O senador Flávio Bolsonaro durante fala na 39ª edição do Fórum da Liberdade, realizado nos dias 9 e 10 de abril de 2026 na PUCRS, em Porto Alegre (RS), organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) |10.4.2026| Imagem reprodução Instagram / @biakicis
Brasíllia (DF) · 26 de abril de 2026
O pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) resolveu transformar a reforma tributária em palanque de oposição, mas os dados e o histórico da própria família mostram que o terreno é bem menos firme do que parece.
Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, o jornalista Eduardo Cucolo explicita uma série de contradições e equívocos do senador — e deixa claro que o discurso do bolsonarismo sobre o tema não resiste a dez segundos de checagem.
Primeiro, a ironia histórica: quando Jair Bolsonaro ainda ocupava o Planalto, em 2020, seu governo apresentou um projeto que unificava PIS e Cofins e criava a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — exatamente o que a reforma aprovada no governo Lula fará a partir de janeiro de 2027.
A diferença crucial, porém, é que o projeto bolsonarista previa uma alíquota de 12% para o novo tributo, enquanto a estimativa atual do Ministério da Fazenda é de cerca de 9%. Hoje, o PIS/Cofins soma 9,25%.
Ou seja: Flávio critica o que o próprio pai tentou fazer com uma conta maior.
O autor não poupa o senador: lembra que, durante o governo Bolsonaro (2019-2022), a carga tributária média sobre bens e serviços atingiu 13,6% do PIB.
Na gestão Lula (2023-2025), esse número caiu para 10%. A reforma, por lei, mantém a carga sobre o consumo — o tal “peso insuportável” denunciado por Flávio é, na verdade, o mesmo que já pagamos há anos.
O artigo também expõe outro vexame: a mesma fala em que Flávio critica o Imposto de Renda Mínimo foi proferida por alguém que votou a favor da lei no Congresso (em votação simbólica).
A legislação ampliou a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil — e Flávio agora diz que “certamente a reforma vai ter que ser revisitada”, sem explicar se pretende cortar despesas (como mexer no reajuste de benefícios previdenciários) ou aumentar outros impostos.
Por fim, o autor desmonta a choradeira sobre profissionais liberais: Flávio afirma, “de maneira equivocada”, que eles pagariam quase 30% de imposto, ignorando os descontos aprovados para várias categorias.
Advogados, área em que o senador é formado, devem ter tributação total próxima de 20% a partir de 2033.
A conclusão do jornalista é pedagógica e implacável: quanto mais setores privilegiados, maior a alíquota geral. Se Flávio quiser atender todos os lobbies, “12% de CBS será pouco”.
E o recado final de Cucolo soa como uma senha para o eleitor progressista: o discurso do pré-candidato não sobrevive ao confronto com os fatos — e com o próprio passado bolsonarista.
FAQ rápido
1. Análise de Contradição (Fact-Check)
O autor desmascara falas de Flávio Bolsonaro confrontando-as com os fatos e com o histórico do próprio governo Bolsonaro.
2. Comparativo Histórico (Governo Bolsonaro x Governo Lula)
Foi mostrado numericamente que a carga sobre consumo caiu na gestão Lula (10% do PIB) em relação à de Bolsonaro (13,6%).
3. Perfil de Hipocrisia Política
Flávio Bolsonaro foi exposto pelo jornalista sobre seu voto a favor do Imposto de Renda Mínimo, beneficiando quem ganha até R$ 5 mil, e agora critica a própria lei.
4. Esclarecimento Técnico com Viés Progressista
Foram desmontadas falsas alegações sobre profissionais liberais (ex.: “vão pagar 30%”) explicando os descontos aprovados — inclusive para advogados (área de Flávio).
5. Alerta sobre Consequências (Efeito Lobby)
O jornalista Eduardo Cucolo mostrou que ceder aos ataques de Flávio significaria ampliar privilégios e elevar a alíquota geral — prejudicando pobres e classe média.
6. Opinião Assinada (com respaldo do autor do artigo)
Cuolo, assim, declara ser claramente contra as ideias de Flávio Bolsonaro e apresenta todos os motivos.
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
