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Fuga de Bolsonaro para os EUA, que PF apontou em relatório, foi celebrada por ‘patriotas’ como ‘jogada de mestre’

    Enquanto o então presidente partia para Orlando e versões apontavam má vontade de passar a faixa, apoiadores do hoje inelegível até 2030 disseram que tudo era estratégia para intervenção militar sem posse de Lula, o que protegeria Bolsonaro de possíveis consequências do golpe

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    A conclusão da PF (Polícia Federal) de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos para evitar prisão e aguardar os desdobramentos da intentona golpista após deixar o governo, em 8 de janeiro de 2023, foi divulgada, na ocasião, pelo próprio bolsonarismo em grupos de WhatsApp e do Telegram, enquanto o hoje inelegível até 2030 afirmava que não tinha o menor desejo de passar a faixa presidencial para o eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    No dia 30 de dezembro de 2022, enquanto o presidente partia para Orlando, seus apoiadores afirmaram que sua saída do Brasil era uma estratégia para permitir a intervenção das Forças Armadas e evitar a posse de Lula, protegendo Bolsonaro de possíveis consequências por um golpe.

    Após a última live de Bolsonaro como presidente, onde expressou dificuldade em ficar calado sobre o resultado das eleições e insinuou falta de imparcialidade da Justiça Eleitoral, mensagens semelhantes começaram a circular, coincidindo com sua viagem e sua oposição à gestão de Lula. A transmissão surpreendeu apoiadores que esperavam uma mensagem golpista de Bolsonaro, mas o humor mudou com rumores sobre intenções ocultas da viagem.

    No relatório final da PF, os investigadores afirmam que a viagem de Bolsonaro ocorreu para evitar prisão, não por resistência em entregar a faixa ao sucessor. Foi encontrado um plano de fuga no computador de seu ex-ajudante, o tenente-coronel Mauro Cid, elaborado em 2021 e usado no final de 2022, quando tentativas de golpe fracassaram. A PF destaca que Bolsonaro saiu do país após não conseguir apoio das Forças Armadas para a ruptura institucional, aguardando os desfechos dos atos de 8 de janeiro de 2023.

    O relatório final da Polícia Federal destaca a atuação do então ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, na crise política pós-segundo turno, revelando um plano golpista que incluía a criação de um Gabinete de Crise à sua pasta, que ficaria sob o general Walter Braga Netto na coordenação, ambos indiciados por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.

    De acordo com as investigações da PF, a estrutura orientaria o então presidente derrotado “na administração dos fatos decorrentes da ruptura institucional”, conforme transcreve O Globo, e seria constituído em quase a totalidade por militares, com exceção de poucos civis – entre eles o assessor internacional da presidência, Filipe Martins.

    Dois dias antes da posse de Lula, bolsonaristas divulgaram fake news afirmando que Bolsonaro havia transferido o comando do país a Heleno por meio de um decreto inconstitucional, o que gerou uma corrida de apoiadores ao Diário Oficial da União. No final de 2022, Heleno era elogiado por sua liderança no golpe contra Lula, apesar de não se mencionar o Gabinete Institucional de Gestão de Crise.

    “Aos pés frios daqui do grupo de plantão, leiam o Diário Oficial de hoje. Bolsonaro passou todo o poder para o GSI, ou seja, quem dá as cartas no Brasil a partir de agora é o General Heleno. É ele quem está com a faca e o queijo nas mãos!”, disparou um bolsonarista contra militantes decepcionados com a live de Bolsonaro, conforme transcreve Malu Gaspar, em seu texto.

    “General Heleno é o presidente da República. Ele é o melhor estrategista do país, talvez do mundo”, escreveu outro apoiador. “Não vai ter Lula. Parem de cair na lábia de quem quer derrotar o Brasil. Para que colocar isto [críticas a Lula] aqui? General Heleno é quem vai ficar no poder. O presidente precisava sair do Brasil, agora o Exército tomará conta”, postou uma administradora do grupo Patriotas bolsonaristas unidos – Deus, Pátria, Família e Liberdade, no Telegram.

    “Em um dia de governo sob o General Heleno, o Brasil vai evoluir 100 anos!”, bradou outro bolsonarista.

    A tese conspiratória se espalhou por grupos bolsonaristas, mencionando que o general Hamilton Mourão completou o mandato de Bolsonaro sem transferir a faixa presidencial a Lula. Há suspeitas entre a Polícia Federal e bolsonaristas de que Braga Netto e Heleno poderiam orquestrar um “golpe dentro do golpe” para instaurar uma ditadura militar, embora essa hipótese tenha sido rechaçada por Mourão, que não negou a conspiração.

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