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Folha: Moro é um ‘vexame’; ‘papagaio de pirata’ de Bolsonaro, ‘enganou quem acreditou em suas palavras’

    Editorial diz que o ex-juiz está “empenhado” em manchar sua credibilidade ao aliar-se a Bolsonaro: “atropelou a lei que deveria fazer cumprir, desrespeitou o processo judicial e deixou de lado a imparcialidade exigida na democracia”

    Texto de editorial do jornal Folha de S. Paulo diz que o ex-juiz persecutor de LULA se tornou um “vexame” ao se empenhar em “manchar sua credibilidade“, após ter sido visto no Brasil como um ‘herói nacional‘. “Como se soube depois“, diz o jornal, “já durante os tempos de magistrado Moro atropelou a lei que deveria fazer cumprir. Desrespeitou o processo judicial e deixou de lado a imparcialidade exigida na democracia“.

    A Folha diz ainda que p STF (Tribunal Superior ELeitoral) não teve opção quando decidiu “anular os processos que corriam contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT)” por conta de sua “conduta enviesada, atestada por vazamentos de diálogos mantidos com procuradores da Lava Jato“. Se não o fizesse, a Corte estaria “rasagando a Constituição“. E “por culpa do próprio ex-magistrado, portanto, impôs-se à Lava Jato sua derrota mais contundente“.

    O editorial lembra que “Moro trocou a carreira de juiz pelo cargo de ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaroalguém diretamente beneficiado pela condenação” sem provas de LULA. Depois que “esquentou a cadeira por pouco mais de um ano“, Moro “rompeu com Bolsonaro, acusando-o de interferir na Polícia Federal para proteger os filhos. A essa crítica se seguiram outras, diferentes na forma e iguais na mensagem: o presidente não quer combater desmandos“.

    Fora do governo“, o ex-juiz “passou pelo setor privado e filiou-se ao Podemos com a pretensão de disputar a Presidência. Ao não se ver atendido, migrou para o União Brasil, onde precisou se conformar com uma candidatura ao Legislativo“, segue o editorial.

    Sem conseguir concorrer por São Paulo, pleiteoue ganhouum posto de senador pelo Paraná, onde derrotou Álvaro Dias (Podemos), até outro dia seu aliado e grande entusiasta da Lava Jato“. E, “não contente, Moro fez mais um movimento insidioso ao aparecer no debate presidencial como o proverbial papagaio de pirata de Bolsonaro“, escreve a redação da Folha.

    Enganou quem acreditou em suas palavras ao deixar o governo, imaginando que o ex-juiz se mantinha leal a alguma coisa. Nada mais falso”, diz o jornal. “O ex-juiz e senador eleito se reconcilia de forma subalterna com o presidente que outrora acusou. Seria só um vexame pessoal, não implicasse também um dano à imagem da operação que personificou“.

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