
📷A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) no Palácio do Planalto / Foto: Brenno Carvalho / O Globo | No detalhe, Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro com o presidente dos EUA, Donald Trump / Foto: Reprodução/Instagram/@bolsonarosp
| Brasília (DF)
02 de junho de 2026
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) acusou, nesta terça-feira (2/jun), o clã Bolsonaro de articular nos Estados Unidos o novo tarifaço que ameaça exportações brasileiras.
Segundo a presidente nacional do PT, as ações de Eduardo Bolsonaro teriam influenciado a decisão americana de propor sobretaxas de 25% sobre a maioria dos produtos do Brasil, com o PIX no centro da mira.
A declaração ganhou repercussão imediata após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluir investigação sob a Seção 301, iniciada em julho de 2025.
O documento lista como “irrazoáveis” políticas brasileiras de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, citando explicitamente o favorecimento a soluções nacionais como o PIX.
Isso pode levar alguns segundos
A medida pode entrar em vigor a partir de julho.
O arquivo um aviso oficial do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
O governo americano concluiu que atos, políticas e práticas do Brasil relacionados a seis áreas são “desarrazoados ou discriminatórios”, abrindo caminho para uma tarifa punitiva de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras.
As seis áreas de preocupação
1. Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico – Tribunais brasileiros teriam emitido ordens determinando a remoção de conteúdo político e a suspensão de contas por empresas americanas.
2. Tarifas preferenciais desleais – O Brasil é acusado de conceder tarifas preferenciais apenas a parceiros comerciais específicos, discriminando os EUA.
3. Aplicação de medidas anticorrupção – A fiscalização brasileira seria insuficiente, desfavorecendo empresas americanas.
4. Proteção da propriedade intelectual – Práticas brasileiras nessa área também são questionadas.
5. Acesso ao mercado de etanol – Os EUA consideram que há barreiras ao etanol americano no Brasil.
6. Desmatamento ilegal – A falta de combte ao desmatamento na Amazônia também é citada.
Próximos passos e cronograma
A tarifa proposta ainda não foi aplicada – há um período de consultas públicas e negociações até 15 de julho de 2026:
15 de julho de 2026: Prazo final para definição das “medidas corretivas”.
Até 22 de junho de 2026: Envio de pedidos para se manifestar na audiência.
Até 1º de julho de 2026: Envio de comentários por escrito.
6 de julho de 2026: Audiência pública no USTR.
“O novo tarifaço americano, resultado das articulações de Eduardo Bolsonaro nos EUA contra o Brasil, tem como uma das principais justificativas que políticas brasileiras favorecem empresas nacionais de pagamento eletrônico em detrimento de concorrentes americanas – leia-se o PIX”, escreveu Gleisi Hoffmann em sua conta no X.
Ela completou: “O Brasil não pode e não vai ceder nada no PIX para as empresas americanas ficarem cobrando as taxas caríssimas dos cartões. O PIX é nosso, veio pra ficar e vamos defender essa conquista para o povo brasileiro. É criminoso o que os Bolsonaros fazem contra o Brasil. Traidores da pátria, do povo brasileiro”.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve na Casa Branca há cerca de uma semana, rebateu a narrativa.
Em entrevista ao Valor Econômico, ele afirmou ter pedido diretamente a Donald Trump que não impusesse as tarifas, garantindo que “Lula ainda tem tempo de negociar”.
A reportagem do BBC News Brasil contextualiza que o PIX — criado pelo Banco Central e adotado por mais de 150 milhões de brasileiros — reduziu drasticamente custos de transação e ampliou a inclusão financeira, tornando-se símbolo de soberania digital.
O episódio revela tensão entre defesa de interesses nacionais e pressões externas.
A soberania nacional e a manutenção de ferramentas como o PIX não podem ser negociadas em troca de alinhamento político.
A investigação da USTR também menciona etanol, desmatamento e propriedade intelectual, mas o destaque ao sistema de pagamentos instantâneos reforça o caráter estratégico do debate.
O governo federal, por meio da Camex, já estuda contramedidas.
Paralelamente, o Itamaraty classifica a decisão americana como política, não técnica.
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FAQ Rápido
1. O que motivou o tarifaço americano?
A conclusão da investigação Section 301 da USTR, que acusa o Brasil de práticas desleais no comércio digital, incluindo o favorecimento ao PIX.
2. Qual a posição de Flávio Bolsonaro?
O senador afirma ter pedido a Trump que não aplicasse as tarifas e critica o governo Lula pela falta de negociação prévia.
3. O PIX corre risco?
Não. Gleisi Hoffmann e o governo reafirmam que o sistema é inegociável, representando conquista de soberania e inclusão financeira para milhões de brasileiros.
Até o fechamento desta matéria, não há nova manifestação oficial da Casa Branca ou do Palácio do Planalto além das declarações já citadas.
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