Cronologia do Alzheimer do ex-GSI de Bolsonaro é questionada por Moraes, que pede documentos de 2018; advogados alegam erro no laudo
Brasília, 30 de novembro 2025
O general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo de Jair Bolsonaro (PL), condenado a 21 anos por envolvimento na trama golpista, encontra-se no centro de um intenso debate judicial e de saúde.
Preso desde a última terça-feira (29/nov) no Comando Militar do Planalto, em Brasília, o militar busca cumprir sua pena em regime domiciliar com base em seu diagnóstico de demência mista.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), exigiu uma série de documentos comprobatórios, dando à defesa cinco dias (a partir da determinação publicada em 29/nov) para provar o quadro de Alzheimer.
A Contradição da Cronologia e o Esclarecimento da Defesa
A controvérsia central gira em torno da data de início da doença. Durante o exame de corpo de delito, Heleno afirmou conviver com Alzheimer desde 2018. No entanto, a defesa do general protocolou, no sábado (29/nov), um documento ao ministro Moraes esclarecendo que a informação está incorreta, conforme mostra o jornal O Estado de Minas.
Segundo os advogados, a data de 2018 decorreu de um equívoco por parte do perito ao indagar ao requerente sobre seu estado de saúde, uma vez que o general apresenta diagnóstico de Alzheimer e não tem condições de explanar sobre marcos temporais.
A defesa técnica alega que os primeiros sinais de falha de memória manifestaram-se no final de 2022, mas o parecer definitivo (laudo) foi firmado apenas em janeiro de 2025.
A manifestação protocolada ocorreu horas após Moraes determinar a apresentação dos documentos, um dia após o Correio revelar os detalhes dos laudos médicos.
A cronologia apresentada pela defesa, com base nos relatórios médicos, é a seguinte:
• Dez/2022: Primeiros sinais de falhas de memória.
• 2023 e 2024: Acompanhamento com médicos psiquiatra e geriatra, exames e averiguações médicas.
• Jan/2025: Confirmação do diagnóstico de demência mista: Alzheimer e demência vascular.
A defesa anexou uma planilha que detalha a evolução do estado de saúde, com registros que datam de 2000 até 23/nov/2025.
Neste último registro, foi emitido um relatório médico especializado que reitera que o tratamento em regime fechado eleva as chances de agravamento do quadro de saúde, em caráter irreversível.
O pedido final da defesa é a concessão urgente de prisão domiciliar, em caráter humanitário.
As Exigências de Moraes e a Dúvida sobre o GSI
Diante do cenário e da alegação inicial de 2018, o ministro Alexandre de Moraes solicitou uma série de comprovações, destacando que o período de convivência com a doença alegado inicialmente por Heleno coincide com o período em que o militar exerceu o cargo de ministro do GSI.
Moraes exigiu, especificamente:
1) Exame inicial que teria identificado ou registrado sintomas da demência mista em 2018.
2) Todos os relatórios, exames, avaliações médicas, neuropsicológicas e psiquiátricas produzidos desde 2018 (incluindo prontuários, laudos evolutivos e prescrições).
3) Documentos comprobatórios da realização de consultas e os médicos que acompanharam a evolução da demência mista durante todo esse período.
Além disso, o ministro questiona se o general comunicou o diagnóstico ao serviço de saúde da Presidência da República ou a algum outro órgão do governo federal na época.
Em um despacho complementar, Moraes determinou que todos os dados fiquem sob sigilo por conter informações sensíveis da vida privada do militar.
Apoio da PGR e Observações Médicas
A Procuradoria-Geral da República (PGR), por meio do procurador-geral Paulo Gonet, manifestou-se a favor da concessão de prisão domiciliar na última sexta-feira (28/nov). Gonet cita motivo humanitário devido à idade e à condição clínica de Heleno.
Ele argumenta que a Suprema Corte admite a anuência da prisão domiciliar ao condenado acometido de doença grave que necessite de tratamento médico que não possa ser oferecido no estabelecimento prisional ou em unidade hospitalar adequada.
Ao comunicar o Exército sobre conviver com Alzheimer desde 2018, Heleno apresentou um relatório que indica perda de memória recente, prisão de ventre e hipertensão. Contudo, quando questionado sobre alguma queixa atual durante o exame de corpo de delito, o militar relatou apenas dor nas costas.
A médica responsável registrou que o general estava em bom estado geral, lúcido e com sinais vitais normais, além de ser um idoso com aparência compatível com a idade e com estado emocional estável.
Reação nas redes sociais
A suspeita em relação à cronologia da doença foi levantada em redes sociais. Após a divulgação da notícia, o comunicador ativo na plataforma Pedro Ronchi disse que “deve ser coincidência o Alzheimer começar no mesmo ano do julgamento, né?”.
O Silêncio da Defesa
O advogado Matheus Mayer Milanez evitou comentar publicamente a situação de saúde do militar em respeito à dignidade da pessoa humana e ao direito ao sigilo à intimidade. Em nota, a defesa reforçou:
“Em cumprimento a um dever legal e ético que protege a intimidade e a dignidade de todo cidadão, e citando o art. 5º, X da CF e o art. 25 do Código de Ética e Disciplina da OAB, nenhum comentário ou detalhe sobre seu quadro de saúde/pessoal será divulgado à imprensa ou a terceiros. Esta decisão não é discricionária, mas sim o cumprimento de um dever legal e ético que protege a intimidade e a dignidade de todo cidadão”.

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Pois é, ANTES da condenação, não houve citação à estas “doenças”, nem nas alegações finais dos advogados ! É muito “coincidência” estas alegações agora, NO CUMPRIMENTO DAS PENAS !!!
Se o golpe tivesse dado certo, esses golpistas estariam todos bem de saúde. Agora que foram condenados, estão todos muito doentes. Que morram no cárcere!!
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