Brasil já tem mais de 530 células de extrema direita e elas crescem mais do que em qualquer país no mundo. Em 2019, eram 334. Putin disse que ação na Ucrânia é ‘desnazificação’
A deputada federal e presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, afirmou, na noite deste domingo (27/2), que são “assustadores os dados que dão conta de que o Brasil tem mais de 530 células de extrema de direita e que elas só crescem, mais do que em qualquer país no mundo”.
Sem mencionar a Ucrânia, onde o presidente da Rússia iniciou ‘ação para desnazificação‘, segundo as próprias palavras do líder da Federação Russa, a parlamentar disse ainda que “em 2019″, o nosso país tinha “334” destas células e acrescetou que, “segundo pesquisadores , a culpa também é de Bolsonaro que criou uma “Disneylândia do neonazismo” no país.
Veja abaixo e leia mais a seguir:
Culpa de Bolsonaro
O termo “Disneylândia do neonazismo foi cunhado pelo membro do OED (Observatório da Extrema Direita), Michel Gherman, para classificar aqueles que defendem a ideologia extremista, pois “passaram a se sentir mais à vontade”.
O OED é formado por acadêmicos de mais de dez universidades brasileiras e de outros países. Gherman também é professor de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Instituto Brasil-Israel.
Na matéria do jornal O Globo sobre o tema, Gherman afirma que “desde 2018, o Brasil se transformou no país com maior crescimento de grupos de extrema direita. Este fenômeno tem a ver com a eleição de Jair Bolsonaro que, num nível subterrâneo, está vinculado a estas ideologias. Hoje, estima-se que 15% dos brasileiros são de extrema direita “.
Segundo o professor, apesar de muitos grupos já existirem antes de 2018, o que se observava era “algo periférico”, sem a legitimidade de agora.
A opinião é compartilhada por Karl Schuster, professor das Universidades de Pernambuco e Vigo, na Espanha:
“Estas mais de 530 células ganharam autorização para aparecer. A pergunta fundamental não é se estes grupos são ou não fascistas, e sim por que eles trazem para si aspectos do fascismo histórico. O que eles ganham se aproximando desses discursos?“, questiona.
“Estes grupos seguem o princípio da alteridade, de negar o outro. Muitos negam o Holocausto, outros dizem que o Holocausto foi o único erro do fascismo histórico. Querem ressignificar o sentimento de culpa“, diz Schuster, que é especialista em História Contemporânea e acaba de lançar, junto a Francisco Carlos Teixeira, o livro “Passageiros da tempestade: fascistas e negacionistas no tempo presente”.
