📷 O deputado federal André Janones / Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados | O senador Flávio Bolsonaro / Foto Evaristo Sá/AFP
| Brasília (DF)
27 de junho de 2026
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou, na segunda-feira (22/jun), uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado federal André Janones (Rede-MG).
A ação, divulgada pela maioria das mídias, pede a condenação do parlamentar mineiro por injúria.
De acordo com a petição, a defesa do senador lista cinco publicações feitas por Janones em seu perfil oficial no Instagram entre março e junho de 2026. Nelas, o deputado teria se referido a Flávio Bolsonaro com expressões como “vagabundo”, “idiota”, “babaca”, “verme”, “bandido”, “ladrão” e “miliciano”.
Em uma das postagens, de 25 de março, Janones afirma que vai “descer o nível”, “quebrar o pau” e “ser sensacionalista” contra o senador.
Em 12 de abril, o deputado chama Flávio de “vagabundo”, “idiota”, “babaca” e “verme” ao criticar uma publicação sobre fome no governo Lula.
No terceiro vídeo, de 15 de abril, Janones convoca seguidores a digitar “soldado” nos comentários e anuncia um “treinamento de guerrilha” para enfrentar o adversário.
Já em 2 de junho, motivado por um encontro de Flávio com o presidente Donald Trump, o deputado afirma que irá aos Estados Unidos para “mostrar pro país inteiro o que que esses bandidos, vagabundos, estão fazendo contra o povo brasileiro”.
Os advogados de Flávio Bolsonaro argumentam que as condutas de Janones não estão protegidas pela imunidade parlamentar nem pela liberdade de expressão, por constituírem um “padrão de comportamento com propósito exclusivo de desgaste da reputação do senador”.
A queixa-crime pede a condenação por cinco crimes de injúria em continuidade delitiva, com agravantes por terem sido praticados contra funcionário público e por meio de redes sociais.
A defesa também requer reparação de danos morais no valor mínimo de R$ 20 mil, a ser destinado a uma instituição de caridade.
O movimento de Flávio Bolsonaro no STF insere-se em uma estratégia mais ampla de judicialização da disputa política, algo cada vez mais comum nas eleições brasileiras.
A ação ocorre em um momento em que o senador tenta se descolar de escândalos recentes, como o caso do filme “Dark Horse” e das investigações sobre o Banco Master.
Processar Janones por injúria pode ser visto como uma tentativa de retaliar um dos críticos mais ferrenhos do bolsonarismo, ao mesmo tempo em que busca capitalizar politicamente a imagem de vítima de ataques pessoais.
Janones, que já teve postagens removidas por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a pedido do PL, ainda não se manifestou publicamente sobre a ação.
Até o momento, o STF ainda não distribuiu o processo a um relator. A defesa de André Janones também não se manifestou oficialmente sobre a queixa-crime.
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