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Glauber é recebido por populares na Câmara: Autor do pedido de cassação é alvo de suspeição por agressão (vídeo)

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    Brasília, 9 de abril de 2025

    O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados está no centro de uma polêmica envolvendo o deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), relator do processo que pede a cassação de Glauber Braga (PSOL-RJ) por agressão a um militante do Movimento Brasil Livre (MBL).

    Um pedido de suspeição contra Magalhães será julgado, baseado em informações de que ele próprio agrediu um escritor na Câmara em 2001. Enquanto isso, Glauber foi recebido por centenas de apoiadores no corredor das Comissões nesta quarta-feira (9/abr), em uma demonstração de solidariedade.

    A deputada federal Fernanda Melchiona (PSOL-RS) postou as imagens em sua conta no X e disse que aliados estão “mobilizados na Câmara dos Deputados em defesa do companheiro Glauber Braga. Hoje será votado no Conselho de Ética o absurdo relatório que pede a cassação de seu mandato. Não aceitaremos essa descarada perseguição política. #GlauberFica“.

    A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) afirmou que “querem calar um mandato que defende a luta dos trabalhadores e trabalhadoras, quando deveriam se preocupar com deputados da extrema direita envolvidos em casos de corrupção, violência e de tentativa de golpe de Estado. Não vão calar o deputado @Glauber_Braga! #GlauberFica“

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    Em 2001, Paulo Magalhães, então sobrinho do senador Antonio Carlos Magalhães (ACM), envolveu-se em um episódio de violência na Câmara. Segundo o colunista Bernardo Mello Franco, do jornal O Globo, Magalhães desferiu socos e pontapés no escritor Maneca Muniz, que lançava um livro com denúncias contra ACM.

    A manchete do jornal à época destacou: “Socos e pontapés na Câmara. Deputado baiano agride jornalista para defender ACM”. Apesar da gravidade, Magalhães não sofreu sanções e hoje integra o Conselho de Ética, o que levanta questionamentos sobre sua imparcialidade como relator no caso de Glauber.

    Magalhães justificou a agressão como uma defesa da “honra da família”. O escritor registrou boletim de ocorrência, mas o processo não avançou, permitindo que Magalhães mantivesse sua trajetória política sem punições.

    O Caso de Glauber Braga

    Glauber Braga enfrenta processo no Conselho de Ética por ter agredido, em abril de 2024, o militante do MBL Gabriel Costenaro. O influenciador, conhecido por provocações a parlamentares de esquerda, insultou a mãe de Glauber, chamando-a de “corrupta” e “safada”.

    Em resposta, o deputado do PSOL empurrou e chutou Costenaro, expulsando-o da Câmara. O episódio, registrado em vídeo, motivou uma representação do Partido Novo contra Glauber, sob a acusação de quebra de decoro parlamentar.

    Paulo Magalhães, como relator, recomendou a cassação de Glauber, alegando que a violência é incompatível com o decoro parlamentar. No entanto, a revelação de seu próprio histórico de agressão gerou um pedido de suspeição contra ele, a ser analisado pelo Conselho de Ética.

    A votação do relatório de Magalhães foi adiada após um pedido de vista, mas a decisão final ainda será submetida ao plenário da Câmara.

    Apoio Popular a Glauber

    Nesta quarta-feira, Glauber foi recebido por centenas de apoiadores no corredor das Comissões da Câmara, em um ato que reforçou sua base política.

    O deputado tem argumentado que o processo contra ele é uma retaliação do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), por suas denúncias contra o orçamento secreto.

    A mobilização popular, com faixas e gritos de “Glauber fica”, demonstra o apoio de setores da esquerda ao parlamentar.

    Contradições e Debate Ético

    A conduta de Magalhães também foi questionada por sua abstenção no processo de cassação de Chiquinho Brazão, acusado de envolvimento no assassinato de Marielle Franco.

    Glauber criticou a incoerência de Magalhães, que se absteve em um caso grave, mas defende rigor contra ele. O episódio de 2001 e a abstenção no caso Brazão alimentam o argumento de que Magalhães pode não ser imparcial para relatar o processo.

    O Que Está em Jogo

    O julgamento do pedido de suspeição contra Magalhães pode alterar o rumo do processo contra Glauber.

    Se o Conselho considerar que o relator não tem isenção, um novo parlamentar será indicado, adiando a decisão sobre a cassação. Enquanto isso, o caso expõe as tensões no Conselho de Ética e as contradições no tratamento de episódios de violência no Congresso.

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