Empréstimo feito no Banco de Brasília tinha prazo de 360 meses, mas o senador pagou antecipadamente o débito do imóvel em apenas 37 meses, mostra reportagem no Estadão
O senador Flávio Bolsonaro pagou antecipadamente um financiamento de R$ 3,4 milhões para a compra de uma mansão no Lago Sul, zerando o débito do imóvel em 37 meses, apesar de o prazo original ser de 30 anos, mostra matéria de André Shalders e Tácio Lorran, no jornal o Estado de S. Paulo.
Em 2021, o filho de Jair comprou a mansão de 1.100 m2 por R$ 6,1 milhões. Ele fez um pagamento à vista de R$ 2,9 milhões e financiou o restante pelo BRB. Para quitar a dívida, realizou seis pagamentos extras que totalizaram R$ 3,4 milhões.
A propriedade possui piscina, jardim, academia, espaço gourmet e cinco suítes. Flávio afirmou que os recursos têm origem lícita, embora não tenha detalhado a origem do dinheiro, escreveram os jornalistas do Estadão.
Flávio afirmou que saldar sua dívida com o BRB comprova que o banco emprestou-lhe dinheiro com base em sua capacidade de efetuar pagamentos, e não por causa de seus olhos verdes. Ele enfatizou seus papéis como legislador, empresário e advogado, e afirmou que todos os seus recursos são legítimos e resultado de seu trabalho árduo.
O BRB afirmou que não comenta casos de clientes devido ao sigilo bancário, mas adota procedimentos regulamentares relacionados a controles internos, gestão de riscos e prevenção à lavagem de dinheiro.
As informações revelam detalhes sobre uma ação popular movida pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF) contra o BRB e Flávio Bolsonaro. A ação visa investigar suspeitas de favorecimento ao senador na concessão de um empréstimo, destacando a quitação do imóvel por Flávio Bolsonaro e os valores pagos em diferentes datas. Kokay também mencionou que representará para que o Ministério Público investigue as circunstâncias da quitação do imóvel.
Nas eleições de 2018, Flávio declarou um patrimônio de R$ 1,74 milhão ao TSE. Posteriormente, os valores declarados diminuíram para R$ 1,58 milhão em 2019 e R$ 1,41 milhão em 2020. Ele justificou a aquisição de uma mansão inicialmente como resultado de seus negócios empresariais, mas enfrentou acusações de uso da loja de chocolates que possuía para lavagem de dinheiro. O STJ negou um pedido do Ministério Público para acessar suas informações bancárias e fiscais, e o caso está em segredo de Justiça. Atualmente, é sócio de uma corretora de seguros.
Flávio Bolsonaro alegou ter utilizado a renda de seu trabalho como advogado para financiar a mansão, mas sua declaração de Imposto de Renda de 2020 não incluiu recebimentos adicionais ao salário de senador. Por outro lado, sua esposa, Fernanda Bolsonaro, declarou um patrimônio de R$ 3 milhões em 2020, apesar de ter tido uma renda inferior a R$ 13 mil em todo o ano de 2019.
O Banco de Brasília (BRB) atestou a quitação do imóvel em uma manifestação, afirmando que o contrato impugnado por meio de uma Ação Popular está quitado e em conformidade com os normativos internos do banco. Os advogados que representam o banco alegam a inexistência de irregularidades na contratação e refutam qualquer alegação de favorecimento, apresentando documentos que sustentam essa posição. O documento público nos autos confirma essas declarações.
Em dezembro de 2022, um juiz rejeitou o pedido de Kokay em uma ação popular, mas o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios reverteu a decisão em novembro passado. Flávio solicitou mais documentos sobre o caso e ameaçou processar a autora por litigância de má-fé e vazamento de informação sigilosa, apesar do processo ser público, com apenas algumas partes sob sigilo.
À época da compra do imóvel, Flávio registrou a escritura em um cartório de Brazlândia, a 45km do centro da capital. Na época, as rendas comprovadas por Flávio e por sua mulher, a dentista Fernanda Bolsonaro, somavam R$ 36,9 mil – menos que o exigido pelo banco estatal de acordo com o simulador disponível no site, que seria de R$ 46,4 mil.
