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RESUMO
 
URBS MAGNA
 

| Brasília (DF)
21 de agosto de 2026

O fundador do Grupo Evergrande, Xu Jiayin, foi condenado à prisão perpétua nesta quinta-feira (20/ago) pelo Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen por fraude financeira em larga escala, desvio de recursos e suborno corporativo.

A decisão importa porque encerra o capítulo judicial do colapso de uma das maiores incorporadoras da China e sinaliza rigor do sistema contra crimes que abalaram a estabilidade do setor imobiliário, responsável por parcela relevante da economia do país.

De acordo com o anúncio oficial do próprio Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen, reproduzido por veículos como o China Daily e a Central Popular de Rádio da China, Xu Jiayin foi sentenciado a prisão perpétua, com privação de direitos políticos vitalícia e confisco de todos os bens pessoais.

O Grupo Evergrande recebeu multa de 8,82 bilhões de yuans e a Evergrande Real Estate de 7 bilhões de yuans, totalizando 15,82 bilhões de yuans.

O tribunal apurou que, entre 2016 e 2021, Xu Jiayin, na condição de controlador real do grupo, e as empresas praticaram “fraude financeira sustentada e em larga escala”, com inflação de ativos, ocultação de passivos, absorção ilegal de depósitos públicos, fraude de captação de recursos, emissão fraudulenta de valores mobiliários, divulgação irregular de informações relevantes e suborno de unidade.

Xu Jiayin também foi condenado por uso ilegal de fundos e apropriação indébita de cargo.

O tribunal afirmou que os crimes “gravemente perturbaram a ordem da economia de mercado socialista, infringiram direitos patrimoniais públicos e privados e minaram a integridade do comportamento funcional de funcionários públicos”, com valores “especialmente enormes”, circunstâncias “particularmente graves” e prejuízos econômicos e sociais “especialmente sérios”.

COMPARAÇÃO

A velocidade e a severidade da sentença chinesa contrastam com práticas observadas em outros sistemas. Na China, o foco prioritário na proteção da ordem econômica e na recuperação de perdas (com prioridade de indenização às vítimas sobre multas e confisco) busca efeito dissuasório imediato.

Em países como os Estados Unidos, crimes de colarinho branco de magnitude semelhante frequentemente resultam em penas de décadas, mas com maior espaço para acordos e recursos prolongados.

No Brasil, processos envolvendo grandes esquemas financeiros de elites empresariais tendem a se arrastar por anos em instâncias superiores, com penas efetivas muitas vezes inferiores e maior peso de garantias processuais individuais.

O modelo chinês prioriza a estabilização coletiva do mercado e a responsabilização de quem controla grandes volumes de recursos públicos e privados.

Isso pode ser visto como instrumento de proteção social em um setor que chegou a representar cerca de um terço do PIB chinês.

Ao mesmo tempo, a concentração de poder decisório no sistema judicial e a ausência de debate público mais amplo levantam questões sobre o equilíbrio entre eficiência e garantias individuais.

O efeito no país parece ser o de reforçar a mensagem de que excessos alavancados não serão tolerados, o que pode contribuir para a reconstrução da confiança no mercado imobiliário, ainda sob pressão.

Outros 56 envolvidos, incluindo os filhos de Xu Jiayin, Xu Zhijian e Xu Tenghe, receberam penas de 1 ano e 10 meses a 18 anos de prisão, conforme divulgado pelo tribunal e confirmado por China Daily e pela Suprema Corte Popular da China.

Xu Jiayin havia se declarado culpado e arrependido em abril deste ano.



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1 comentário em “Fraude financeira em massa e suborno: por que Xu Jiayin, da Evergrande, levou prisão perpétua?”

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