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    Fome nos EUA supera pico da pandemia e expõe economia em “formato de K”, aponta Fed de Nova Iorque

     

     

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    Homem vasculha lixeira em Nova York

    📷 Homem vasculha lixeira em Nova York em busca de algo de valor ou alimento / imagem reproduçao |•| Arte Urbs Magna

    RESUMO
     
    URBS MAGNA
     

    | Nova Iorque (US)
    21 de julho de 2026

    A maior economia do mundo enfrenta uma contradição alarmante.

    Enquanto indicadores macroeconômicos como baixo desemprego e alta na bolsa apontam para um cenário positivo, uma pesquisa do Federal Reserve Bank de Nova York revela que o número de americanos passando fome é hoje maior do que no auge da pandemia de Covid-19, há seis anos.

    O estudo, baseado na Survey of Consumer Expectations (SCE), mostrou que, em fevereiro de 2026, 10% das famílias relataram ter pulado refeições por falta de alimentos.

    Em junho de 2020, esse índice era de apenas 4%. Quase 16% das famílias dependiam de doações de comida, contra 10,6% em 2020, e 17,9% recorriam ao programa de assistência alimentar SNAP, ante 10,6% seis anos antes.

    Os economistas do Fed descrevem a situação atual como uma economia em “formato de K” . 

    “Encontramos um aumento notável na insegurança alimentar, particularmente entre famílias com menor escolaridade, menor renda e com filhos pequenos” , escreveram os pesquisadores em um artigo.

    No topo da letra “K”, estão as famílias de renda mais alta, que se beneficiam da alta histórica das ações e dos imóveis. Já na base, as famílias mais pobres sofrem com a inflação persistente, as altas taxas de juros e, principalmente, o fim dos subsídios concedidos durante a pandemia.

    O relatório do Fed aponta que esse cenário de insegurança alimentar pode explicar o pessimismo do consumidor americano. 

    “Embora não seja necessariamente causal, a associação positiva observada entre insegurança alimentar e pessimismo geral do consumidor, juntamente com o aumento da incidência de insegurança alimentar, especialmente entre os domicílios na base da forma K, aponta para uma explicação potencial para os níveis excepcionalmente baixos recentes de sentimento do consumidor” , afirma o relatório.

    Um dos fatores que agravam a situação é a perda de benefícios. A expansão do programa SNAP durante a pandemia expirou, e o governo de Donald Trump endureceu os requisitos de trabalho para o programa.

    “Se você está somando outros US$ 100 ao seu orçamento mensal apenas para colocar gasolina no carro para ir ao trabalho ou levar seus filhos à escola e fazer o que eles precisam, de onde vem esses US$ 100? Normalmente, eles têm que sair do orçamento de alimentos”, explicou Amy Breitmann, diretora do banco de alimentos Golden Harvest Food Bank na Geórgia, à NPR.

    O relatório do Federal Reserve Bank de Nova York foi publicado em maio de 2026 e continua repercutindo em veículos como CNBC, Good Morning America e Yahoo Finance.

    O governo Trump ainda não se manifestou oficialmente sobre os dados.



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