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Greta Thunberg em nova flotilha rumo a Gaza: “Palestinos foram desumanizados e viraram números da ONU”

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    A ativista
    A ativista ambiental sueca Gretha Thunberg acena para pessoas no porto de Barcelona, Espanha, a partir de uma embarcação de nova Foltilha que partiu para a Faixa de Gaza com ajuda humanitária para os palestinos |31.8.2025| Imagem reprodução


    Ativistas de 44 países partem de Barcelona em missão para entregar suprimentos ao enclave, desafiando bloqueio naval contra o “genocídio



    Barcelona, Espanha, 31 de agosto de 2025

    Uma flotilha humanitária partiu do porto de Barcelona, na Espanha, neste domingo (31/ago) rumo à Faixa de Gaza, com o objetivo de entregar ajuda humanitária e desafiar o bloqueio naval imposto por Israel.

    A iniciativa, batizada de Global Sumud Flotilla, conta com a participação de cerca de 700 ativistas de 44 países, incluindo a renomada ativista sueca Greta Thunberg.

    A frota, composta por aproximadamente 50 embarcações, saiu às 15h30 no horário local (10h30 no horário de Brasília) sob aplausos e gritos de “Palestina livre”.

    A missão, descrita como “a maior tentativa de romper o bloqueio ilegal de Gaza”, busca não apenas levar suprimentos essenciais, como alimentos, medicamentos e leite em pó para bebês, mas também chamar a atenção da comunidade internacional para a crise humanitária no território palestino.

    Thunberg, em entrevista coletiva no cais em Barcelona, fez um discurso de condenação ao “genocídio” em Gaza e à cumplicidade internacional. A ativista condenou veementemente a ofensiva israelense no enclave, classificando-a como “genocídio” e “massacre em massa“, e criticou a inação da comunidade internacional.

    Ela iniciou agradecendo à multidão por “estar do lado certo da história” e foi direta ao afirmar que não havia nada de novo a ser dito, uma vez que “os palestinianos repetem seus apelos por justiça, liberdade e por seu direito à vida há muitas décadas, encontrando apenas ouvidos surdos“.

    Obrigado a todos por se reunirem aqui e por lutarem pelo que é certo e por estarem do lado certo da história. Todos vocês sabem exatamente por que estamos aqui. Não há nada que nenhum de nós aqui em cima [da embarcação] possa dizer que seja novo. Os palestinos vêm repetindo seus apelos por justiça e por liberdade e sua vontade de viver há muitas, muitas décadas, e eles têm sido recebidos com ouvidos surdos”.

    A ativista, no entanto, destacou uma mudança lenta na opinião pública, afirmando que “mais e mais pessoas acordam a cada dia e veem as atrocidades absolutas” que Israel comete contra os palestinos.

    “Devagar, a cada dia mais e mais pessoas estão acordando e vendo mais das atrocidades absolutas, o genocídio, o massacre em massa que Israel está cometendo. E a questão aqui hoje não é por que estamos navegando. Esta história não tem nada a ver com a missão que estamos prestes a embarcar. A história aqui é sobre a Palestina. A história aqui é como as pessoas estão sendo deliberadamente privadas dos meios mais básicos para sobreviver”.

    A principal crítica de Thunberg foi reservada para os líderes mundiais e as instituições. Ela acusou aqueles “que deveriam nos representar” de “falharem de todas as formas possíveis” com o povo palestino e de “traírem todos os povos oprimidos do mundo“.

    De acordo com a activista, há uma falha generalizada em “cumprir a lei internacional” e no “dever legal mais básico de agir para prevenir um genocídio“, além de parar a “cumplicidade e o apoio a um estado de apartheid“.

    Ela foi enfática ao declarar que “a história aqui não é sobre a missão que estamos prestes a embarcar. A história aqui é sobre a Palestina“. Thunberg descreveu a situação como um povo sendo “deliberadamente privado dos meios mais básicos para sobreviver” e questionou “como o mundo pode permanecer em silêncio“.

    Em tom pessoal e emocionado, a ativista expressou terror questionando “como as pessoas podem continuar com sua vida quotidiana aceitando este genocídio, assistindo a uma transmissão ao vivo em seus telefones e depois fingindo que nada está acontecendo“.

    “A história aqui é como o mundo pode ficar em silêncio e como aqueles no poder, aqueles que deveriam nos representar, estão de todas as formas possíveis traindo e falhando com os palestinos e todos os povos oprimidos do mundo. Eles estão falhando em fazer cumprir a lei internacional, eles estão falhando em cumprir seus deveres legais mais básicos de agir para prevenir um genocídio, parar sua cumplicidade e apoio a um estado de apartheid, estado de apartheid e à ocupação e ao genocídio dos palestinos”.

    Israel deixa muito claro sua intenção genocida. Eles querem apagar a nação palestina. Eles querem assumir o controle da Faixa de Gaza. E se isso não faz as pessoas agirem, se isso não faz as pessoas saírem do sofá e tomarem uma atitude, lotarem as ruas, se organizarem, então não sei o que fará. E pessoalmente, estou aterrorizada. Com como as pessoas podem continuar com sua vida cotidiana aceitando este genocídio, assistindo a um genocídio em transmissão ao vivo em seus telefones e depois fingir como se nada estivesse acontecendo”.

    Ela afirmou que os palestinos foram “desumanizados a ponto de só serem mencionados como números e resoluções da ONU“. E finalizou sua fala com uma mensagem de esperança e resistência, enquadrando a mobilização global pela Palestina como uma “revolta mundial“.

    Os palestinos foram desumanizados a tal ponto que eles são apenas mencionados em termos de números e resoluções da ONU. Mas esta história também é sobre um levante global, sobre como as pessoas estão se levantando quando nossos governos falham em fazê-lo. Para cada político que está alimentando o genocídio, mais destruição ambiental e climática e mais colonização e fascismo, haverá pessoas intensificando a resistência contra isso, e é isso que estamos tentando fazer e é por isso que estamos mobilizando pessoas“.

    A ativista reforçou que os riscos enfrentados pela flotilha são insignificantes diante do sofrimento diário dos palestinos, que enfrentam fome, deslocamento e bombardeios.

    Entre os participantes, estão figuras públicas como a ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau, o ator espanhol Eduard Fernández, e a deputada portuguesa Mariana Mortágua.

    A organização da Global Sumud Flotilla enfatiza que a iniciativa é independente e não afiliada a nenhum governo ou partido político.

    A frota planeja se reunir com outras embarcações em 4 de setembro, partindo de portos como o da Tunísia, com previsão de chegada a Gaza em 13 de setembro.

    O governo espanhol, por meio do ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, garantiu que “mobilizará toda a proteção diplomática e consular para proteger os cidadãos espanhóis a bordo”.

    A Espanha, que reconheceu o Estado da Palestina em 2024, tem adotado uma postura de apoio à causa palestina, o que reforça a relevância da partida da flotilha de Barcelona.

    O periódico também destaca que a missão ocorre em um momento de agravamento da crise humanitária em Gaza, com a ONU alertando para um estado de fome que afeta cerca de 500 mil pessoas.

    A Global Sumud Flotilla foi planejada com cuidado logístico, contando com tripulantes experientes, jornalistas e médicos a bordo.

    A organização espera pressão internacional para garantir a segurança da missão, especialmente após incidentes anteriores, como a interceptação do veleiro Madleen em junho, que também contava com Greta Thunberg e foi desviado por forças israelenses.

    A Global Sumud Flotilla enfrenta um cenário desafiador, já que Israel mantém um bloqueio naval à Faixa de Gaza desde 2007, justificando-o como medida para impedir a entrada de armas ao Hamas.

    No entanto, organizações humanitárias criticam a restrição como uma barreira à entrega de ajuda essencial, agravando a crise no território.

    A missão atual é vista como uma resposta direta à deterioração das condições em Gaza, especialmente após o bloqueio total imposto por Israel em março deste ano, que foi parcialmente suspenso em maio, mas ainda limita o fluxo de suprimentos.



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