Deputado do PSOL interrompe sessão em ato de desafio; Polícia Legislativa intervém e evacua plenário, revelando tensões no Congresso Nacional
Brasília, 09 de dezembro 2025
O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da presidência na Câmara dos Deputados na tarde desta terça-feira (9/dez), em protesto contra a iminente votação de sua cassação, marcada para esta quarta-feira (10/dez).
O ato, que começou por volta das 14h, escalou rapidamente para uma cena de confusão, com a intervenção da Polícia Legislativa removendo o parlamentar à força, esvaziando o plenário e interrompendo a transmissão da TV Câmara.
Imagens capturadas por deputados aliados mostram Braga se agarrando à bancada, enquanto oficiais o arrastam, sob vaias e gritos de “violência” de manifestantes da esquerda.
O deputado, ao se sentar na mesa diretora ocupada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou abertamente: “Me arranquem daqui se quiserem, mas eu não saio”.
Ele acusou a liderança da Câmara de hipocrisia, comparando o tratamento “dócil” dispensado a ocupações da oposição de direita – como a de agosto, quando bolsonaristas interromperam sessões sem repressão imediata – com a “porrada” reservada a vozes progressistas.
“Com os golpistas, sobrou docilidade; para quem resiste, violência”, disparou Braga momentos antes da remoção, em declaração repercutida por aliados e registrada em vídeos virais.
A ação de Braga não foi isolada, mas o ápice de uma saga de confrontos que remonta a abril de 2024. Na ocasião, durante uma sessão tensa sobre a PEC da Bengala, o deputado reagiu a provocações do militante do Movimento Brasil Livre (MBL), Gabriel Costenaro, que filmava de forma ostensiva nos corredores da Casa.
Acusado de “quebra de decoro” por empurrões e chutes para expulsar o manifestante, Braga sempre defendeu que agiu em legítima defesa contra uma “provocação orquestrada” por forças de extrema-direita, com indícios de “agentes ocultos” infiltrados, conforme revelado em investigações jornalísticas.
O processo disciplinar, impulsionado pelo Partido Novo, avançou no Conselho de Ética da Câmara, que em abril aprovou a cassação por 13 votos a 5. Naquele mês, o parlamentar chegou a iniciar uma greve de fome em solidariedade à democracia, denunciando “perseguição política articulada por Arthur Lira e aliados”, em um episódio que mobilizou petições nacionais e debates sobre seletividade punitiva no Congresso.
Desde então, Braga tem percorrido o país em caravana contra a cassação, reunindo apoio de movimentos sociais e partidos de esquerda, que veem no caso uma tentativa de silenciar críticas à agenda conservadora.
“É retaliação por eu denunciar os golpistas que ainda circulam livres”, afirmou o deputado em junho, em entrevista ao Brasil de Fato.
Paralelamente, a Câmara discute anistias para condenados pelo 8 de janeiro de 2023, o que Braga e aliados classificam como “dois pesos e duas medidas”.
O tumulto desta tarde incluiu a evacuação de jornalistas – alguns relatando empurrões – e o corte abrupto do sinal da TV Câmara, com um vídeo ao vivo sendo apagado do YouTube.
Motta, que havia pautado a votação da cassação para amanhã, justificou a intervenção como necessária para “restaurar a ordem”.
Aliados de Braga, como deputados do PT e PCdoB, protestaram no plenário, enquanto postagens em redes sociais amplificaram o vídeo do momento, gerando debates sobre censura e autoritarismo no Legislativo.
A votação prosseguirá apesar do incidente, com Braga prometendo “resistir até o fim” fora do plenário.
O episódio reacende discussões sobre o equilíbrio de poderes em Brasília, onde atos de desobediência civil colidem com protocolos rígidos.

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