Revelações sobre interesses econômicos e rivalidades globais em mídia do grupo expõem pretextos para intervenção armada em Caracas, com ecos históricos e disputas por recursos estratégicos

Brasília (DF) · 03 de janeiro de 2026
Em uma análise publicada pelo portal g1 , o grupo Globo trouxe à tona os motivos subjacentes à recente ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, questionando as narrativas oficiais centradas no combate ao narcotráfico.
A matéria argumenta que fatores econômicos e geopolíticos, como o cobiçado petróleo venezuelano e a aplicação renovada da Doutrina Monroe, impulsionam as ações lideradas pelo presidente Donald Trump.
Especialistas consultados pelo veículo enfatizam que, além das acusações de corrupção e ligações com rotas de drogas, há uma estratégia clara para assegurar acesso a recursos vitais e conter a expansão chinesa na região.
Essa perspectiva destaca como intervenções externas perpetuam desigualdades históricas na América Latina, priorizando interesses corporativos sobre a soberania local.
A ofensiva culminou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa em Caracas neste sábado (3/jan), com ataques a pontos estratégicos da capital venezuelana.
O governo americano justificou a operação como uma medida contra o regime corrupto de Maduro, focando em sanções a familiares, bloqueio de navios petroleiros e apreensões marítimas.
No entanto, Maduro sempre rebateu a narrativa, classificando as interceptações como roubo descarado e pirataria naval criminosa, e acusando Washington de usar o pretexto das drogas para forçar sua remoção do poder.
Como destacado na matéria do g1, a Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo — cerca de 303 bilhões de barris, ou 17% do total global, segundo a Energy Information Administration (EIA) —, superando até a Arábia Saudita e o Irã.
Esse recurso, do tipo extra-pesado e ideal para refinarias americanas na Costa do Golfo, tem sido subutilizado devido a sanções e infraestrutura deficiente.
O professor Marcos Sorrilha, da Unesp Franca, afirmou ao g1, que o petróleo venezuelano seria uma estratégia de barateamento do preço do combustível para os americanos e que é algo que está nas expectativas de Donald Trump.
Essa visão critica como tais ações visam não apenas estabilizar preços internos nos EUA, mas também asfixiar economicamente o regime venezuelano, levando a problemas de armazenamento de petróleo em Caracas, conforme reportado recentemente pela Bloomberg News.
Integrando a influência da China, a análise do g1 revela que, antes das sanções de 2019, os EUA eram os principais importadores de petróleo venezuelano; após, Pequim assumiu o protagonismo com acordos que somam quase US$ 50 bilhões em empréstimos em troca de óleo.
Em 2023, a China recebeu 68% das exportações brutas da Venezuela, per EIA.
A economista Carolina Moehlecke, da FGV, ressaltou ao portal, que os EUA resgatam a doutrina de forma mais ofensiva, ao estabelecer a América Latina como a região prioritária para sua segurança e prosperidade.
Isso conecta diretamente à Doutrina Monroe de 1823, revivida na nova estratégia de política externa da Casa Branca, que vê intervenções externas — especialmente chinesas — como ameaças à hegemonia continental.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, complementou que a China tem exercido uma influência muito grande nos países latino-americanos, e os EUA não têm interesse nessa aproximação geopolítica chinesa. Então, existem questões estratégicas de toda ordem: geopolíticas, econômicas, geográficas.
A matéria ainda menciona a proximidade com o Brasil e a Argentina para explorar reservas como as de Vaca Muerta, e conversas entre a opositora María Corina Machado, polêmica vendedora do Nobel da Paz em 2025, por sua ideologia de proximidade com o imperialismo dos EUA, e Donald Trump Jr., para abrir o mercado venezuelano a empresas americanas.
Expandindo essa narrativa com fontes confiáveis recentes, a CNN reportou em 24 de dezembro de 2025 que a China condenou o bloqueio naval imposto por Trump, mas pode se beneficiar indiretamente ao fortalecer alianças na região, opondo-se à escalada militar americana e às interceptações de petroleiros vinculados a Maduro.
O Foreign Policy, em 18/dez/2025, detalhou a resposta de Pequim com uma nova estratégia para a América Latina em meio ao anúncio do bloqueio, enfatizando a contenção da influência dos EUA e a promoção de parcerias econômicas.
O foco seria transferir responsabilidades militares para aliados, reduzindo compromissos globais dos EUA para priorizar o hemisfério ocidental.
Os ataques anunciados por Trump contra instalações venezuelanas sempre foram interpretados como uma ressurreição da Doutrina Monroe para reafirmar controle sobre rotas comerciais. Isso inclui endurecimento de fronteiras e concentração de recursos militares na América Latina.
Até mesmo portais alinhados com a extrema direita, como o Poder360, criticaram abertamente a ofensiva como uma tentativa de roubar o petróleo da Venezuela, com matéria em que João Pedro Stedile argumenta que os EUA desenham uma estratégia para dominar o continente via Doutrina Monroe.
A ênfase em saquear recursos naturais ecoou também vozes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Um vídeo no YouTube de 18/dez/2025 mostrou Maduro desafiando o bloqueio, prometendo continuar exportações de óleo apesar das sanções.
O portal espanhol Click Petróleo e Gás, em 5/dez/2025, analisou a estratégia de segurança de Trump como uma recentralização de poder na região, prometendo conter a China e reviver a Doutrina Monroe de modo ofensivo sob a promessa de endurecer fronteiras como parte de uma agenda mais ampla de prosperidade hemisférica.
Essa conjuntura reforça uma crítica de que as ações dos EUA não visam apenas segurança, mas perpetuam um padrão histórico de intervenção para garantir vantagens econômicas, em detrimento da autonomia latino-americana.
Assim, fica evidente que o petróleo e a rivalidade com a China formam o cerne dessa escalada, mascarada por discursos sobre narcotráfico.

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A América Latina não tem outra saída que nao seja a resistência e retomada das lutas contra a dominação colonialista imposta por varios séculos. Mesmo com a conquista da independência, foi continuamente assediada pelo imperialismo norte americano. Sua soberania foi hoje violentamente ferida. A ONU É UMA FICÇAO QUE APENAS LETIGIMA A OPRESSAO DOS PODEROSOS ARMADOS.
Se não tivermos apoio das grandes potência bélicas,(China, Rússia e índia) a América do Sul virará quintal dos EUA
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