a Petrobras, que poderia investir no petróleo venezuelano“, prossegue o TELESUR. “Então, é um desgaste para o Brasil“, que o fez “com os dois países mais importantes dos BRICS, que são Rússia e China“.

    Segundo a mídia, “o presidente Nicolás Maduro chegou por convite de Vladimir Putin à cúpula dos BRICS. O mandatário russo manifestou seu reconhecimento à vitória eleitoral de Nicolás Maduro e deixou em evidência o veto do Brasil à entrada da Venezuela no bloco“.

    A TELESUR também apresenta visão do jornalista brasileiro Breno Altman, editor fundador do portal Opera Mundi, que critica o “caráter pendular da política exterior do Presidente Lula“, explicando que o estadista sempre usa uma “política que lhe permita ter boas relações com os dois grandes blocos do mundo – o bloco dirigido pelos Estados Unidos, o velho sistema imperialista fundado após a Segunda Guerra – e o campo que está sendo construído sob a liderança da China e Rússia.

    Segundo Altman, “para manter boas relações com esses dois campos em relação, fundamentalmente para manter relações com o Ocidente ampliado, a Venezuela se tornou” para o Brasiluma espécie de moeda de troca”, em que ter “uma atitude dura” com o país “permite ao Brasil ter relações melhores com o Ocidente em geral“.

    A TELESUR diz que, na opinião do jornalista, “o governo brasileiro critica as sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos contra a Venezuela, mas a carta da chancelaria venezuelana ao Brasil deixou claro que a postura desse país [Brasil] nos BRICS reforça o impacto das sanções sobre o povo venezuelano”.

    Altman diz que “é preciso estruturar a ampliação do grupo BRICS e resolver a questão da Venezuela. Isso é um tema pendente que depende, claro, fundamentalmente de que o Brasil faça uma retificação de suas relações bilaterais com a Venezuela. A posição do Brasil e suas relações com a Venezuela têm sido muito criticáveis”.

    A matéria foi editada pelo correspondente brasileiro da TELESUR, Nacho Lemus, e por Julia Nassif, se encerra dando uma espetada em Lula e na esquerda, ao afirmar que “o Brasil assume a presidência de um BRICS que, pela primeira vez, evidencia explicitamente duas posturas divergentes dentro do bloco e se posiciona como o país mais próximo do grupo dirigido pelos Estados Unidos, o país que comandou o caso Lava Jato, eixo do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff e a prisão de Lula da Silva“.

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