Bolsonaro pode perder seus direitos políticos após julgamento no TSE, onde a sessão desta quinta teve adiamento até amanhã, sob placar de 3 votos a favor e 1 contra – ASSISTA
O ministro Floriano de Azevedo Marques Neto, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), votou pela condenação de Jair Bolsonaro (PL) à inelegibilidade, acompanhando o voto do relator, ministro Benedito Gonçalves.
Em crítica ao voto do ministro Raul Araújo, o magistrado citou “terraplanistas” e “confraria da borda infinita“, ao argumentar sobre liberdade de expressão. Para Floriano Marques, o tema não dá direito de mentir sobre fatos amplamente conhecidos.
Terceiro a votar, o ministro também se manifestou pela inclusão da minuta do golpe na ação.
Floriano declarou que a performance de Bolsonaro na reunião com embaixadores em que atacou as urnas foi menos de chefe de Estado e mais um comportamento típico de campanha e distante da liturgia do cargo.
“Analisando linha a linha me convenci que teve claro objetivo eleitoral“, diz o ministro Floriano Marques, concluindo que a situação, associada ao conteúdo da apresentação feita aos embaixadores, comprovam desvio de finalidade e abuso de poder.
“O presidente da República, reconheço, podia legitimamente manter sua irresignação, suas crenças, suas incredulidades. Mas não lhe cabia, institucionalmente, em diálogo ou monólogo, a sacar desconfianças sobre a confiabilidade do sistema eleitoral, pelo qual fora eleito diversas vezes, nem em rede nacional, e muito menos perante representantes de nações estrangeiras“, afirmou.
Terraplanismo
“Alguém pode acreditar que a Terra é plana, mesmo contra todas as evidências científicas. Esse sujeito pode ainda integrar um grupo de estudos terraplanistas ou uma confraria da borda infinita e dedicar seus dias a imaginar como um avião dá a volta no plano para chegar a outro extremo. Porém, se é um professor da rede pública, não lhe é permitido ficar a lecionar inverdades científicas aos seus alunos, pois isso seria desviar as finalidades educacionais que correspondem a sua competência de servidor docente”, disse o Ministro Floriano de Azevedo.
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