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    “Falso profeta”: por que frei Gilson foi denunciado ao MP por discurso redpill

    Ex-noviço acusa religioso de pregações discriminatórias contra mulheres e LGBT+; senadora e jornalista também repudiaram falas sobre “auxiliar do homem”

    Frei Gilson

    Frei Gilson / Imagem reprodução / Redes Sociais

    Brasília (DF) 06 de maio de 2026

    A escalada do discurso conservador no meio religioso ganhou um novo capítulo judicial. O influente sacerdote católico Frei Gilson (Gilson da Silva Pupo Azevedo) tornou-se alvo de uma denúncia formal no Ministério Público de São Paulo (MPSP).

    A acusação, protocolada pelo ex-noviço, jornalista e escritor Brendo Silva, aponta que o religioso propagou falas consideradas discriminatórias contra mulheres e a comunidade LGBT+.

    A ação ocorre em meio à viralização de trechos de pregações onde Frei Gilson defende que a mulher “nasceu para auxiliar o homem” e critica o que chama de “ideologia do empoderamento”, conforme Metrópoles.

    O caso transcende a esfera religiosa e toca em temas centrais da política brasileira, como os limites da liberdade religiosa frente à democracia e ao combate à violência de gênero.

    O sacerdote, que acumula mais de 12 milhões de seguidores no Instagram, se tornou uma das maiores vozes do catolicismo digital, mas agora enfrenta as consequências legais de sua retórica.

    A denúncia e o discurso contra LGBTs

    Protocolada no início de maio de 2024 (a data exata não foi especificada pelas fontes, mas a publicação é de 4 de maio de 2024), a denúncia de Brendo Silva ao MPSP não se restringe às questões de gênero.

    O ex-noviço alega que Frei Gilson utiliza termos técnicos ultrapassados e preconceituosos, como “homossexualismo”, associando a orientação sexual a conceitos de “desordem”“contrariedade à lei natural” e “depravação grave”.

    Em seu depoimento, Brendo Silva foi enfático ao diferenciar a liberdade de crença do discurso de ódio. “Liberdade religiosa não é liberdade para odiar. As homilias e entrevistas em que Frei Gilson trata gays como doentes ao utilizar termos ultrapassados (…) além de reforçar visões que colocam a mulher em posição secundária, não podem ser naturalizadas”.

    O denunciante, que viveu por mais de uma década em ambientes eclesiásticos, ainda aponta uma contradição na instituição: a presença de sacerdotes homossexuais na igreja contrasta com o discurso de exclusão reforçado publicamente.

    A polêmica “redpill” e a reação de autoridades

    A gota d’água para a repercussão nacional, no entanto, foi a pregação onde Frei Gilson aborda o “papel da mulher”. Em trecho que circula amplamente nas redes desde o dia 21 de abril de 2024 (período de forte repercussão, mas com vídeo original gravado há cerca de 10 meses), ele afirma baseado em Gênesis 2:18 que a mulher foi criada para ser “auxiliar” do homem e curar sua solidão.

    “É claro ver que Deus deu ao homem a liderança. É claro ver que Deus deu ao homem ser o chefe. (…) Mas a mulher tem o desejo de poder, não é desejo de serviço, desejo de poder. Eu repito a palavra: empoderamento. Essa palavra é do mundo atual” , declarou o frei.

    A fala gerou reação imediata da classe política. A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), em publicação no X, no dia 21 de abril, não hesitou em classificar o sacerdote como “falso profeta”

    “Nasci em berço católico e posso dizer que esse frei não me representa. Ele já passou de todos os limites possíveis de intolerância religiosa, misoginia e etc. Espero que nossa Igreja Católica tome severas providências”, escreveu a senadora.

    A repercussão mostra um movimento duplo: enquanto a política progressista repudia o tom que considera misógino, alas conservadoras tentam minimizar o caso, alegando perseguição religiosa, em um movimento que se assemelha à “cultura do cancelamento” invertida, usada como combustível eleitoral para o campo bolsonarista, do qual Frei Gilson é próximo.

    O fenômeno de massas e o silêncio

    Enquanto as críticas fervilhavam, Frei Gilson mantinha sua agenda de shows. No domingo (03/mai), ele se apresentou para um público estimado em 75 mil pessoas no Mineirão, em Belo Horizonte, durante a 37ª edição do evento “Cristo é o Show”, organizado pelo deputado federal Eros Biondini (PL).

    A presença do governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) , no camarote de honra reforça a força política do religioso no estado.

    A assessoria de Frei Gilson não se manifestou sobre a denúncia ao MPSP até o fechamento desta edição.

    Em resposta indireta às críticas, no dia 24 de abril, o frei postou um vídeo citando passagens bíblicas sobre perseguição: “Se a mim me chamaram de Belzebu, como é que vão chamar vocês? Se odiaram a mim, não vão odiar vocês?”.

    O sacerdote concluiu dizendo que a Bíblia o ensinou a “orar pelos inimigos”.



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