
📷O ministro da Fazenda, Dario Durigan, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, o Presidente da República Federativa d Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad | Montagem de imagens reprodução [Digital remaster upscaling photo]
| Brasília (DF)
01 de junho de 2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou, nesta segunda-feira (1º/jun), um relatório que enaltece a resiliência notável da economia brasileira diante de múltiplos choques globais.
A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o médio prazo foi ajustada para cerca de 2,5%, sinalizando uma recuperação gradual após a desaceleração observada em 2025.
A análise, conduzida pela missão chefiada por Daniel Leigh, ocorreu entre 18 e 29 de maio e faz parte da consulta do Artigo IV de 2026.
O comunicado do FMI destaca que o Brasil está “relativamente protegido dos aumentos globais de preços do petróleo”.
Essa blindagem, de acordo com a instituição, decorre de dois fatores estruturais: a posição do país como exportador líquido de petróleo e a alta participação de fontes renováveis, como hidrelétricas e energia solar, na matriz elétrica.
Daniel Leigh afirmou: “O Brasil está relativamente protegido dos aumentos globais do preço do petróleo decorrentes da guerra no Oriente Médio, devido ao seu status de exportador líquido de petróleo e à alta participação de fontes de energia renováveis na matriz energética.”
Cenário de recuperação e riscos
Apesar do otimismo, o FMI ressalva que os “riscos para as perspectivas de crescimento estão inclinados para o lado negativo”, citando a deterioração das tensões geopolíticas e o aperto das condições financeiras.
A equipe liderada por Leigh projeta que “indicadores de alta frequência apontam para uma recuperação econômica no início de 2026”, com fortalecimento gradual para 2,5% no médio prazo.
A inflação, que recentemente subiu devido aos preços globais de energia, deve convergir para a meta de 3% somente em meados de 2028.
Política monetária e fiscal
O Banco Central do Brasil (BCB) foi avaliado positivamente pelo corte de juros em março e abril, considerado “apropriado” dentro do regime de metas.
Contudo, o FMI recomenda “flexibilidade no ritmo dos próximos passos”, diante da guerra no Oriente Médio e das novas pressões inflacionárias.
A instituição também elogiou os esforços das autoridades brasileiras para fortalecer a posição fiscal, mas cobrou reformas mais profundas para colocar a dívida pública em trajetória de queda.
“Economizar os lucros extraordinários do petróleo, prover apoio temporário e focalizado, e implementar um esforço fiscal ambicioso são medidas urgentes”, diz o relatório.
Mérito da gestão econômica
O reconhecimento do FMI à resiliência brasileira ocorre em um contexto de política econômica coordenada pelo governo Lula.
Em abril de 2026, Dario Durigan assumiu o Ministério da Fazenda, substituindo Fernando Haddad, que deixou o cargo para disputar as eleições.
Durigan já sinalizou que a meta é alcançar crescimento sustentável de pelo menos 4% ao ano, impulsionado pelo aumento da produtividade.
O ministro reiterou o compromisso com o arcabouço fiscal e o diálogo com o FMI para equilibrar as contas públicas, controlar a inflação e fortalecer programas sociais e ambientais.
A combinação de políticas fiscais responsáveis, autonomia do Banco Central e investimentos na transição ecológica forma o tripé que explica o cenário de confiança externa.
O FMI ainda salientou que o sistema financeiro brasileiro segue “robusto e bem capitalizado”, com reservas adequadas e câmbio flexível, fatores que seguram a onda de choques externos.
Próximos passos
O relatório do Artigo IV será submetido ao conselho executivo do FMI nas próximas semanas, onde poderá gerar recomendações adicionais.
Enquanto isso, o governo brasileiro trabalha para avançar nas reformas estruturais e na agenda de transformação ecológica, vistas pelo Fundo como pilares para um crescimento mais forte e inclusivo.
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FAQ Rápido
Quais são os principais riscos apontados pelo FMI?
O fundo destaca a escalada da guerra no Oriente Médio, que eleva os preços do petróleo, e o aperto das condições financeiras globais, que podem afetar o fluxo de capitais para emergentes.
O que é o Artigo IV do FMI?
É uma consulta anual obrigatória que o FMI realiza com cada país-membro para avaliar sua situação econômica e financeira, oferecendo recomendações de políticas públicas.
Por que o FMI projeta crescimento de 2,5% para o Brasil?
A projeção se baseia na recuperação dos indicadores de alta frequência no início de 2026, no alívio monetário promovido pelo Banco Central e na resiliência estrutural da economia, especialmente no setor de energia.
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